A Venezuela e o ultimato europeu

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Com a Rússia e a China na rectaguarda, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela esteve ontem na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, muito seguro de si, e tinha uma mensagem muito particular para os Estados europeus:

A Europa dá-nos oito dias de quê? De onde tiraram a ideia que nos podem fazer ultimatos?

A intenção até podia ser boa, mas, numa próxima ocasião, caros Estados europeus, fica a sugestão: e que tal demonstrar o mesmo músculo com, sei lá, uma Arábia Saudita, daquelas mesmo totalitárias, que encomendam esquartejamentos de jornalistas em embaixadas de outros países? Começavam por não lhes vender mais armamento, seguido de um embargozito, e depois, quando os supermercados estivessem mesmo vazios, a população revoltada e um potencial líder da oposição posicionado, exigiam-lhes eleições livres, coisa que de resto nunca acontece por essas bandas. Assim, quando quisessem fazer ultimatos às Venezuelas desta vida, sempre tinham outro arcaboiço moral para o fazer.

Comments

  1. Mário Reis says:

    Vejam só esta pérola:
    “A natureza do regime de Nicolás Maduro desconhece em absoluto a influência e o exemplo moral das democracias ocidentais, a lei internacional, os direitos humanos, o Estado de direito, a respeitabilidade ou a decência.” Manuel Carvalho porta voz da SONAE/CONTINENTE no Público .

    Repare-se na adjectivação: o exemplo moral…Qual? O dos refugiados afogados no mediterrânico? “eleições”? quais? Eleições tipo referendos na UE, validos e isentos até darem a vitória aos seus. E o Iémen, a mortande e a fome de centenas de milhares de crianças, o que fizeram as democracias ocidentais? E é necessário relembrar a Líbia?
    O Banco de Inglaterra já há mais de uma semana, ainda com o guaidó no casulo… , que recusa devolver o Ouro Venezuelano aí depositado para criar ainda mais dificuldades económicas designadamente ao nível dos abastecimentos.
    Nas Guianas, Trump forja um conflito sobre a propriedade de petróleo e gás para poder abrir a porta a uma intervenção militar, riquezas que devem voltar para as mãos dos que governaram a Venezuela nos anteriores 100 anos e tornaram o país dos mais assimétricos e com maior índice de pobres da américa latina.
    Grande moral, grandes democratas, grande imprensa livre ao serviço dos senhores do dinheiro. Aqui temos a rutilante democracia do capital e os seus serventuários em todo o seu magnífico esplendor.
    Depois do Iraque, do Afeganistão, da Líbia e da Síria, se calhar já estava na hora de abrirmos os olhos. Os Estados Unidos e a União Europeia não querem qualquer democracia senão já teriam bombardeado a Arábia Saudita. O que querem é um novo banho de sangue porque estão interessados nos recursos da Venezuela: petróleo e ouro. Basta de que façam de nós lambe-botas dos interesses das grandes potências. É o povo venezuelano que deve resolver os seus problemas internos e escolher o seu próprio futuro sem ingerências externas.


    • É tão evidente para mentalidades honestas baseadas em informação séria esta sua análise, Mário Reis, et alii,
      que nos dói pungente demais em nó na garganta tanta hipocrisia e cinismo interesseiro a nível político/internacional que verificamos ! Evidente demais, porque tão poucos a defenderem este ponto de vista ? …de um pecado velho que assola afinal desde sempre esta umanidade predadora.

      nos anos sessenta cantava-se sentidamente esta dor assim :

      ( …" romper la monotonia deste pueblo en carnaval" )


      • ….. que se passou, que não entendo, com o link do Patxi ?

        tento de novo ?

        Me está doliendo una pena y no la puedo parar y se revuelve en silencio tumba abierta en soledad y quiero hacerla cometa, para poderla volar. Me está ganando ésta pena y la quiero ceder y busca por ser palabra y es por hacerse entender en brazos de mi guitarra y la tengo que esconder y en mi guitarra quisiera dejar la pena llorar, hacerla surco en el tiempo hacerla tiempo en la mar. Ser con la mar un viento que se la pueda llevar. Me está doliendo ésta pena acuñada en el portal de éste vacío sonoro que no sabe a dónde va, de éste vacío que lloro por quererlo remediar,
        y en mi guitarra quisiera dejar la pena llorar

        romper la monotonía de éste pueblo en carnaval, de éste pueblo que me duele cada día más y más y es que es una inmensa pena que me tengo que callar.
        Me está doliendo una pena… y me tengo que callar.

