Este país não é para democratas

Ainda sou do tempo em que jornais livres e imparciais dedicavam grande parte das suas páginas virtuais a alertar os portugueses para o perigo da ameaça estalinista que pairava sobre o nosso país. Do tempo em que o Diabo havia de subir à Terra, só não se sabia bem quando. E ninguém lhes prestou atenção, como as sondagens (manipuladas, claro) iam mostrando.

Três anos e vários apocalipses depois, já com a população portuguesa reduzida a metade, na sequência das grandes purgas comunistas que vitimaram conservadores, liberais, membros do clero, proprietários de colégios privados, dirigentes da CIP e cronistas do Observador, a catástrofe é visível. A fome e o desemprego proliferam, a polícia política encarcera todos os Camilos Lourenços que apanha e os impostos levam cerca de 90% dos rendimentos dos portugueses, que fazem fila à porta do supermercado para comprar um quilo de arroz por valores exorbitantes. 

Do lado de lá da fronteira, onde a gasolina é mais barata e o Franco ainda está no Vale dos Caídos, aqueles que conseguem escapar amontoam-se em campos de refugiados. Aí, contam ao mundo os horrores do regime totalitário que se instalou no nosso país, onde a censura e a tortura são hoje práticas comuns. Aí revelam a perseguição religiosa, a profanação e destruição de igrejas, os homicídios que se sucedem nos hospitais, onde a eutanásia se transformou em instrumento de genocídio, e a banalização do aborto, com jovens de 9 anos a abortar em média quatro vezes por ano. Aí apelam a uma intervenção externa que acabe com a brutalidade, que devolva os crucifixos às paredes das escolas primárias e que acabe com os subsídio-dependentes, excepto no caso em que os dependentes são colégios de betos, onde se faz batota para aumentar artificialmente a média de acesso ao ensino superior.

Entretanto, numa realidade paralela sem nexo, uns maluquinhos de uma organização sem credibilidade afirmam que Portugal é o 10º país mais democrático do mundo, num estudo que abrangeu 201 países. Um estudo comunista, claro está, que fechou os olhos ao totalitarismo soviético que asfixia Portugal, que ignora os presos políticos e o bombardeamento nuclear do qual foi alvo a redacção do Observador, e que não viu os milhões de sem-abrigo que deambulam pelas ruas do nosso país, porque o regime os empilhou em armazéns no dia em que a delegação da V-Dem por cá passou. Um autêntico Inferno, que ainda por cima não é apresentado pelo Aurélio Gomes. Nem pelo Tio Cláudio. Nem pela Cátia Domingues. Só neoliberais, freiras e forcados amadores a arder. Se ao menos fosse numa fogueira da Santa Inquisição…

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Ao olhar para o quadro pensei estar perante a representação da última ceia de Cristo. Abri bem os olhos, levantei as pestanas como a ponta dos dedos, e só então percebi que não era nenhuma cena bíblica. Ali não estão doze apóstolos, mas apenas onze comunas.
    Percebo agora a razão pela qual a Geringonça nunca teve uma ceia a quatro, e se reuniram sempre em separado. Ou melhor, a dois.
    Uns maricas!

  2. JgMenos says:

    Levaram nos cornos a tempo, os democratas da ‘Verdadeira Democracia’.
    Tiveram a sorte de ter sido com demasiada brandura.

    • ZE LOPES says:

      A brandura foi uma estratégia bem sucedida! Não faltam provas disso. A mais evidente é o Vladimir Putin: levou nos cornos com brandura e emendou-se logo! Aquilo agora, lá nas Rússias, é uma beleza!

      Ou o Abramovich! Era um comunão do caraças, levou nos cornos e agora anda de iate por esse mundo fora, como um gajo decente.

      Já para não falar dos chineses! Levaram nos cornos e…continuaram comunistas,.. mas muito, muito, nossos amigos!

  3. A culpa é do diabo que não veio…

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