Quando é o próximo comboio para o Gulag?

“Quem se abstém sem uma razão de força maior é um mau cidadão.”
Daniel Oliveira, jornalista e opinion maker (Jornal Expresso, 18 de Setembro de 2017)

E quem não põe o vidro no vidrão.
E quem não faz tatuagens. E quem compra manuais escolares da Porto Editora. E quem gosta de ler o Camões, principalmente a parte da Ilha dos Amores. E quem canta o Hino Nacional de pé . E quem não tem cão. E quem caça com gato e vai a touradas. E quem ainda ouve discos da Amália. E quem não telefona para a linha de Pedrógão. E quem não vê o Eixo do Mal. E quem não compra o Expresso. E quem não tem os dentes todos. E quem não come sushi. E quem enfia o guardanapo no colarinho da camisa. E quem não canta a Grândola no banho. E quem não toma banho. E quem ainda tem Bilhete de Identidade. E quem manda piropos na rua. E quem não usa medalhas e talismãs budistas ao peito, num fio de pele de vaca morta.

E mais: quem come pica no chão é um mau cidadão.
Quando é o próximo comboio para o Gulag?

Startup Macron

Da necessidade de derrotar Le Pen nasceu um boneco. Mesmo tendo vencido com os votos da esquerda que o despreza e sendo o candidato que menos entusiasmava os seus próprios eleitores, o coro de papagaios que enche o eco televisivo transformou-o numa esperança. Ex-banqueiro, ex-relator de Sarkozy, ex-conselheiro de Hollande, ex-ministro de Valls, o oportunista saltitou até ao céu sem compromissos. “Eu reivindico a imaturidade e a inexperiência política”, gritou para uma plateia embrutecida pela aldrabice populista do candidato antissistema que o sistema adora. Fazer um caminho político passando por várias eleições é coisa “de um tempo antigo”, disse. E Macron é uma coisa do futuro, onde os partidos são startups e os presidentes melões por abrir. Jovem, belo, impecavelmente vestido, tudo nele é moderno. Em entrevistas sobre negócios usa, num inglês irrepreensível, os termos da moda. Tem a lábia de vendedor de oportunidades que deslumbra qualquer “colaborador” num fim de semana de team building. Faz parecer revolucionária a certeza de que tudo vai ficar um pouco pior. Tudo nele cheira bem. Cheira a Uber, que ele acredita ser uma excelente solução para os jovens desempregados, que não querem patrões, querem clientes. Macron não é um político. É uma app. Sempre em atualização.

Macron é trendy, a crónica de Daniel Oliveira, no Expresso

E o Sérgio Monteiro, pá?

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (E), acompanhado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, durante a visita à Associação Empresarial do Baixo Ave na Trofa, 31 Janeiro 2015. ESTELA SILVA / LUSA

Os media, António Domingues e Sérgio Monteiro, por Daniel Oliveira

António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por um novo governo para dirigir o maior banco português. Não há suspeitas de favorecimento político, tem uma longa experiência de gestão bancária e ninguém, dos que criticam o seu salário, põe em causa a sua competência técnica e profissional. Vai receber por funções muitíssimo claras 30 mil euros mensais. Sérgio Monteiro foi nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa. Está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Não é possível fazer estas contas nos canais de televisão, mas arrisco uma proporção ainda mais favorável a Domingues. Criticar esta parcialidade não é assumir que a polémica é inadequada. O que se critica é a desproporção. Sobretudo quando o caso menos tratado é objetivamente mais difícil de justificar do que aquele que alimentou maior polémica mediática. Estas coisas não acontecem naturalmente. É a agenda política de quem marca a agenda mediática.

Foto: Estela Silva/Lusa@Esquerda.net

A Geringonça e as baratas tontas

Durante grande parte deste ano o discurso sobre a geringonça baseou-se nesta ideia: o PS estava sob a chantagem do Bloco e do PCP, obrigado a radicalizar-se para se agarrar ao poder. Depois, lentamente, todos se mostraram surpreendidos com a estabilidade. Quando viemos de férias o discurso subitamente inverteu-se. O Bloco de Esquerda e o PCP aceitam tudo. Traíram a esquerda. Quando é que os irresponsáveis do Bloco fazem jus à sua fama? E os extremistas do PCP, quando é que extremam a coisa? Esta permanente ansiedade sobre quem está no bolso de quem tem apenas uma origem: Passos tornou-se para Costa o que Seguro foi para Passos. Perante isto, resta pôr as todas as fichas na divisão da geringonça. Picando, à vez, o PS pela deriva esquerdista e o BE e o PCP pela cedência centrista. Mas todos sabem, a começar pelos próprios, que o primeiro a deixar-se picar tem o seu destino marcado: o castigo eleitoral. E isso é muito mais forte do que centenas de editoriais a pedir mais sectarismo. O povo não quer, como mostram as sondagens, que a geringonça se parta. E enquanto assim for, ela não se vai partir.