  2. Paulo Marques says:

    Ou que tal a Tunisia?
    https://www.dandc.eu/en/article/german-companies-hesitate-invest-revolutionary-tunisia

    Não pode ser, lá se ia a mão de obra barata, enquanto os gajos do sul da europa não se resignam. Um pouco como outros…
    https://hrwf.eu/poland-north-korea-the-exploitation-of-north-korean-workers-in-poland-raised-at-the-european-parliament-and-at-the-osce/

  3. Luís Lavoura says:

    Começavam por não lhes vender mais armamento

    Isso não é assim tão simples. O Estado alemão está a ser ameaçado de ser posto em tribunal por uma empresa alemã por ter decidido agora proibir uma venda de armamento à Arábia Saudita que já anteriormente tinha sido autorizada. A empresa alemã alega um prejuízo.

    Pode-se proibir vendas de armamento futuras, mas não vendas que já foram contratualizadas – algumas já há muitos anos.

    • Mário Reis says:

      Oh Luís Lavoura, a sério??? Que comentário mais triste, imobilista e conservador. Dá-se bem amarrado de pés e mãos à chamada “realidade”.
      Quando vão pôr em tribunal os que inspiraram o fim do feudalismo? Ou os que acabaram com o poder da Santa Inquisição? Ou os que criaram o SNS universal e gratuito após a revolução de Abril? Ou, os que julgaram e condenaram os banqueiros e políticos da Islândia?

    • Paulo Marques says:

      Só falta o estado alemão ficar atónito com a realidade do monstro mercado único que criou… infelizmente, ainda falta muito até lá.
      Mas em relação a esse caso, tem boas soluções, desde o embargo à mudança das regras – nem sequer faltam bits no BCE para “compensar” a perda do negócio da empresa.

  4. JgMenos says:

    Na Arábia Saudita há fome e doença?
    Os sauditas estão a fugir do país?

    Alguém lá está a abandalhar o regime que têm há séculos?

    É só treta a propósito de tudo e nada!

    • Paulo Marques says:

      O erro do Maduro foi não criar uma classe de escravos mortos ao primeiro pio, assim os Menos e os Bessas já aplaudiam.

      • JgMenos says:

        Armares-te em parvo está tornar-se um hábito.
        Começo a acreditar que é congénito.


        • Menos,

          Se poucas dúvidas restassem sobre o teu apreço por certas ditaduras, o comentário em cima é claro como a água.

          Usando um argumento típico de palermas como tu, experimenta ir para lá viver. Vais adorar o chicote nesse cu.

        • Paulo Marques says:

          Só um idiota por vontade própria é que não percebe que a única diferença entre a visão do Menos da Venezuela e aquilo que são na realidade os fantoches neo-liberais do império que tanto adora são as castas. Tudo o resto é mau se for vermelho e ignorado ou apreciado se trabalha tudo para a elite.
          Mas, claro, o Menos tem medo de GIlletes e eu é que sou parvo.

        • ZE LOPES says:

          Para conhecimento, cito aqui a afirmação de um autor que desconheço, mas que, creio, é dirigida a V. Exa:

          “Armares-te em parvo está tornar-se um hábito.
          Começo a acreditar que é congénito”.

          Os meus cumprimentos,

          ZE LOPES

    • ZE LOPES says:

      Tem V. Exa. toda a razão! A Arábia Saudita um regime totalitário? Nunca! Por definição, regimes totalitários, só os esquerdalhos!

      Um país onde até já se pode ir ao cinema! E, parece que em breve, os apedrejamentos de adúlteras vão passar a ser com esferovite!

      “Os sauditas estão a fugir do país?”

      Ora bem, nem por isso. Há um certo exagero! Há é tipos que se desmembram em vários para parecerem mais! E veja lá que ainda agora uma foi para o canadá só porque não achou bonito o noivo que lhe arranjaram!

      Ó quisto xegou, caracoles!

      Ah! Falta aquela de o povo passar fome ou não. Claro que não! A caça ao camelo é muito popular!

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