Y ahora Rajoy?


Verdadeiramente ninguém terá ganho esta eleição, mas Rajoy perdeu em toda a linha. O Ciudadanos foi o partido mais votado nas eleições da Catalunha, obteve 25,4% dos votos, passando a ser o vencedor com menor votação em termos históricos na Catalunha em eleições autonómicas. Muito previsivelmente Inés Arrimadas nem conseguirá formar governo.

Alcançando o segundo lugar, Carles Puidgemont liderando a coligação Juntos pela Catalunha poderá voltar a governar, caso Madrid o permita, porque existe a possibilidade de ser preso, mas precisará renovar uma coligação independentista com a esquerda republicana e com os radicais da CUP, que também teve um mau resultado, passando de 10 para 4 deputados, sem os quais não será possível formar maioria independentista. Este últimos pretendem seguir a via da unilateralidade no processo de independência, ao passo que a ERC e Carles Puidgemont preferem o diálogo, rejeitado por Madrid. E aqui existe um problema, em número de votantes os partidos independentistas tiveram menos votos que os unionistas, mas 51,7% contra 48,3% ninguém poderá afirmar com absoluta certeza qual será o resultado do referendo, caso venha a ser convocado. É prematuro afirmar que a Catalunha quer ser independente, mas o número de independentistas tem vindo a crescer, facto a que não será alheia a desastrosa política de Madrid protagonizada por Rajoy.
Certo é que a Catalunha está praticamente dividida ao meio e não poderá ser governada, excepto por coligações que seriam consideradas contra-natura. Muitos apontam ao campo independentista, porque direita, esquerda republicana e extrema-esquerda se juntaram para formar governo. Esquecem no campo oposto para pensarmos que o Ciudadanos teria uma ténue hipótese, precisaria incluir os socialistas catalães, Cat si Podemos e PP, o que seria ainda mais difícil, porque a única ideia que os une é a manutenção da Espanha, embora o Podemos até admita um referendo.
Mariano Rajoy foi o grande derrotado, viu o PP reduzido à mínima expressão eleitoral com apenas 3 deputados e com o crescimento do Ciudadanos na Catalunha corre o risco de ver Albert Rivera tomar para si a liderança da Direita espanhola, colocando o PP numa posição de partido de apoio. Daqui em diante para Rajoy será sempre a descer e não vislumbro grandes possibilidades, por um lado dialogar com Puidgemont será visto no seu campo como derrota, por outro mandar prender quem concorreu em eleições livres e justas, nunca poderá ser visto com bons olhos pela maioria da população. O tempo corre a favor da Catalunha independente e apenas o PSOE ou Ciudadanos o podem impedir, mas para isso seria necessária uma nova postura em Madrid, algo impensável com o actual governo, que já vai afastando o cenário de eleições antecipadas em Espanha. E agora Rajoy?

Comments

  1. Toto cotunho says:

    O partido Ciudadanos é uma moda que se vai diluir com o tempo, na minha opinião. Aguardemos.
    Neste momento é o refugio da direita, iremos ver se tem estruturas para se aguentar

  2. Rui Naldinho says:

    Perante uma amarga derrota dos Constitucionalistas, não tanto pelos números, mas muito mais pela forma como tentaram cercear a democracia na Catalunha, perante a conivência de Socialistas e mesmo do Podemos, a pergunta que se coloca, será sempre:

    – Terá Rajoy condições para se manter no poder sem ir de novo a votos?

    – Será a Espanha uma verdadeira democracia, com uma justiça toda ela politizada, pior anda, com laivos de um Franquismo enraivecido, depois da forma como tentaram em vão condicionar o voto catalão, como perseguições, presos e ameaças económicas?

    É óbvio que quarenta anos depois da “queda” da ditadura franquista, será que ela caiu mesmo (?) – o que vemos é uma nação dividida, e desengane-se quem pensar que é só a Catalunha partida ao meio. O aparecimento do Ciudadanos e do Podemos foram num passado recente o primeiro sinal que ninguém quis ver, dessa divisão entre institucionalistas, quase todos corruptos, onde nem o PSOE foge à regra, da qual o PP é o seu mais “ilustre signatário”, e uma sociedade farta deles, com excepção da carneirada do costume.

    Hoje, os principais matutinos castelhanos, o EL PAIS e o EL MUNDO estão quase mudos sobre o assunto que mais preocupa Madrid, a Catalunha, muito mais preocupados com o EL GORDO do que com os resultados na região autonómica, o que demonstra bem como estes jornalistas avençados trabalham para uma realidade criada artificialmente pelos seus próprios mandantes, e não para a realidade que se nos depara pela frente, e que goste-se ou não é incontornável.

    A Espanha mostrou mais uma vez ao mundo como a democracia, para certa gente, é uma valente chatice.


  3. Não partilho a ideia de que não houve vencedor nesta eleição. Efectivamente e sem margem para dúvidas, ganhou o bloco que deseja a independência. Para tanto, basta ver os números. A questão que agora se põe – admito que seja por isso que faz a afirmação – é como os partidos e as formações que conseguiram, em conjunto, esta vitória se irão comportar. Uma coisa é certa, apesar das divergências de opinião que poderão subsistir neste processo: Castela e os castelhanos perderam e a Catalunha e os catalães merecem agora o seu 1640 – que a Restauração Portuguesa de então, lhes negou.

