Pedofilia, mas da menos chocante

O bispo do Porto, D. Manuel Linda, afirma, em entrevista ao Público (edição de hoje), quando questionado sobre os casos de pedofilia na Igreja e, em concreto, da Igreja portuguesa, o seguinte:

Aqueles dois casos – o da Madeira, com o célebre padre Frederico, e, recentemente, o caso da Guarda -, tudo leva a crer que não tenham tido aquela dimensão de gravidade de que estamos habituados a ouvir falar quando falamos de pedofilia. Talvez tenha havido alguma intimidade, mas não uma intimidade daquelas mais chocantes.

[sublinhado meu]

 

Ora, se o “célebre padre Frederico” foi condenado pelo homicídio de um rapaz de 15 anos, e por tentativa de assédio sexual desse menor, e se, no “caso da Guarda”, o padre Luís Mendes, ex-vice reitor do Seminário do Fundão, foi condenado pelo abuso sexual de seis crianças com idades entre os 11 e os 15 anos, das quais cinco estavam em regime de internato nesse Seminário, e, portanto, à guarda da Igreja, pergunto, com sincera perplexidade, o que é necessário para que o bispo do Porto se sinta chocado?

Comments

  1. António de Almeida says:

    Ficaria melhor ter dito “são uns filhos da puta, mas são os nossos filhos da puta…”


  2. Ele próprio, ser apanhado com a boca na botija.
    Só assim ele se tocaria, ou não.

  3. chakraindigo says:

    O que é necessário para o Bispo do Porto ser demitido, se é que existe isso na igreja?

  4. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Uma vez mais se assiste à futebolização da sociedade que se caracteriza por:
    …”Os dirigentes do clube X são criminosos por terem feito isto e aquilo, mas os dirigentes do meu clube, acusados pelos mesmos factos, apenas tiveram um deslize menor…”
    Não é apenas a futebolização da sociedade, mas também a recriação do espírito mesteiral medieval .
    Esta gente, de tão irresponsável que é, nem se dá conta das barbaridades que pronunciam.

    • Rui Naldinho says:

      Estou farto de ouvir os Tugas, e este, apesar de bispo, é mais um deles, a afirmar que a nossa escravização, o nosso colonialismo, o nosso racismo, foram ou são mais suaves do que o dos anglo saxónicos, dos francófonos ou flamengos. Como se houve colonialismo e racismo com sabor agridoce doce.
      “Somos só um pouco sacaninhas! Mas muito longe do guião imperial de sua majestade a rainha. No caso, a Vitória. Ou mesmo as Isabéis.”
      Não falo dos espanhóis porque esses também sofrem do mesmo complexo de inferioridade, dos Tugas, apesar de terem a mania que são os salvadores da cristandade.
      Como se um crime, não fosse por si só uma coisa abjecta, seja em que grau for, para ser memorizado pelo Cura Mor da diocese portuense. Só faltou o senhor bispo afirmar, que neste filme da pedofilia portuguesa, a película era para maior de doze anos, e não para adultos.
      Eu também tenho fé, senhor bispo. Mas a minha fé reside mais na esperança de um dia vos ver a procriar livremente, como seres racionais, sem terem que andar às escondidas a fingirem-se de castos.


  5. Haja deus!


  6. Talvez tenha havido alguma intimidade, mas não uma intimidade daquelas mais chocantes.

    Mas que …

  7. Manuel Matos says:

    Eu que até sou católico peço muito humildemente desculpa pelas alarvidades que aquele gajo defecou pela boca

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