Nazaré, 2017

Esta é a paisagem exacta, grandeza com medida de gente, beleza feita de natureza e povo. Num só olhar enchemos a alma. Há mar, serra, céu, casas que sobem as colinas com uma doçura ancestral. Nada é infinito e esmagador, nada é insignificante. Nada fica inatingivelmente longe, nada é intrusivamente perto. Nada é abismal no que é natural, nada é desmesurado no que é humano. E algo tem de haver nas coisas em si para que surjam tão belas aos nossos olhos. Não sei o que é. Sei que tudo tem a exacta distância, a rigorosa dimensão. Até a neblina se espalha sobre a paisagem como se cuidasse manter as proporções do conjunto. Sentimo-nos no preciso ponto a meia distância entre o céu e a terra. Tudo está no seu lugar. Só o voo das gaivotas pode desenhar livremente sobre a paisagem, mas nem ele transgride os seus limites; como se elas soubessem.

Postcards from Greece #57 (Kavála)

«Where are you from?»

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deve ser a pergunta que mais vezes me fazem, na Universidade, nos cafés, nos restaurantes, nos táxis, na rua se calho em perguntar alguma direção a alguém. Quando digo «Portugal» a reação costuma ser bastante boa, ao contrário do que acontece quando viajo para países do norte e centro da Europa. Não quer dizer que aí seja má, mas é um bocado menos entusiasmada, digamos assim. Hoje, por exemplo, perguntaram-me três vezes de onde sou. A primeira foi uma senhora que estava a tomar chá no café onde tomei o pequeno almoço. Ao ouvir-me pedir o que queria, sem mais nem menos perguntou-me de onde era. A seguir se era a primeira vez que estava na Grécia e depois mais não sei o quê. Ou seja, em vez da indiferença com que geralmente somos brindados – bom, pelo menos em geral, não quer dizer que seja sempre assim – nos países mais centrais da Europa, aqui as pessoas interessam-se. Como o rapaz do hotel – outro hoje, não o que hasteou a bandeira portuguesa ontem à tarde – que quis saber o que é que eu estava aqui a fazer, se Espanha e Portugal falam a mesma língua, qual era a equipa de futebol da minha cidade (esta é recorrente, especialmente se são homens, hoje perguntaram-me isto duas vezes), etc., etc. Ou o taxista que me trouxe da estação de autocarros aqui em Salónica, onde já estou há um par de horas, que queria saber tudo e um par de botas, me falou de Cristiano Ronaldo com enlevo e do Fernando Santos (?) que parece que é o treinador de um clube grego qualquer de que ele é adepto. E também quis, claro, saber o qual era o clube da minha cidade. «Beira Mar» respondi eu. E, mais uma vez, me espantei, como antes de outras vezes. Ele conhecia! Talvez deva aprender mais sobre futebol, mas bom, eu até há uns 4 ou 5 anos desconheia quem era o Messi, por isso, saber que o Beira Mar é a equipa de Aveiro, digamos que já é qualquer coisa.
 

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Os jornalistas avençados pelo saco azul do GES estão de regresso ao Expresso

RSalgado

Fotografia via Jornal de Negócios

Há muito muito tempo, numa galáxia longínqua, um grupo de jornalistas destemidos expôs um complexo esquema de evasão fiscal, envolvendo figuras de topo da política e dos negócios, práticas ilícitas e sociedades-fantasma offshore. O Expresso e alguns dos seus jornalistas estiveram envolvidos na investigação desde o primeiro momento.

Com o caso nos jornais e alguma indignação momentânea na sociedade civil, decapitaram-se por cá duas ou três cabeças secundárias, oferecidas em sacrifício ao Deus do dinheiro fácil obtido pela via da pulhice, até ao dia em que o Expresso abriu uma caixa de pandora ao noticiar a existência de uma lista de jornalistas avençados por um saco-azul do GES, com o propósito de comprar cobertura noticiosa e/ou opinativa favorável aos interesses de Ricardo Salgado e restantes membros da corte. [Read more…]