Daniel Oliveira, Geringonça, quem está no bolso de quem? (Expresso)

Era isso mesmo que diriam

UE

Daniel Oliveira (via Facebook)

Enquanto, em vez de sanções, vierem conselhos e ameaças durmo muito bem. Até acontecer alguma coisa vamos acompanhando a gestão política que, em Bruxelas, se faz de regras elásticas e ouvindo José Gomes Ferreira a explicar, com algum desalento, que não é desta mas será da próxima. Pode ser que aconteça. Basta que politicamente seja vantajoso para alguém com poder junto da Comissão e que não signifique, para as componentes europeias da troika, assumir que as suas intervenções foram um falhanço. Sanções agora, era isso mesmo que diriam. Há que esperar para poder contar outra história.

Verdades que podem incomodar os mais fanáticos

Esmagar o Daesh é uma prioridade absoluta. Mas se as armas forem a resposta, e até pode ser que sejam, o discurso vingativo apenas nos pode pôr de pé atrás. Da última vez que nos venderam esse remédio para a dor contribuímos para o caos de onde se ergueu este monstro. Uma das respostas da Europa aos assassinos deve ser reafirmar o valor da solidariedade, recebendo as primeiras vítimas da sua loucura ainda com mais determinação. Os que tentam, na Europa, virar a consternação com a carnificina contra os refugiados que nos procuram são, queiram ou não, cúmplices políticos da matança, ajudando o Daesh a impor a sua agenda de ódio.

Daniel Oliveira “Não tememos, não cedemos, não odiamos” @Expresso

Já não cheira a poder

PPC

Juro que acreditava que as fontes do PSD falavam a sério quando diziam que se ia apresentar um governo de “combate” e de “comunicação”. Um governo que mostrasse ao País que estaríamos a perder qualquer coisa com a moção de rejeição. Pensei que surgiriam nomes fortes da sociedade portuguesa e da política, empenhados em mostrar a sua indignação por aquilo a que andadaram a chamar de “golpe de Estado”. Afinal, temos um governo de terceira linha, composto por ministros fiéis, ex-secretários de Estado e apparatchiks do PSD. A coligação já se rendeu. Nunca pensei que o fizesse tão depressa. Nem sequer vão tentar captar votos dos deputados do PS ou ficar em gestão. Ninguém quis dar a cara por isto. Já não cheira a poder.

Daniel Oliveira@Expresso

Foto: Nuno Ferreira Santos@Público

«Por que é que uma aliança pós-eleitoral entre o PSD e o CDS foi, em 2011, uma coligação

e uma aliança pós-eleitoral entre o PS, o BE e o PCP é, em 2015, uma frente?» Uma boa pergunta de Daniel Oliveira.

Ricardo Araújo Pereira – A Década dos Psicopatas

Paulo Pereira

e Daniel Oliveira – A Década dos Psicopatas.

E o contexto é o de uma sociedade desigual nos sacrifícios e nas vantagens, precária e insegura para a maioria e garantista e blindada para uma minoria.

O problema que aqui me interessa não é apenas ético, apesar da ética também contar. É social. É o de uma elite que vive num mundo à parte, com regras à parte, e é por isso incapaz de perceber a vida dos outros. Poderiam ser ricos e perceber tudo isto. Poderiam ser pobres e não perceber nada disto.

A vida está cheia destas incongruências e não sou dos que acham que alguém que defende a justiça social tem obrigação de levar uma vida espartana e que os pobres têm obrigação de ser socialistas. Mas julgando, como julgam, que os seus privilégios excecionais resultam do mérito, não podiam deixar de julgar que as banais dificuldades dosvideo outros resultam de desmérito. Quem vive confortável na injustiça nunca poderá compreender a sua insuportabilidade. Quem pensa que o privilégio é um direito nunca poderá deixar de pensar que a pobreza é um castigo.

Excepcionais: com pê, claro

Neste texto de Daniel Oliveira, encontramos, no mesmo parágrafo, ‘excepcionais’ e ‘atual’.

