Miséria de estratégia


Desde ontem – pelas intermináveis declarações de Passos Coelho, ouvido em particular e por tudo o que se disse no debate (?) parlamentar – começam a desenhar-se as cartilhas e as obscenidades que a direita deve usar para pontuar os seus ataques. Podiam os partidos de direita atacar, na AR e nas suas metástases televisivas, com argumentos e ideias duras, até violentas, mas sérias e, até, procedentes, porque há matéria para tal, mas isso tinha um preço – eles fizeram sempre o mesmo e geralmente pior nestas matérias. Mas não. Não é isso que colhe e o deserto argumentativo parlamentar não surpreende. Por isso, tratam de promover e repetir curtas e simplórias grosserias.

Não há limites. Mas há concertação. Exemplo? Ontem, na TVI24, uma jornalista (??) promovida a comentadora, uma tal Judite de Freitas arengava: “o PCP e o BE eram outra coisa, agora são… não sei… uma espécie…não sei…uma coisa…estão mascarados de partidos que apoiam governos que permitem 100 mortos…”. Horas depois, Nuno Magalhães, com a elegância oratória que lhe é reconhecida, bolsava: ” cabe ao PCP e ao BE avaliarem se a morte de 100 pessoas não é grave”. Esta imitação de ideia vai fazendo o seu caminho ao ritmo da obediência dos vários servidores da causa.

A segunda obsessão desta gente, aparenta ser muito cristã: “peça desculpa, peça perdão, penitencie-se”. Quer dizer, parece não interessar o que há a fazer e o valor das mediadas já tomadas e a tomar, sua avaliação e escrutínio, como não interessa a crítica dura mas fundamentada; não, interessa humilhar, fazer vergar vontades, fazer espectáculo e melodrama barato daquilo que é uma verdadeira tragédia.

Tudo isto é inocente, decorrente de personalidades deformadas? Claro que não. Há mais de um sentido em tudo isto. Enquanto se trata a situação nestes termos, não só se obtem nas mentes mais incautas uma má vontade contra o governo e seus apoiantes parlamentares, com se evita a verdadeira discussão que, inevitavelmente, implicará a actual oposição e suas responsabilidades em toda esta situação.

É que o que aconteceu foi mesmo de uma gravidade sem medida, tem responsáveis, tem políticas erradas persistentemente seguidas, tem sujeitos que ficaram aquém das suas obrigações, interpela os deveres de todo o aparelho de Estado, desde o governo à freguesia – responsabilidades de desigual grau e, até, natureza, claro -, sem esquecer os que, entre os cidadãos, foram negligentes ou mesmo culpados – há mais de 150 incendiários acusados e inúmeras multas por queimadas ilegais.

Aquilo que se ouve na comunicação social e no argumentário da direita agita a espuma das coisas, o insulto grosseiro, o golpe baixo, preferindo a análise que se evade à crítica procedente. Enquanto isto acontece, espera a direita que nos possamos esquecer do seu rasto sujo em todas estas matérias. .
Penitenziagite, penitenziagite, grita a direita afinando os papagaios da sua orquestra; mas não faleis de coisas sérias, que alguém pode estar a ouvir. Nem tomeis boas medidas, porque podem resultar, os nossos donos não iam gostar e nós não voltamos a governar.

Comments

  1. Fernando says:

    A direita para desviar as atenções das suas responsabilidades e verdadeiras intenções precisa de ser histérica e disseminar ignorância.
    Eles, os da direita, sabem que não podemos contar com a direita para fazer de Portugal um país melhor.
    Então que continuem a cavar a sua própria sepultura, não deixaram saudades, mas serão relembrados tal como Salazar é hoje relembrado pela peste que foi!

  2. Desculpa ? Isso é para os fracos.
    Um comuna nunca pede desculpa, nunca reconhece um erro.
    A teoria está certa o que falha é a vontade e meios para a impor.
    Um comuna chama aos outros aquilo que é , acusa os outros daquilo que faz.
    Viva Estaline, Viva o BE([PCTP/MRPP+UDP+UEDS+FEC(m-l)+OCMLP+AOC+PT+LST/FER+FUP+LCI+PCP(m-l)+PC(R)+PSR+PST+PUP+POUS+ MAS+MDP/CDE]

    Rui Silva

    • Rui Naldinho (partilha) says:

