Legislar contra a greve e contra a Educação

O ministério da Educação, independentemente dos governos, tem como único objectivo reduzir a despesa. Graças a essa obsessão, o edifício educativo público do país tem vindo a ser sistematicamente destruído desde 2005, devido a uma colaboração frutuosa entre gente de ideologias aparentemente diferentes.

Os professores têm sido roubados por todos os governos e, na minha opinião, protestam pouco e mal, permitindo que se lhes veja o cu. O governo prepara-se para manter o roubo de tempo de serviço, mesmo após uma greve gigantesca.

Nada preocupado com os professores, o governo procurou sempre encontrar meios de limitar o exercício da greve, tendo chegado ao ponto de transformar provisoriamente os conselhos de turma em órgãos administrativos, quando eram aquilo que deveriam ser: reuniões de natureza pedagógica.

No querido mês de Agosto, mês da predilecção do ministério da educação, saiu, então, uma portaria que torna definitiva essa alteração. Desta maneira, consegue-se retirar aos professores a possibilidade de voltarem a recorrer à greve às avaliações e desvaloriza-se um órgão pedagógico. Faz sentido: democracia e Educação não são prioridades do ministério.

Entretanto, no futuro, os professores só poderão fazer greve prolongada às aulas. No dia em que isso acontecer, os alunos serão verdadeiramente prejudicados, ao contrário do que aconteceu até agora. São opções.

Comments


  1. Quem não protesta, são os trabalhadores do privado como eu! 35h no público? Nada contra. Desde que todos os trabalhadores trabalhem as mesmas horas e tenham direito às mesmas férias. Afinal não devemos ser todos iguais perante a lei?

    1 hora a menos por dia são 5 horas por semana. Num mês são 20 horas (ou 21 ou 22). Em onze meses são no mínimo 220 horas o que corresponde a 27 dias. Logo, há trabalhadores a trabalhar um mês a mais por ano!!

    Alguma manifestação de trabalhadores do privado em prol da igualdade? Algum partido empenhado nisso? Algum sindicato a mobilizar os trabalhadores do privado? Alguém fala nisso? Não! Ninguém! O povo é sereno. E corno manso.

    Ironicamente só vejo os privilegiados da sociedade a fazer greve: São pilotos que devem ganhar muito mal ; é a malta da CP; são os médicos (classe que mais rouba); são os enfermeiros; até os juízes fazem greve!

    O pessoal de longe mais prejudicado, e que piores salários recebe, vive caladinho. É a vida, pá!

    • Paulo Marques says:

      Os trabalhadores do privado não fazem greve, põem-se a andar e quem fica que cubra o buraco. Bem, do privado e do público… os partidos não podem sindicalizar ninguém, mas podem aumentar-lhes o ordenado, reduzir a precariedade, reestabelecer as férias e os feriados, dar-lhes possibilidade de não deixar os filhos ao abandono…
      Agora, a CP fazer greve do Pendular no meio de Agosto (ontem), que tristeza!

  2. Professora says:

    «Os professores têm sido roubados por todos os governos e, na minha opinião, protestam pouco e mal.» – absolutamente de acordo.
    Cada novo governo tenta sempre diabolizar a classe, investindo apenas na desinformação, que isto de investir na educação é desperdício (ainda por cima os professores são muitos, o que é rentável é extorqui-los…).
    E, como se vê por estes comentários, ninguém sonha a quantidade de horas a mais que um professor trabalha. É verdade que a culpa é nossa, podíamos recusar-nos a ir além das 35 horas, fazendo os mínimos. Contudo, a razão de ser do nosso trabalho são os alunos e, felizmente, somos muito mais humanos e profissionais do que os nossos políticos, que querem lá saber das pessoas que deveriam servir.
    Isso não deveria ser pretexto, porém, para nos explorarem e desrespeitarem da forma que têm feito.
    Obrigada, António Fernando Nabais, por ir dando voz a uma classe profissional que se tem sentido amordaçada.


    • Resumindo a redacção: são otários!

    • JgMenos says:

      Chamar roubo a limitar mordomias conquistadas a grito e a caos nas escolas é puro acerto de contas.

      • ZE LOPES says:

        E uma prova do que V. Exa. tão doutamente afirma é o facto de um dos maiores problemas dos professores serem as doenças do aparelho fonador!

        Conheço um que gritou tanto que ficou com rouqidão crónica. mas conseguiu mordomias impressionantes: nada menos que 365 dias de férias! Foi pena só lá ter chegado aos 70 anos, mas compensou!


  3. os professores só poderão fazer greve prolongada às aulas. No dia em que isso acontecer, os alunos serão verdadeiramente prejudicados“… esta não dá para entender!

    • António Fernando Nabais says:

      Nesse caso, explico: a manter-se o que está em vigor, as greves aos exames e às avaliações deixarão de fazer. Assim, sobrarão apenas as greves às aulas, as únicas que prejudicarão verdadeiramente os alunos, que ficarão privados de aprender.

    • ZE LOPES says:

      Não se preocupe! Não entender é umano!

  4. Luís Lavoura says:

    após uma greve gigantesca

    Disparate. Quantos dias de salários de quantos professores foram perdidos na “greve gigantesca”? Muito poucos – os professores revezavam-se na greve por forma a maximizar os seus efeitos práticos com poucos grevistas efetivos.
    Poucos dias de greve foram efetivamente feitos. Os efeitos foram grandes em prejuízo para a sociedade, mas pequenos em prejuízos salariais para os senhores professores.
    Foi uma greve cobarde.


    • Essa adjetivação é um bocado pró populista.
      Porque então diga-me lá, alguma greve consegue alguma coisa se não implicar que alguém sofra com ela? Por essa perspetiva então todas as greves são “cobardes”! Só o que não é cobarde é a exploração de mão-de-obra, essa é sempre legal!

      Como as férias. Até a merda das férias é quando o patrão quiser, o que é fantástico! Temos essa enorme benesse de gozar 22 dias de férias (que já foram 25) mas ainda assim temos férias quando mais der jeito aos patrões!

      Como digo, escravocracia.

    • António Fernando Nabais says:

      Portanto, uma greve só é justa se empobrecer os grevistas. Nos países em que há sempre fundos de greves, aquilo é uma cobardia que tresanda. E as greves só se podem fazer se não incomodarem ninguém. E os direitos dos trabalhadores não têm importância nenhuma. E o facto de profissionais se revezarem a fazer greve prova que a adesão foi fraca. E uma greve que durou quase dois meses é pequenina, independentemente de ser cobarde. Tem razão, Luís “bardamerda” Lavoura.

      • JgMenos says:

        Vai-te catar nabais!

        Um bando de privilegiados que só fazem greve pela nota e pela irresponsabilidade, nunca pela profissão ainda que a vejam desprestigiada e sujeita a todo o experimentalismo idiota.

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