Se o PNR ganhar as eleições, podemos ficar com a medalha de ouro do Nélson Évora?

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Fotografia via Federação Portuguesa de Atletismo

Segundo os inconstitucionais fascistas do PNR, secundados por esgotos de fake news como o Direita Política, pessoas como Mamadou Ba devem voltar para a terra deles. No caso de Ba, seria o Senegal. No caso de Francis Obikwelu, que conquistou para Portugal uma das nossas oito medalhas olímpicas de prata, seria a Nigéria.

Note-se que Obikwelu, nascido em 1978 e naturalizado português em 2001, mesmo a tempo de trazer para Portugal o ouro dos 100 metros, conquistado no Europeu de Munique de 2002, fazia parte do célebre grupo de atletas afrodescendentes que foi barrado à porta da discoteca Urban Beach, por alegadamente “serem demasiados pretos”, algo raro num país onde o racismo não existe. Note-se também que, caso o caro leitor seja um daqueles snowflakes que acredita na existência de racismo neste país, terei todo o gosto em recomendar-lhe um campo de reeducação destinado a indivíduos que padecem da maleita do politicamente correcto.

Quem também fazia parte desse grupo, que incluía outros atletas demasiadamente pretos, era Nélson Évora. E aqui, meus amigos, a porca torce o rabo. Uma coisa é perder uma medalha de prata, ou umas quantas conquistas em Europeus e Mundiais de atletismo. Outra coisa é perder uma das quatro medalhas de ouro que Portugal conseguiu até à data. É que Nélson Évora nasceu em Abidjan, na Costa do Marfim. E, tal como Obikwelu, também foi naturalizado português, mesmo a tempo de ganhar aquilo que apenas três portugueses nascidos em Portugal conseguiram. E como não me apetece nada ver o nosso palmarés olímpico reduzido a apenas três medalhas de ouro, e sendo eu branco (ainda que a fugir para o moreno Magrebe) e caucasiano, nascido e criado neste país, devo ter, à luz das reivindicações da extrema-direita cá do rectângulo, uma palavra a dizer, não?

P.S: O Danilo Pereira, que nasceu na Guiné-Bissau quando ela já não estava ocupada, também dá muito jeito ao FC Porto e à Selecção Nacional. Façam o favor de não incomodar o rapaz.

Comments

  1. JgMenos says:

    Interessa-me pouco o que diz o PNR sobre o pretos.
    Mas ver um coirão como o Mamadou a ser branqueado na sua farsa à conta do que diz o PNR é uma pura artimanha ordinária e desonesta, ou seja, esquerdalha.

    • ZE LOPES says:

      Realmente ver um coirão a ser branqueado e V. Exa. a não ser escurecido é injusto! É discriminação! Estes esquerdalhos estão cada vez pior!

    • Carlos Almeida says:

      Ainda bem que o Sr Cruz finalmente mostra o que é.
      Não havia muitas duvidas, mas está cada vez mais claro.
      Para memória futura

  2. JgMenos says:

    Por falar nisso, ‘branqueado’ será racista, ou simples limpeza?

    • ZE LOPES says:

      Ah! Ahhhhhhh! Ah! Ah! Ah! Ahhhhh! Ai que o JgMenos irónico é tão cómico! Ai que graça tem o JgMenos!Ah! Ah! Ai que nem posso! Ah! Ah! Ah! Já não me ria assim desde que o Salazar caiu da cadeira!


  3. E o artigo deixa de fora os que nasceram em França e jogam na selecção nacional, e tantos outros nascidos nas ex-colónias…. é que nestas coisas os idiotas do PNR e direita política, com a cabeça no passado e com um fedor a mofo que me tolhe os pensamentos tinham de ser coerentes, quem não nasce no quintal à beira mar plantado e é branco, católico, bebe vinho e bate na mulher não merece português!!!!

  4. ZE LOPES says:

    João, temos de concordar que a extrema-direita fascisteira-nazitrolha local é um caso curioso.

    Há uns anos, nos tempos do MAN e de uns jantares do 28 de maio e de umas missas pela alma de Salazar (tenho a impressão que, por modéstia, não tinha alma) apareceram uns tipos a querer fundar um partido, ainda antes do PNR. Numa reunião no Porto engalfinharam-se todos: salazareiros de um lado, nazitrolhas do outro entre outras coisas porque…na comissão organizadora estava um tipo um tanto escuro…

    Depois veio a OPA sobre o PRD – na qual tiveram grandes culpas os eanistas que ainda lá estavam – e lá apareceu o tal partido.