      Quando a direita acha que percebe de matemática e se engana nas fórmulas, dá nisto!
      O manhoso SIlva, um matemático de trazer por casa. O chamado “Trollinumérico”, faz as contas dele, assim:

      “Viva Estaline, Viva o BE([PCTP/MRPP+UDP+UEDS+FEC(m-l)+OCMLP+AOC+PT+LST/FER+FUP+LCI+PCP(m-l)+PC(R)+PSR+PST+PUP+POUS+ MAS+MDP/CDE]”

      Então, Silva!
      Não meteste nessa fórmula o PS?
      Qual a razão? Não te dà jeito, por agora?
      É mesmo premeditado, não é?
      Tu és direitolas, mas do tipo “Chico esperto”, SIlva. Só que gajos como tu, conheço-os de ginjeira.
      “Só não os como ao pequeno almoço, porque são intragáveis, Silva. As criancinhas são muito mais tenras.”
      Tu queres separar a esquerda em pequenos parcelas, colocando o PS de fora, pela simples razão de achares que assim chegarás melhor ao Poder. Foi sempre assim, e não mudas de tática.
      Ó SIlva, o “Marócas” dizia que só os burros é que não mudavam. Lembras-te?
      Então, mas afinal que é o incompetente, para ti?
      Foi o Governo, o Costa e a Constança, ou foi o Jerónimo e a Catarina?
      Decide-te, pá!

    • ZE LOPES says:

      Viva Hitler, viva a PaF (LEGIÃO+UN+ANP+CDS+MIRN+PDC+PPD+PSD+MIRN+FN+MAN+PNR+HAMMERSKINS+RUI SILVA)

  3. rui porco fascista says:

    rui, e sobre este assunto? o que raio tem o estaline a ver com isto, facho de merda?

  4. rui porco fascista says:

    já o direitolas pede desculpa sem sentir um pingo do que está a dizer e não corrige os erros que levaram às tragédias, votando no dia seguinte pelo interesse das celuloses.

  5. rui porco fascista says:

    ah! e isto não é dito por um comunista, nem militante nem votante, nem bloquista, etc, etc, mas por um social democrata. infelizmente em portugal resta um partido nesse quadrante – está no governo. por mais defeitos e máfias que possa ter, continua a ser melhor que os selvagens neoliberais de PP e PPD.

  6. Ana Moreno says:

    Post certeiro e informativo, sem mais nem menos.

  7. Rui Naldinho (partilha) says:

    O CHARME INDISCRETO
    (Rui Namorado)

    1) Há vozes de direita trauliteiras e há vozes de direita meigas. Há vozes de direita que vociferam sempre e há vozes de direita que são hábeis nas tocaias, só atacando quando acham oportuno. Há vozes de direita que explodem ao vermelho e há vozes de direita que nunca perdem a calma.

    Há vozes de direita que atacam sempre e há vozes de direita que só atacam quando nos vêem frágeis. Há vozes de direita que atacam todas as esquerdas e há vozes de direita que atacam a parte das esquerdas que em cada momento lhes convém. Há vozes de direita que não disfarçam a sua acrimónia quanto à esquerda e há vozes de direita que batem nas costas das esquerdas com a subtileza de quem procura o lugar onde um dia cravarão o punhal.

    Da direita, seja ela trauliteira ou subtil, não se espere lisura e lealdade no combate político. Da direita, seja ela trovejante ou melíflua, não se espere uma distinção entre as esquerdas, quando as puder ferir seriamente. Para todas as direitas, a esquerda enquanto alvo está sempre unida.

    2) Disto as esquerdas nunca se devem esquecer. As suas diferenças, se forem autênticas e não destruírem a casa comum, são uma virtude e uma respiração natural. Repito: se tiverem sempre em conta que são um alvo comum para todas as direitas, sejam elas brutais ou melífluas.

    E que nenhuma das esquerdas se esqueça que, por mais mansa que pareça, qualquer direita, pela sua própria natureza, sempre que puder cravará a faca nas costas de qualquer das esquerdas.

    3) Muitos de nós podem ainda lembrar-se de como era, quando a direita autoritária ocupava o poder sem freios, quando havia um poder não democrático em Portugal .

    E se nem todas as direitas são iguais, todas cabem numa mesma palavra. Todas têm no seu código genético como desígnios, a conservação da desigualdade, a relativização da liberdade, a subalternização de facto das pessoas às coisas, do trabalho ao capital. Todas vivem com base no pressuposto de que as esquerdas são um empecilho ao paraíso dos privilégios. E só não afastam esse empecilho se não puderem.

