A Comissão Política Distrital de Santarém do PSD já pediu desculpa por esta pouca-vergonha?

Fanatismos e preconceitos à parte, esta publicação da página oficial no Facebook da Distrital de Santarém do PSD contém uma mentira facilmente descortinável e aparentemente deliberada. Facilmente descortinável porque Isabel Moreira não disse que Graça Fonseca foi nomeada por ser lésbica. Não disse, não escreveu, nada. Aparentemente deliberada porque, apesar de alertada para esse facto, o da mentira, a a Comissão Política Distrital de Santarém do PSD não corrigiu a publicação original. Sinal que corrobora esta mentira.

Importa esclarecer algo que, pelo menos a mim, me parece muito relevante. Esta página é um meio de comunicação oficial da Comissão Política Distrital de um dos principais partidos políticos portugueses. Um partido ao qual, apesar das controvérsias que envolvem todos os partidos (uns mais do que outros, como aqui se vê), se reconhece credibilidade enquanto instituição. Elaborar um exercício de manipulação da opinião pública escalabitana, atribuindo declarações absolutamente falsas a uma deputada de outro partido, que se recusam a corrigir, para de seguida lamentar profundamente que a orientação sexual tenha sido critério de escolha de Graça Fonseca para a pasta da Cultura, é atirar voluntariamente o nome da Distrital de Santarém do PSD para a lama. Chega a ser bizarro.

Acontece que, para os sectores mais homofóbicos, machistas e fundamentalistas da direita que temos por cá, Isabel Moreira é um alvo a abater. Aliás, reúne todas as qualidades para isso: é mulher, é bem-sucedida, é feminista e, Nosso Senhor Jesus Cristo valei-nos, bate-se pelos direitos da comunidade LGBT. E isso enerva muitos machos latinos por esse país fora. E nem se trata aqui de quem é a deputada ou as causas que defende. Podia ser um deputado do PAN a defender Pandas ou um outro do CDS a defender a Igreja Católica. O que está aqui em causa é a utilização deliberada de uma mentira para um ataque de natureza política, com um ligeiro aroma a homofobia. Tão simples e vergonhoso quanto isto.

Se os líderes ou militantes da Distrital de Santarém do PSD querem mandar umas postas de pescada nas suas contas pessoais, estão por sua conta e risco. Usar a página da Comissão Política Distrital de Santarém do PSD, um órgão eleito com responsabilidades relevantes no seio do partido, que representará, imagino, algumas centenas de militantes, é um embaraço de todo o tamanho. É vergonhoso e ridiculariza um partido com pouca margem para erros, quanto mais para infantilides imbecis. Lembrem-se disto da próxima vez que ouvirem dizer que o PSD está como está por causa de Rui Rio.

Comments

  1. Manuel Silva says:

    Há muito tempo que o PSD foi tomado, em boa parte, por um grupo de fanáticos fundamentalistas do Liberalismo predador. O Rio é um epifenómeno reactivo que será varrido, em breve, por esta gente. Há uma mudança geracional no PSD de que muitas pessoas ainda não aperceberam.
    Esse grupo tem uma central de onde emanavam as orientações políticas do PSD no tempo da Troica, que é composta por 4 cromos:
    José Manuel Fernandes (o fiscal da armas de destruição maciça no Iraque, esteve lá, contou-as todas, apesar de não existirem, e, por isso, escreveu editoriais inflamados no Público, apelando à invasão: vemos agora o resultado no Iraque e no Médio Oriente.
    E inventou as escutas em Belém, num acto «criativo» de um verdadeiro jornalista-medíocre.
    Rui Ramos (o historiador revisionista do Estado Novo, que já escreveu uma coisa e o seu contrário nos seus próprios livros de História)
    Miguel Morgado (o fanático académico da Universidade Católica, assessor político de Passos Coelho)
    Passos Coelho (o cabeça-de-turco que, como nunca fez nada na vida senão divertir-se no jet-set das meninas de Cascais, nem estudar, tirou uma licenciatura de aviário numa universidade de vão de escada aos 37 anos, embora agora seja catedrático-convidado do ISCSP, encontrou a sua oportunidade no contexto da crise de 2008 e da irresponsabilidade do inenarrável Sócrates)

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Eu prefiro fazer um exercício de análise que toque os pontos fundamentais, pois há coisas que não entendo.

    1 – Tudo o que vem do PSD já não choca, tal a confusão que por lá anda. Penso que devemos deixá-los calmamente deglutir-se uns aos outros, até termos um partido que mereça outra credibilidade. Hoje, não têm linha política nem social, tratando-se de uma comunidade que abriga democratas (poucos) e fascistas (muitos). Mentir faz parte do seu ADN.

    2 – O que eu não consigo entender é porque razão Isabel Moreira traz à lide orientação sexual de uma pessoa. É por ser mulher? É por ser feminista? Que tem isso a ver com a pessoa ou o cargo? Será um motivo de afirmação social? Porque razão se faz a apologia da homossexualidade no momento de uma indigitação? Qual o reflexo da tendência sexual da senhora para o exercício cabal das suas funções sendo, isso sim, o que está em causa?