DOLIVEIRA

Para quem ainda tiver dúvidas (apesar das bases: quer a teórica, quer a outra) acerca de escreventes da norma portuguesa europeia intuírem a função diacrítica de consoantes não pronunciadas, a recaída excepcionais de Daniel Oliveira – apesar da aparente destreza na supressão do ‘c’ de actual (com função, sim, embora não diacrítica) – poderá ajudar a perceber que a simplificação proposta pelos negociadores do Acordo Ortográfico de 1990 lhes toldou (fiquemos pelos aspectos técnicos – aqueles que me interessam – e não enveredemos pelo labirinto político) a dimensão leitura, indissociável, em leitores/escreventes experientes, da dimensão escrita.

Dito (ou escrito) de outro modo, ao grafar ‘excecionais’, um escrevente português terá a sensação de que o -cecionais dessa palavra, em vez do [-sɛsjuˈnai̯ʃ] pretendido,  reflecte um [-sɨsjuˈnai̯ʃ] inexistente e, por isso, não abdica do ‘p’.

Sim, porque não é só no livro do Eduardo Guerra Carneiro e na canção do Sérgio Godinho que isto anda tudo ligado.

É evidente que tudo se complicará se Daniel Oliveira (ou qualquer falante de português europeu) tiver o hábito de ler textos em português do Brasil. Pois, claro, no Brasil, excepcion |-al-ais continua a existir (ide ver ao Houaiss, ide, ide) e significa “em que há exceção”. Pois. Isto do AO90 não é tão simples como andaram por aí a dizer e, claro, não é bem a meia hora vaticinada pelo antecessor de Edviges Ferreira. Sim, é muito complicado. Mais vale acabar com este imbróglio, antes que seja demasiado tarde.

Desejo-vos um óptimo e excepcional fim-de-semana.

Post scriptum: Em discussão no edge.org: “what scientific idea is ready for retirement”? Vale a pena ir lá dar uma espreitadela.

Obcecados por Daniel Oliveira

Daniel Oliveira SIC

(Daniel Oliveira numa rara aparição sem a sua temível barba)

De cada vez que o Daniel Oliveira dá um peido, há um bloguer da direita liberal-católica-conservadora que vem em socorro da moral, dos bons costumes, da mão invisível e do darwinismo social. Chega a ser hilariante verificar o contraste entre a demência que lhe é atribuída e importância que lhe é dada por estas pessoas. Não digo que não devem ou que não tenham o direito de o criticar, é claro que têm e devem! Mas a constante chacota e desprezo pelo trabalho do “perigoso radical barbudo” torna-se difícil de compreender à luz das frequentes publicações, quase diárias, dedicadas ao homem em blogues como o Blasfémias ou O Insurgente.

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Daniel Oliveira explica

porque é que o merceeiro se deveria dedicar à mercearia e ficar por lá.

O Álvaro vende bem

Álvaro Cunhal vende bem, dentro e fora da www. Na passagem do centenário do seu nascimento, não faltam artigos que valem cliques que valem publicidade, como não faltam livros sobre livros sobre diz-que-disse Cunhal.

No vídeo acima, Odete Santos é clara e desmonta os mentiras que este livro contém. Não faltam convidados para falar de Cunhal como frio, calculista, sectário. Um monstro, ao que parece, e a quem a ideologia dominante não perdoa o carisma, a simpatia popular de que gozava e a admiração que alguns, mesmo adversários, lhe tinham. Não podem, que os tempos não são fáceis quando o tempo prova que o PCP teve razão antes de tempo, sobre o euro, sobre a UE, sobre as políticas desastrosas de PS, PSD e CDS que levaram o país a um estado de não Estado.

Nos dez minutos do vídeo acima, Odete Santos arrasa autor e imprecisões do livro. Talvez por isso sejam poucos os militantes do PCP convidados para falar nas apresentações dos muitos livros que foram e serão lançados em torno de Cunhal: [Read more…]

Ponto final.

O Luís Naves explica tudo. Sem meias palavras. Está tudo dito.

Cambalhotas, Conspurcações, Branqueamentos

Portugal volta a estar em perigo por causa da reincidência interventiva de Sócrates na vida pública, tal como a usurpa Soares, outro perturbador pedante, outro arrogante inveterado. O Nojo, afinal, não suportou o período de nojo natural que lhe incumbiria enquanto ex-Primeiro-Ministro. Não nos deu tempo, afinal, para nos livrarmos da pátina de toxicidade petulante da sua desgovernação, dos efeitos de uma gestão com os pés da Coisa e Endividamento Públicos 2005-2011.