    4) Em prol do mundo que almejam, o combate político das esquerdas deve ser sempre leal e democrático. Mas isso não significa que possa assentar na ilusão de que a direita adopta uma posição simétrica. A direita política é a formalização dos poderes de facto no tipo de sociedade em que vivemos. Só encara o futuro para o confiscar, de modo a torná-lo um espelho cada vez mais pobre do presente.

    Assim, no mundo em que vivemos a esquerda tem sobre a direita uma superioridade trágica, que está longe de ser evidente, mas que se reforça dia a dia. Na verdade, se a direita através do uso das suas vastas alavancas de poder conseguisse destruir as esquerdas no mundo, reduzindo a nada qualquer resistência ao capitalismo neoliberal, pouco tempo teria para celebrar a sua imaginária vitória. Apenas teria passado a certidão de óbito, não à esquerda, mas à própria civilização humana e no limite à existência da própria espécie humana. No mundo de hoje, o drama é pungente. E se cada país tem uma história própria, ela no essencial não difere de todas as outras. Principalmente, não está imune a todas as outras.

    Por isso, devemos ter sempre presente, em analogia com a célebre metáfora do leve bater de asas de uma borboleta na China que inundaria o mundo de imensas tempestades, que em política por vezes uma pequena pulhice, mesmo envernizada, pode causar grandes tempestades. Tem um risco para o seu subtil autor: qualquer tempestade leva sempre tudo à sua frente. Sem distinções.

  8. eyelash says:

    e a voz meiga é…?

  9. A culpa é do Governo em funções, mas evidentemente também dos que o precederam. O Caso de António Costa é particularmente grave porque é o elemento deste governo que mais participou em governos anteriores e ainda por cima em funções directamente ligadas à protecção civil.
    Mas o meu ponto não era esse. A grande questão é a postura da extrema esquerda BE([PCTP/MRPP+UDP+UEDS+FEC(m-l)+OCMLP+AOC+PT+LST/FER+FUP+LCI+PCP(m-l)+PC(R)+PSR+PST+PUP+POUS+ MAS+MDP/CDE]”
    que apoia o governo, outrora tão interventiva a pedir demissões de ministros e governos por “dá cá aquela palha”.
    E porquê esta postura ?
    Um dos argumentos da colaboração das extrema esquerda foi , afastar a direita do governo (como se em Portugal houvesse direita organizada ).
    Portanto, o seu objectivo está definido. O seu objectivo maior é impedir que outros governem.
    A extrema esquerda como toda a gente sabe, luta pelos mais desprotegidos, portanto é um objectivo nobre , e um objectivo Maior, é “O Objectivo”. Ora como este objectivo é tão grande , tão nobre tão “divino”, a esquerda não olha a meios para obter os seus fins. A esquerda imbuída de tão elevado objectivo pode mentir, enganar, torturar prender deportar e tudo o mais. A esquerda está automaticamente justificado tal é a grandiosidade do seu objectivo. E aí de quem se mete no seu caminho!
    A História está cheia deste horrível destino que a esquerda implantou por onde passou.
    E este tipo de lógica não desapareceu, podemos vê-la impressa nestes dias que passaram. O que é preciso é manter a direita fora do governo que morram 100 , 200 ou 1 milhão de pessoas , pouco importa , lembram-se que o objectivo é Grandioso ?

    Rui Silva

    • Rui Naldinho (partilha) says:

      1- “Um dos argumentos da colaboração das extrema esquerda foi , afastar a direita do governo (como se em Portugal houvesse direita organizada”

      Pari ti a PàF não é a direita organizada? É o quê, então?
      Se calhar é mais uma direita descaracterizada, na medida em que será mais uma extrema direita enraivecida com a democracia.

      2- “Portanto, o seu objectivo está definido. O seu objectivo maior é impedir que outros governem.”

      Quer dizer, perdestes as eleições legislativas, porque ficastes em minoria, certo? Ou será que naquele parlamento a PàF está em maioria?
      Se estivesse em maioria, tinha tomado posse, ou não?
      Mas que me recorde não foi isso que aconteceu.
      Voltaste a ser humilhado ao fim de ano e meio, numas eleições autárquicas, que por norma até são favoráveis aos partidos que estão na oposição. Mas ainda assim, tu achas que o resultado não conta, porque não foi do teu agrado.

