Em Janeiro de 2018, os factos continuam suspensos

Os pássaros quando morrem

caem no céu.

José Gomes Ferreira

Frege’s statement “the concept horse is not a concept” simply means: “the property of horseness is not itself an ascription of a property”; or to put it even more clearly in the formal mode: “the expression “the property horseness” is not used to ascribe a property, rather it is used to refer to a property”.

John Searle (cf. What Things Really Exist?)

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Efectivamente, o Acordo Ortográfico de 1990 começou a ser adoptado no Diário da República em 2 de Janeiro de 2012 (o dia 1 de Janeiro é feriado) e a circunstância detectada em 2 de Janeiro de 2018 (como, aliás, acontecera exactamente um ano antes) foi a seguinte:

Isto é, a suspensão dos factos mantém-se.

A suspensão dos contactos, por seu turno, encontra-se extremamente activa no jornal da resistência silenciosa. Eis um pequeno exemplo dessa prática tão habitual (os meus agradecimentos ao sempre atento e excelente leitor do costume).

Continuação de um óptimo 2018.

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O Tributo

A pesca do Leviatã com a vara dos sete elementos da tribo de Jessé, tendo por isco o crucifixo.Herrad Von Landsberg, Hortus delicarum (c.1180)

A propriedade do súbdito não exclui o domínio do soberano, mas apenas o de outros súbditos.
T. Hobbes, Leviatã

Em teoria, as pessoas pagam impostos para financiar o funcionamento do Estado e assegurar os serviços públicos que ele presta. Mas se o Estado presta cada vez menos serviços, por que motivo continuam as pessoas a pagar (cada vez mais) impostos?

Parece um paradoxo, mas na realidade não é.

É que as pessoas não pagam impostos. Pagam um tributo (Autoridade Tributária) ao Soberano que, por sua vez, detém e domina o Estado. Esse Soberano é uma elite de cidadãos à qual não se aplicam as regras do Estado de Direito Democrático, pois está acima dele, dos seus poderes e das suas instituições.

Ninguém, com efeito, pode alguma vez transferir para outrem a sua potência e, consequentemente, o seu direito, a ponto de deixar de ser um homem. Nem tão pouco haverá soberano algum que possa fazer tudo aquilo que quer.
B. de Espinosa, TT-P

O Braga – Benfica é já no Sábado

Porque o email e o telefone não são aconselháveis para estes assuntos e neste contexto, Luís Filipe Vieira decidiu tratar presencialmente «DO ASSUNTO» com o presidente do Braga.

Livros censurados que não indignam os paladinos da neoliberdade

via DN

Alguém viu por aí os omnipresentes spin masters da direita alternativa portuguesa? É que já passaram três dias desde que Donald Trump decidiu mexer os cordelinhos para censurar um livro e por cá nem um pio dos paladinos da neoliberdade. Cá para mim estão é a adorar ver o milionário-presidente atiçar os advogados contra Michael Wolff, enquanto o presidente-milionário usa a sua posição para impedir a venda do livro. E haverá coisa mais bela que um predador capitalista que se transforma no presidente da superpotência global, que vê o mundo com os mesmos óculos que o pior de Wall Street e da banca sem princípios e que cospe nos direitos humanos e nas liberdades fundamentais com a arrogância de quem se acha um Deus na Terra? Já dizia o bom velho Passos que nunca tinha embarcado na ideia de que Trump era tão mau que tinha de sair derrotado. É natural que os seus súbditos não se indignem com as blasfémia.

Postcards from Greece #40 (Néoi Epivátes)

‘It’s a different kind of happy…’

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Estive muito tempo sem escrever postais, o Natal e isso e o facto de não ter sempre histórias para contar e, por incrível que pareça a quem me conhece, não ter sempre alguma coisa a dizer. De qualquer maneira o postal número 39 foi há imensos dias e hoje é um dia tão bom para escrever o postal 40 (que, na verdade deveria ser o 59) como qualquer outro. Foi bom reencontrar Salónica onde a deixei, seja como for, ontem, após uma viagem cansativa, como quase todas. A única coisa de que não gosto muito quando viajo é da deslocação de um lugar para o outro. Já o disse de outras vezes, noutros postais de outras viagens, que deveríamos ter acesso ao tele-transporte, a uma lâmpada de Aladino, a um anel especial ou um botão em que carregaríamos quando nos apetecesse mudar de ares ou quando tivéssemos de visitar outras paragens. Perde-se muito tempo entre aviões, comboios, táxis autocarros. E, na maior parte dos casos, é isso mesmo que sentimos: que perdemos tempo.

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