Dia Internacional da Mulher (das que vão sobrevivendo, vá lá)

VD

Cartoon via TVI24

Há dois dias, em Vieira do Minho, mais uma mulher foi assassinada pelo marido, elevando para 12 o número de vítimas mortais relacionadas com casos de violência doméstica em 2019.

No mesmo dia, uma mulher de 47 foi encontrada morta, no Seixal, e a cabeça de uma outra encontrada no interior de um contentor do lixo, em Leça da Palmeira.

Ainda bem que temos o juiz Neto de Moura, e todos os outros Netos de Moura que assinam e redigem acórdãos com o juiz Neto de Moura (alguns deles mulheres), para zelar por todos nós e por uma sociedade onde cada um sabe qual é o seu lugar. Estivesse a mulher no seu, a cozinha, e estaria tudo na paz do Senhor. Mas elas querem direitos, igualdade salarial e de oportunidades, entre outras coisas, tipo respeito, e depois dá nisto. Deus tenha compaixão delas, que muito provavelmente eram todas umas grandessíssimas adúlteras.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Segundo ouvi dizer, ontem, o número já ia em 13. Corrijam-me se me enganei. A ser assim, vamos saltar para um “invejoso lugar no topo da tabela”.
    A violência doméstica pode diminuir de forma drástica, seria óptimo. Mas desengane-se quem pensar que ela desaparecerá de todo. Há uma parte da violência doméstica que será impossível eliminar, porque há uma parte do ser humano que ultrapassa o domínio da cultura e das mentalidades. Falamos da caixa craniana, e o que nela se interage. Por vezes os fusíveis curto circuitam. Acresce que, ainda não conheço medicação para reduzir o ciume, a possessividade, a inveja, …
    Hoje, está plantada uma noticia nos jornais, de uma mulher que se terá suicidado com a filha, em Sesimbra. Vá-se lá saber os motivos de tamanha depressão, mas coisa boa não terá sido. E aquela criança, não conta?
    A crucificação mediática do Juiz Neto Moura, sendo por vezes exagerada, está muito aquém das acórdãos que produziu, e se algum efeito positivo teve, foi o de trazer a discussão da violência doméstica para a ordem do dia. É óbvio que o senhor não é o único culpado. Também lá andava uma senhora, que parece assinar os acórdãos de cruz. Mas disso pouco se fala. O que demonstra outra coisa importante. “Mulher acomodada, não quer ser importunada”.


  2. Não são os Netos de Moura deste país, nem todos os outros juízes (mulheres incluídas) que maltratam e matam as mulheres engrossando os números abjetos da violência doméstica e da morte de tantas mulheres.

    Por estes dias, o meu treinador, homem robusto, atlético e bem constituído, confessava-me que já apanhou de uma namorada. Ele está na casa dos trinta, ainda solteiro. Quer uma mulher para a vida, não quer andar por aí a pinar umas e outras.
    Frustrado, virava-se para mim e comentava: “as mulheres não querem homens de bom coração como eu, ou como tu (que também estás solteiro), querem uns pintarolas com cara de indiferente, que lhes saltem para cima e depois as tratem como lixo. Ficam com eles, e depois queixam-se que levam no focinho.”

    Eu sei muito bem que isto não é muito politicamente correto, ainda para mais neste dia. Sei que a maioria das mulheres não concordará, mas a verdade é que, não raras as vezes, as mulheres vítimas de violência doméstica, são vítimas também das suas próprias escolhas. E depois queixam-se de quê?

    Sei de um caso de um músico conhecido do meio, que à frente de toda a gente, numa desavença, pregou um estaladão na namorada que lhe arrancou o piercing. O caso foi muito badalado e as coisas comentam-se à boca pequena. E acham que lhe faltam mulheres? Não faltam! Porque (não querendo generalizar) tudo que é traste da pior espécie atrai as mulheres, essa é a verdade por muito que doa às mulheres. Uma mulher sabe que determinado sujeito é violento, que agrediu outras mulheres, mas sente-se atraída na mesma, e acha que consigo será diferente. E depois, não raras vezes, levam porrada e ainda os defendem, que é por “gostar muito delas”.

    Peço desculpa por colocar o dedo na ferida, eu sei que dói, mas na maior parte dos casos as mulheres (e homens) que são vítimas de violência doméstica, são vítimas sim mas antes de tudo, das suas próprias más escolhas.

    Por cada homem machista, bronco e violento, com cérebro reptiliano ou de homem de Neandertal, há dez homens que as tratariam como princesas. Se as mulheres preferem homens machistas, broncos e violentos e depois acabam na morgue então comecem por questionar as suas próprias escolhas.

    • Paulo Marques says:

      «as mulheres vítimas de violência doméstica, são vítimas também das suas próprias escolhas»
      Tal como o seu amigo, não falta gente à procura do parceiro errado, seja de que sexo forem. Pensar em tratá-las como princesas e não como companheiro/as não ajuda, como provam vários anos de história pessoal que irão comigo para o túmulo.

    • Julio Rolo Santos says:

      100% de acordo. Mais claro do que isto não é possível, custa a engolir, mas é a realidade nua e crua.

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