      3- O “ que é preciso é manter a direita fora do governo que morram 100 , 200 ou 1 milhão de pessoas , pouco importa , lembram-se que o objectivo é Grandioso”

      Ou seja, o PS não devia estar à frente do governo, apesar da vontade da maioria parlamentar que o apoia, porque morreram 100 pessoas em vários incêndios?

      Como é que perspectivas a mudança de governo? Através de um golpe de Estado à Pinochet?

      • Nalgas, é isto a tua resposta ?
        Só isto ?
        Deite o beneficio da dúvida ao responder-te, e demonstras que não estás intelectualmente ao nível de uma conversa inteligente. Não passas de um analfabeto funcional que quando não entende o que lê repete slogans aprendidos nas reuniões do partido.
        O mais contraditório é ver um comuna a falar em democracia…

        Não perco mais tempo contigo.

        Rui SIlva

        • Rui Naldinho (partilha) says:

          Nunca fui comunista, nem estou muito preocupado com eles. São livres como eu, e isso é o que me interessa.
          Por acaso, ainda nenhum me veio buscar o ordenado ao fim do mês. Nem a reforma ao meu vizinho. Nenhum me mandou emigrar. E muito menos me chamou piegas.
          Mas sinto uma enorme satisfação em ser apelidado por ti, de comunista. Um regozijo do tamanho da minha liberdade. Quando um bronco me chama comunista, fico convencido de que afinal vale a pena lutar contra a agenda ultra liberal que nos governou, e que quer à viva força impor a suas teses, mesmo perdendo nas urnas. Pior, mesmo que para isso seja necessário usar os mortos de uma tragédia, como arma de arremesso. Aliás, a mesma seita que achava no dia 24 de Abril de 1974, que quem não era do regime vigente, só podia ser comunista.
          Ou não soubesse eu, que tu por estes dias tens andado por aqui numa lufa lufa, a debitar a tua enorme frustração por quem está melhor do que tu, e ao serviço de quem te prometeu um estatuto profissional melhor. Ainda acreditas no Pai Natal? Desengana-te!
          Tu fazes-me lembrar aqueles fulanos que não conseguem arranjar o emprego que acham merecer, em função das habilitações literárias que obtiveram. A frustração é enorme, imagino. Mas descarregarem tu isso para cima dos outros, como se eles fossem os culpados.
          Isso é demência, pá. Trata-te!

          • Rui Naldinho (partilha) says:

            Corrijo-me:
            Mas descarregarem tu isso para cima dos outros, como se eles fossem os culpados, não.

  10. Luís says:

    Era uma vez uma história de um incêndio que começou em 1985, quando se deu uma ignição provocada pelo Cavaco, com o abandono da agricultura, que teve várias projecções ao longo dos anos, (como por exemplo a floresta ao serviço das celuloses), e que no ano de 2017 originou o recorde de várias dezenas de mortes.
    Tudo isto apesar de luta firme da Maria da Fonte Cristas e “sus muchachos” que tudo fizeram para que esta catástrofe não sucedesse, como por exemplo, abrirem um corta fogo com o abate de mais de um milhar de sobreiros e de terem rezado muito.

    No fim a culpa é do António Costa.

  11. JgMenos says:

    A esquerdalhada no seu melhor:
    Defender o indefensável, é o seu orgulho!
    Mascarar a realidade, o padrão que os distingue!
    Lambe-cus de chefinhos, é talento comum!
    Tretas incoerentes, chamam-lhes dialética!
    Juntam-se em corais imbecis, e assim se dizem solidários!
    E sempre gritam o quanto de horrível é não ser um deles!
    E tudo mais…é direita extrema.

    • ZE LOPES says:

      A direitolhada no seu melhor:
      Defender o indefensável, é o seu orgulho!
      Mascarar a realidade, o padrão que os distingue!
      Lambe-cus de chefinhos, é talento comum!
      Tretas incoerentes, chamam-lhes ciência!
      Juntam-se em corais imbecis, e assim se dizem liberais!
      E sempre gritam o quanto de horrível é não ser um deles!
      E tudo mais…é esquerda extrema.

    • ZE LOPES says:

      Gostou? É da minha autoria!

      Aliás, não sei se sabe de onde vêm os termos esquerdalho e direitolho. É de um ditado popular. Diz o povo:”onde o de esquerda põe o (..)alho, o de direita põe o olho!

      Não sou eu que digo! É o povo!

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