Temos, pois, que o que há de mais odioso em Sócrates reincide. Sou dos que escrevem e insistem no perigo que a sua majestática deriva narcísica coloca ao País, desde sempre. Se antes foi pela retórica obscena, hostilizadora, pela acção ou inacção dolosas e manhosas, hoje é basicamente pela palavra-atrito com que alveja a um tempo o rival que o apeou do Partido, Seguro, e o rival que o apeou do Governo e que o sucedeu no País, Passos Coelho. Mas também todos os inimigos que fez zelosamente. O odioso em Sócrates não pode ser ignorado, embora nem ele nem o seu entorno imaginem o cansaço, o esgotamento da paciência de milhões de portugueses só com a contemplação fortuita da sua fronha ou a audição casual da sua voz.

Muito me surpreende que alguns venham lançar um borrifo de água benta sobre tal reformado da vida pública e pouco mais falte para santificar, sacralizar e inocentar esse narrador e a sua narrativa de saltimbaco político. «A coisa» não deixou de ser a coisa: o vazio ideológico e programático continuam lá disfarçados de abrangência naquela volatilidade à espreita de antena no oportunismo injusto de envenenar e perseguir, segundo o mesmo espírito oco e baixo com que se atafulha de testosterona e ambição mediática uma Casa dos Segredos. O odioso em Sócrates fez-se do cabotinismo ideológico no poder e da desideologização ainda mais perfeita lá. Se hoje se comporta com extremo indecoro e procura armadilhar e perturbar Passos Coelho, um Primeiro-Ministro em exercício, isso compagina-se com a velha malícia, velho estupor e degenerescência dos filhos espirituais e netos de Soares, a quem tudo se tolera e nada, nenhuma intervenção gagá, lhe é negado. Pelo que se vê, se há quem patrocine o regresso de Sócrates à retórica abrasiva e à mentira compulsiva na vida pública é Soares, o que, enquanto alto patrocínio, lhe deve sair caro. [Read more…]

No Expresso, a hipocrisia continua

Dois apontamentos muito rápidos sobre a hipocrisia ortográfica no Expresso, enquanto espero pelo comboio para Bruxelas — acompanhado por um café, algures em Estrasburgo, mas ainda em profundo “New York State of Mind”.

Depois do abrupto *objetivo de anteontem

RC1

hoje, as coisas voltaram (quase, quase) ao normal: [Read more…]

Em Setembro

Estar de acordo com escritos do Daniel Oliveira é corrente, em desacordo também. os social-democratas são meus aliados, não são meus inimigos.

Agora, e de rajada, com um sobre o Bloco de Esquerda e a deriva fascista de Elvas (um detalhe: o meu dedo que adivinha e ter passado por Elvas há uns 8 anos mandam-me apostar em mais um daqueles típicos casos em que se corre com a esquerda trocando-a por imbecis, caso de toda a lista que deixou isto chegar onde chegou) , e outro sobre o PCP e a Festa do Avante (pese que nunca a ajudei a erguer  mesmo sendo verdade na minha última passagem por ali bem me ter arrependido da recusa ao convite de lá ter chegado uns dias antes), nunca fui militante do PCP, mas não me sinto menos comunista por isso; dois assim, de seguida, é raro, e também por isso sugiro a sua leitura.

©Photo. R.M.N. / R.-G. OjŽda

Daniel, Sancho Pança de Monco Caído

SylvesterPoderíamos estar aqui a inventar a emergência de mutações ideológicas e travestismos opinativos na personalidade do comentador Daniel Oliveira, numa espécie de pirueta mental de 180º. Mas é muito pior que isso. Regra para muitos, não sei se para ele: quando mais mediático, mas nulo e susceptível de licitação. O que se passa neste momento com ele, isto é, com o que vai derramando no Arrastado e no Espesso, é a completa absorção retórica da retórica solipsista que todo o curral socratesiano vem repetindo desde há dois anos nos blogues que a ele-sócrates fidelizaram a cerviz dobrada e o monco caído. Sim, os valupis, os jumentos e os diabo a quatro.

Primeiro alvo, e gratuito, aliás: o Presidente. [Read more…]

Aos Filhos de Fouquier-Tinville

Chega. É chegada a hora de olhar para Pedro Passos Coelho e Paulo Portas e mesmo para o obediente frankfürter Gaspar como o último reduto para o êxodo-êxito da Intervenção Externa. Perante a incoerência e cinismo do FMI/BCE/CE, são eles, e não outros, a nossa única e exclusiva esperança, última oportunidade para nos salvarmos colectivamente de desgraças maiores, da desordem política, do caos fútil, do descrédito internacional.