    Os nazitrolhas jogavam, então, em dois tabuleiros: o PNR (particularmente os encontros da “juventude”, concertos, etc.) e as claques desportivas.

    Durante a semana e em datas como o 10 de junho os bandos de alopéticos perseguiam tudo o que lhes cheirasse a estrangeiro ou a preto. Desde o “vai-te embora para a tua terra” a agressões bárbaras e mortais, valia (vale) tudo. Nos dias dos jogos ia (vai) tudo para o estádio gritar “Marega! Nani!Semedo!”. Ou seja, passa-se com esta gente aquilo a que se chama em Psicologia uma dissonância cognitiva.

    Deve ser por isso que alguns elementos mais radicais das claques passam os jogos de costas para o relvado. É para não se sentirem mal ao serem confrontados com o sucesso de um negro. Passa-se o mesmo com os fumadores quando olham para as mensagens inscritas nos maços de tabaco. Evitam olhar e metem-nos logo no bolso.

    Segundo me disseram há até nazitrolhas ainda mais radicais que já nem veem jogos, nem na TV. Ouvem o relato na rádio porque aí os jogadores não têm cor.

    É claro que o perdão pelo escuro da pele só vale para os jogadores da casa. E quando as coisas correm bem. Quando correm mal, ou em relação aos adversários, lá voltam as bocas racistas. Mesmo para os arianos. No raide ao Seixal até Jorge Jesus era preto. mas aí a dissonância cognitiva atingiu o auge, já que a própria claque é liderada por um tal “Mustafa”…

    Com tanto problema psicológico, não admira que a atividade mais radical se tenha transferido para os gangs de motas. Aí a triagem de não-arianos deve ser mais fácil.

  5. Ricardo Almeida says:

    O grande problema de ter os maluquinhos de extrema-direita à frente do quer que seja reside no facto de estes apenas conseguirem grunhir uma única solução para todos os males da sociedade. Corrupção? Culpa dos imigrantes. Dívida pública excessiva? Imigrantes e gays. Alterações climáticas? Se os africanos voltarem para a terra deles fica tudo melhor. E é isto. Mais nada. Daí que a única coisa que separa um regime de extrema direita do colapso sob o peso da própria idiotice é apenas tempo. Basta ver os que se passa em todos os regimes que andam a influenciar os maluquinhos que teima em aparecer por cá: Trump, o herói maximus desta escumalha, anda a coleccionar escândalos, corrupções e condenações que até fariam corar um Don da máfia, Orbán, esse pilar de inteligência, expulsou tantos imigrantes da Hungria para agora andar a passar leis para legalizar a escravatura corporativa, motivado pela falta crítica de mão de obra (Duh!) e o Bolsonaro, o messias da América do Sul, nem uma semana tinha passado desde a inauguração do seu governo de abéculas e já andava com o nome na lama por causa do filho…(hum, comparações com o nepotismo Trumpiano são meras coincidências).
    E é isto. Quando a falácia dos imigrantes cai por terra, e é sempre, sempre uma questão de tempo até isso acontecer, o que resta ao maluquinhos? Bem, Hitler lá teve que conquistar metade da Europa para conseguir manter a ilusão de que sabia o que estava a fazer. Resta saber como é que estes dejectos da humanidade irão reagir quando o povo inevitavelmente perceber que a extrema direita não passa de um balão enchido a peidos..

  6. JgMenos says:

    A esquerdalhada no seu discurso de inanidades bolorentas não prescinde de socorrer-se do racismo (ainda hoje marginal e execrado por todo o tempo do Estado Novo) e com a miséria (onde não distinguem a pobreza da criminalidade)!

    Uns cromos SEM VERGONHAnas trombas!

    • Paulo Marques says:

      E, no entanto, são mesmo racistas e classistas, especialmente quando é contra os seus próprios interesses.
      É o que dá ser pago para não perceber nada, daí à desumanização é um passo.

    • ZE LOPES says:

      A diretrolhada no seu discurso de inanidades bolorentas não prescinde de justificar o racismo (ainda hoje presente e exacerbado por todo o tempo do Estado Novo) e a miséria (onde associam etnia e criminalidade)!

      Uns cromos SEM VERGONHA nas direitrombas!

      Gostou ó Menos? Fui eu que inventei!

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