O suicídio virtual do homofóbico fanfarrão

Era uma vez um homofóbico, de seu nome Emmanuel de Preval, que tinha uma empresa de distribuição de bebidas para eventos de grande dimensão. Um certo dia, a empresa de Emmanuel recebeu uma encomenda, no valor de 3.800€, para fornecer uma festa que teria lugar após um jogo de hóquei, integrado nos infames Gay Games, que decorriam em Paris.

Apercebendo-se da natureza pecadora dos seus novos clientes, o que fez Emmanuel, o homofóbico? Terá imediatamente recusado satisfazer o pedido, fazendo desta forma jus às suas convicções? Nada disso. Emmanuel aceitou o pedido, gozou com os clientes no Twitter e, alegadamente, terá entregue o montante à organização La Manif Pour Tous, uma associação homofóbica que também se dedica a outras formas de discriminação, como o racismo.

O que sucede? Sucede que o tweet fanfarrão do indivíduo, que podem ver em cima, foi detectado antes da encomenda chegar, levando ao cancelamento da mesma. A indignação foi tal que, imediatamente, vários tweets homofóbicos do nosso homofóbico foram desenterrados, inundando as redes sociais com inúmeros protestos e incitações ao boicote da empresa de Preval, que fornece eventos como Roland Garros ou a Feira Internacional de Arte de Paris, e as consequências deste momento de fanfarronice homofóbica poderão resultar numa pesada factura para o negócio do Sr. Preval, que se arrisca agora a perder alguns dos seus principais clientes. Talvez desta forma, o fanfarrão homofóbico aprenda que, nos dias que correm, negócio algum subsiste quando se desrespeitam e discriminam os seus potenciais clientes. Quem com redes sociais mata, com redes sociais morre.

Comments


  1. Velhos tempos que “não havia má publicidade”.
    Hoje em dia parece que já não é bem assim.

  2. António de Almeida says:

    João, estive para escrever a propósito deste tema, após o Supremo Tribunal estadual ter revertido a condenação (bem a meu ver), do pasteleiro que recusou criar um bolo de noivos para um casal gay. O fundamento baseou-se na impossibilidade de obrigar um artista, um criador de bolos exclusivos também é um artista, a criar uma obra contra as suas convicções. E apenas aí a minha concordância.
    Um dia geri um negócio que tinha espaço físico, a primeira coisa que fiz foi retirar sapos das montras (estavam lá para afugentar ciganos, e acredita que nem pensei na questão da discriminação, dinheiro é dinheiro e venha ele de quem vier, eu aceito e passei essa mensagem…), para mim todos os clientes são iguais e importantes.
    Mas aceito que por exemplo um artista que faz velas com santos católicos, não queira fazer velas para budistas. Pablo Picasso nunca pintou para os nazis. Poderia dar outros exemplos, mas cada caso é um caso e cada um faça o que lhe aprouver. O sr. Preval teve o que mereceu, seguramente o que cultivou…

    • Paulo Marques says:

      Uma coisa é não fazer um produto diferente para um cliente, outra é não fazer um produto igual por preconceito/ódio.

  3. JgMenos says:

    Tanto coirão desconfortável na sua pele, que se ajuntam em gangs para melhor se acomodarem ao destino.

    Mas logo se põem a balir «coitadinhos de nós que somos minorias».

    A esquerdalhada, que que já não sabe onde pára a maioria proletária, a toda a gangada dá cobertura, que onde há lamentos há esquerda, e onde esquerda há as lutas são necessariamente progressistas.

    Perseguir quem lhes desafie as crenças continua a ser a mais nobre das lutas, treinamento indispensável para que, num dia entre todos o mais exaltante, possam constituir-se no gangue dos ‘queridos líderes’.

    • Paulo Marques says:

      Já quem desafie a crença cristã (que nem é isso que defende, mas tá bem), não come.

    • ZE LOPES says:

      Comovente! Desde a primeira de S. Paulo aos Coríntios que não se lia epístola tão bela!

    • ZE LOPES says:

      Esta parte é particularmente pungente:

      “Tanto coirão desconfortável na sua pele, que se ajuntam em gangs para melhor se acomodarem ao destino.”

      Pura poesia! É a viva expressão de um Menos que, ciente da sua solidão, não desistiu ainda de procurar o seu semelhante, apesar do desconforto que o assalta, para que o destino lhe não seja incómodo. Oxalá a sua peregrinação interior lhe permita finalmente juntar-se aos seus congéneres.

    • José Peralta says:

      Ó “menos” confessa !

      “Destes” ´é que tu gostas…

      https://www.facebook.com/ExpressMagazineDigital/videos/2003595226327767/

  4. JgMenos says:

    Evidentemente a cambada finge ignorar que o homem não recusou fornecer os LBG; mas a cambada não admite que forneça a outros o que bem lhe pertence.

    Fascistas de combate!

    • Paulo Marques says:

      Empreenda, Menos!


    • Pá, ó menos. Gozar com os clientes não é uma boa politica empresarial.

    • ZE LOPES says:

      Menos… uma canção do nosso salazaresco folclore:

      Foi o Menos ao cemitério,
      (ai, solidão, solidão!)

      A fazer mais um biscate!
      (ai, ai-ai, ai-ai!)

      Levantou-se um morto e disse:
      (ai, solidão, solidaão!)

      Sou “fascista de combate”!
      (ai, ai-ai, ai-ai!)

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