Em geral, os partidos políticos na Oposição, certos comentadores e especialistas afectos a determinados partidos momentânea ou permanentemente fora do exercício do Poder, como o intelectualmente desonesto e autodeslumbrado Daniel Oliveira ou o visceral zarolho Miguel Sousa Tavares anti-docentes, só nos garantem o Fim do Mundo e nada mais que a desgraça geral e colectiva. O registo de Daniel Oliveira, especialmente depois do abandono espectaculoso do BE, passou a ser explicitamente desonesto quando, colocando em perspectiva José Sócrates [a devastação que pôs em movimento] e Pedro Passos Coelho [nada mais que um bombeiro atrevido com óbvio desinteresse na demagogia e no eleitoralismo, debatendo-se com a paralisia do Centro Decisor Europeu] escamoteia a evolução favorável dos números entre 2010 e 2013. No défice e na dívida. [Read more…]

Mostrar Serviço

Daniel Oliveira já exibe garbosa uma enorme capacidade de mostrar serviço, elogiando o irrespirável Sócrates, comparando o incomparável. Nem os valupis ou os corporativos fariam melhor.

Não Aguento 24 Horas de Indignação

Tenho sido um indignado crónico, especialmente a partir de 2005. Não me perguntem porquê. Foi um flash negro, uma impressão fortíssima de aviltamento, uma sensação de traído da Política, de espectador impotente de uma desgraça anunciada, apesar da palavra longa e afiada que passei a desembainhar no Palavrossavrvs Rex. O facto de testemunhar o desleixo dos Partidos, todos os Partidos, para com as pessoas concretas, de ver desfilando a avidez sectária arrogante e a incúria demente com que o Partido Socialista foi poder absoluto e impudico, até ao crescendo de sofrimento social que hoje afinal se transforma no caos da agenda cacofónica de 15 de Setembro e 2 de Março, determinou me revolvessem as vísceras da mais funda abominação. Mas nada acontece. Nada acontecer em Portugal tem sido o golpe de misericórdia nas minhas energias de protesto, no meu ímpeto reformista e amoroso-revolucionário. [Read more…]

Da Crise Terminal dos Partidos Portugueses

Os partidos valem zero a partir do momento em que constroem meticulosamente uma vida tão própria que se impermeabiliza ao clamor das gentes. Há muito que as aspirações das pessoas [mais participação directa e consequências imediatas dos nossos debates e das nossas escolhas] e a lógica ronceira dos partidos nada têm a ver. Muito por culpa da agenda medíocre destes últimos, das lutas intestinas pela escada e a chave do Poder interno ao fraccionamento interminável das suas facções e fracções: ironicamente, o carunchoso statu quo governativo ora PS ora PSD favorece o ganha pão prosaico e funcionarizado dos demais partidos, sem excepção, representados na AR, pelo que o facto de a contestação na rua visar virulentamente um membro do sistema representa na verdade uma séria ameaça ao sistema como um todo. [Read more…]

Adio, adieu, auf wiedersehen, goodbye…

images

No seguimento deste oportuno post do J.J. Cardoso, não será muito difícil imaginar o que se passará após um mui digno período de nojo. Seguro que proceda às necessárias diligências para um “encarte” nas listas da social-democracia.

Daniel Oliveira, o demorado

bloco de esquerda

Estive a ler a carta de despedida do Daniel Oliveira, que sai agora do Bloco de Esquerda em cuja fundação ambos participámos.

Tem razão nalgumas críticas: o funcionamento interno do que supostamente seria um movimento inovador é mesmo assim: regime geral de cooptação, amiguismo e fidelidade, quotas a dividir entre as três organizações maternas e quem perante elas não se porte mal. Sectarismo interno, portanto, precisamente a razão porque ali deixei de militar há vários anos. [Read more…]

Leitura recomendada

O funcionário de António Costa.

Eu também suspirei de alívio

Não foram só os «eurocratas e a senhora Merkel». Afinal, já não tenho que apressadamente levantar do banco os meus escassos euros.

Para NÃO Acabar de Vez com a Cultura

Nem sempre concordo com Daniel Oliveira. Esta é uma das vezes em que concordo absolutamente e assino por baixo.