    • Rui Naldinho says:

      Castela já há muito que perdeu catalães e bascos, para uma verdadeira República Federal, tal como ela existe hoje na Alemanha. Perdeu-os por ignorância, tacanhez e preconceito ideológico, próprio das ditaduras. Começou a perde-los durante a Guerra Civil e nos fuzilamentos em massa que se lhe seguiram.
      Os Espanhóis vivem obcecados com o “Síndrome da Portugalidade”, do qual resultou o aparecimento deste “pequeno recanto, chamuscado neste Verão, à beira mar arborizado”. E não fosse a História ser o que é, e já a Catalunha a par do País Basco se tinham tornado independentes há mais de setenta anos.
      Os espanhóis nunca compreenderam que há mais Espanhas do que Castela. E isso tolda-lhes o raciocínio. Caricato é ser a Galiza o patronato dos Falangistas do regime.
      Se olharmos para o resultado eleitoral do PP Catalão, e nos deixarmos de devaneios intelectuais estéreis, como aconteceu por exemplo, ontem, na Quadratura do Circulo, com Jorge Coelho e Lobo Xavier, dois mamões da teta castelhana, mas há mais artistas destes a tentar reescrever os factos que saltam á vista de todos, o direita retrógrada e franquista foi corrida da Catalunha a sete pés.
      Se somarmos aos independentistas o resultado do Podemos, na região, vir “clamar” que os apoiantes da independência perderam apoios, só mesmo de um caolho.

      • Paulo Marques says:

        «vir “clamar” que os apoiantes da independência perderam apoios, só mesmo de um caolho.»

        É o campo de distorção da eurolândia, faz mal à vista política.

      • Carlos Almeida says:

        Os castelhanos durante mais de 500 anos, nunca conseguiram de maneira harmoniosa integrar na sua Castela os diferentes povos da Ibéria. Tentaram com Portugal e foram repelidos. Os outros povos foram “integrados” de maneira mais ou menos administrativa, uns de maneira mais conseguida, como Leão por exemplo, talvez por estarem na vizinhança de Madrid, mas outros a integração é limitada. Talvez porque os outros povos sabem que se Castela não tivesse a capital Madrid era uma região mais pobre do que as outras.
        Da minha pouca experiência, os castelhanos são arrogantes e convencidos em comparação com outros povos de fala espanhola e o comportamento do PM de Espanha neste complicado caso é a prova disso mesmo.
        De qualquer modo o radicalismo de parte da Catalunha, também não levará a nada de bom, antes pelo contrario. São muitas centenas de anos de statuo quo que permitiu a Castela ganhar bases de apoio na população da Catalunha. Não vai ser fácil os catalães se libertarem dos Castelhanos ou pelo menos da sua hegemonia.


        • …” os castelhanos são arrogantes e convencidos em comparação com outros povos de fala espanhola e o comportamento do PM de Espanha neste complicado caso é a prova disso mesmo. … ” »» um pequeno pormenor, não desvalorizando o seu comentário, Carlos Almeida : o PM de Espanha, Rajoy; é galego e não castelhano ! : )

          • Carlos Almeida says:

            Boas Isabela

            Obrigado pela correcção. Pensei que o PM Espanhol fosse castelhano, mas é galego:
            Da Wikipedia: Mariano Rajoy Brey (Santiago de Compostela, 27 de março de 1955)
            As minhas desculpas pelo engano.
            Mas Mariano “está bem acompanhado” nas figuras de direita que chefiaram Castela/Espanha

  4. Paulo Marques says:

    Obviamente, demita-se. Com o franquista nunca vai haver diálogo.


  5. Mais importante ainda será sublinhar que os Partidos Pró-referendo somam 55% dos votos, já que a plataforma Comú-Podem não sendo Independentista sempre se mostrou favorável à realização dum referendo pactado.
    Estou convencido que se tivessem admitido a realização dum referendo sobre a Independência em devido tempo o Não ganharia, mas como sempre os políticos têm mais medo dos eleitores do que o “diabo da cruz”. Com esta intransigência, principalmente do PP, ajudaram a alimentar uma retórica independentista que como se viu ontem criou raízes bastante profundas na sociedade catalã.

  6. Joam Roiz says:

    Se quiserem ver bem as coisas, a dita Europa (União Europeia) não vai lá das canetas. A Espanha, mais cedo ou mais tarde, acabará por se esfrangalhar. O Reino Unido já foi. Na França, aposto que Macron é um epifenómeno. Na Alemanha, os nacionalistas/neo-nazis crescem a olhos vistos. Na Holanda e na Bélgica joga-se um equilíbrio instável entre diversas as regiões. A Hungria e a Áustria, onde a extrema-direita já manda, estão-se a borrifar para as regras da União. No caso da Polónia, as ameaças de Bruxelas não passam de um faz de conta para inglês ver. Com as coisas neste pé, gostava que me explicassem bem explicadinho como se vai construir uma Europa Federal e, principalmente, democrática. Na minha opinião, isto vai acabar tudo à batatada.

    • Rui Naldinho says:

      Mesmo com algumas figuras de estilo, eu subscrevo o seu texto. A ideia da batatada é até generosa, da sua parte, demonstra mesmo bastante elegância, pois se na Ucrânia, aquilo é mais ao tacão e à cadeirada. Eu sei que a Ucrânia não da parte da UE, mas a UE cada vez se parece mais com a Ucrânia.

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