    Apetece dizer que estão bem uns para os outros … sendo este um exemplo lapidar que põe em evidência que os extremos se tocam.

    E ainda que o colunista tenha toda a razão quando afirma que a comissão política distrital do PSD de Santarém deva pedir desculpas pela mentira expressa, a verdade é que me fica a certeza que há quem fale para não ficar calado (a) e assim, aparecer …

    • João Mendes says:

      Ernesto, concordo que a orientação sexual da ministra não seja para aqui chamada. Contudo, trata-se de uma opinião da deputada e não corresponde, de forma alguma, às alegações em cima. E é esse, apenas e só, o meu ponto.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Caro João Mendes, compreendo perfeitamente o seu ponto.
        Porém e com toda a honestidade, deixe-me dizer-lhe que gosto de ver uma pessoa feminista pois, como diz, o mundo ainda não aprendeu a viver em liberdade de género.
        Mas o ser feminista não necessita, na minha óptica, que se tragam bandeiras e se agitem, pois considero que há uma linha que separa o feminismo (ou qualquer outra elevação do género, seja ele qual for) do espectáculo. E a opinião da deputada, para mim, não passa disso mesmo: espectáculo para aparecer.

  3. Ricardo Ferreira Pinto says:

    Estás a ser redutor relativamente às causas da Isabel Moreira. Todos sabemos que ela também se bateu galhardamente pelo direito à subvenção vitalícia dos deputados.

    • João Mendes says:

      É verdade. Não a referi por não ter aqui enquadramento. Não a achei relevante para questões de manipulação da opinião pública ou homofobia. Mas penso que escrevi algo sobre o assunto em momento oportuno!

      • Ricardo Ferreira Pinto says:

        Neste caso, não concordo nada contigo. Ela é que veio falar da orientação sexual da secretaria de estado, como se isso fosse assunto.

        • Paulo Marques says:

          Ainda bem que não é assunto e, portanto, é normal.

          • Ricardo Ferreira Pinto says:

            Sim. É normal.

          • João Mendes says:

            Ricardo, o que a Isabel Moreira escreveu foi:

            “Perceber a relevância enorme de Graça Fonseca ser a primeira Ministra lésbica fora do armário em Portugal. Um óptimo trabalho, agora na cultura, querida Graça Fonseca.”

            Não disse, de maneira nenhuma, que Graça Fonseca foi escolhida por ser lésbica, como insinua a publicação em cima. Independentemente de ser assunto ou não, não me interessa, tal não justifica o exercício de manipulação que pode ser lido em cima. Simples!

  4. Ana Teresa says:

    Fui ver a foto da senhora e além de mulher, bem-sucedida, e feminista que não sei se é verdade pois não a conheço, é muito feia.

    Ana Teresa

  5. Antonio Rodrigues says:

    Insultar uma senhora é para eles fácil, é mulher, frágil não se pode defender. Insultar um Homem Português daqueles da velha guarda de punhos e músculos poderosos é que é um risco difícil de levar a cabo.

  6. Ricardo Almeida says:

    Humm, senão estivéssemos em 2018 e o panorama mundial não estivesse repleto de artistas trágicos da extrema direita, até poderia “desculpar” mais uma argolada da JSD (entre tantas, mas tantas outras) como mais um episódio de flatulência mental lá do sítio. Quando a massa cinzenta não é suficiente para preencher a cavidade craniana, a cabeça fica cheia de ar. Ar podre pois tem de partilhar um espaço com um cérebro para lá de putrefacto de tanto ignorar lógica e raciocínio básicos. De vez em quando sai um puff nauseabundo das orelhas do jotinha e normalmente dá nestes tweets deficientes, ou montagens de Photoshop parvinhas ou basicamente tudo o que saí das trombas destes formatados.
    Mas esta… esta tresanda a jotinhas a avaliar a temperatura. A vontade deles é mergulhar de cabeça na piscina de fel onde já nadam Bolsonaro, Trump, Farage e companhia, mas Portugal pode não estar bem no sítio onde precisam e o tiro pode-lhes sair pela culatra. Como tal lançam estes aromas a podre na tweetosfera e, dentro do que as suas fracas capacidades intelectuais o permitem, tentam perceber de que forma a população se polariza em torno desta polémica.
    O facto de a JSD já se sentir confortável para espalhar mentiras a partir de uma conta oficial é deveras preocupante. Há uns meses atrás estavam limitados a sussurrar ao ouvido do candidato Ventura que ele depois fazia o resto. Ou se calhar nem sequer era preciso sussurrar que o André depressa provou que é idiota que baste em seu próprio mérito. De queimado ele não passava e o risco para o partido era mínimo. Mas o facto de esta gentinha estar disposta a colocar o pouco de respeito que o PSD ainda retém entre os seus aficionados na linha… dá que pensar sim…

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