Não há indústria do calçado, do têxtil ou do mobiliário que sobreviva sem bons designers. E não há bons designers sem bons artistas plásticos. Não há desenvolvimento das telecomunicações, dos novos media e do entretenimento sem conteúdos. E não há conteúdos sem desenvolvimento das artes. Não há turismo competitivo sem atividades culturais. E não há atividades culturais, incluindo as do puro entretenimento, sem cinemateatroliteratura. Não há cinema comercial sem o experimentalismo do cinema de autor. Não há marketing sem publicidade, não há publicidade sem realizadores e guionistas.

Já Sabem Onde Podem Enfiar o Manifesto

Está na moda a impunidade feliz. Ex-políticos vivem regalados depois de anos de Roubo, mas um Roubo naturalmente destinado à impunidade dos deuses. A impunidade das preciosas e douradas mãos de suas excelências intocáveis, os políticos, comparados connosco, a ralé que bem pode perder o 13.º e o 14.º e imputar a perda não à gestão danosa dos Governos de Saque Socratista, mas ao manso Passos. E no entanto, a impunidade vai toda para os políticos das licenciaturas instantâneas, os políticos do poder de aprovar o tal outlet em zona protegida de flamingos e o poder de aprová-lo à última da hora pantanosa, certamente sem luvas no processo. [Read more…]

Parque Escolar: tanto por saber

A revolução levada a cabo pela Parque Escolar teve intuitos meramente eleitoralistas, uma vez que a Educação nunca foi uma prioridade de José Sócrates. Reconstruir escolas constituiu, para o actual exilado parisiense, uma ocasião de inaugurar, mostrando obra.

A avaliação completa do impacte de toda essa revolução continua por fazer e deverá incluir referências ao aumento brutal dos gastos energéticos graças a opções delirantes, como as de criar salas sem luz natural, para além do recurso a materiais importados mais caros do que outros de qualidade similar produzidos em Portugal ou a aquisição de equipamentos cuja manutenção poderá estar além dor orçamentos depauperados das escolas.

A reflexão sobre todo este processo não pode, evidentemente, descurar a importância do investimento público e, sobretudo, a necessidade de que os edifícios escolares estejam em condições, no mínimo, dignas, o que não é o mesmo que dizer que era fundamental transformar tantas e tantas escolas em estaleiros, que serviram, muitas vezes, para que arquitectos ignorantes impusessem projectos irrealistas, ao arrepio dos pareceres de quem conhece o terreno, prática habitual.

No entanto, se o processo da Parque Escolar, tal como foi conduzido por Sócrates, constituiu um disparate, a iminente extinção da empresa não deveria significar o fim das obras nas muitas escolas em que elas são necessárias.

Portugal, no entanto, é um caso de bipolaridade governativa, em que, por ausência de planeamento ou por opções ideológicas, se faz a mais ou a menos, fugindo-se, sempre, à medida justa.

Daniel Oliveira, advogado da Parque Escolar, contraria aqui os números apresentados por Nuno Crato, a propósito da auditoria da Inspecção Geral de Finanças. A ser verdade o que diz o primeiro, por tendencioso que seja, continuamos perante um derrapagem orçamental, o que é grave, e é igualmente grave que o Ministro da Educação se possa ter enganado tanto nos valores dessa derrapagem.

Os interessados em ler as conclusões da auditoria podem fazê-lo aqui.

Já agora, falando de lambe-botas…


Num normalizado artigo de encher pneus em que requenta a sua expressa opinião do costume, o balsemado valentão-anti-cobardes Daniel Oliveira espuma por Passos Coelho não ter aderido ao documento glosado por David Cameron. Em boa verdade, muito daquilo que lá está escrito poderia ser suficiente para o governo português assinar de cruz, como aliás habitualmente tem feito desde há mais de trinta anos. Mas simplesmente não pode agora fazê-lo de ânimo leve. Porquê?

O sistema que pariu e tem mantido os danieisioliveiras, é precisamente aquele que hoje se encontra em apuros e sob o fogo cerrado dos mesmos eternamente irados danieisoliveiras. É o esquema do subsídio à farta para o mau cinema votado às moscas, para os grupos teatrais do rebola no chão e bate na lata, o subsídio para resmas e resmas de ilegíveis opúsculos de e para amigos, das fundações e gabinetes de comparsas, etc. O dinheiro acabou e isso parece insuportável, urgindo recorrer à chantagem para que o caudal volte ao leito a que se habituaram. Tarde demais, é impossível. [Read more…]

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