«Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!»

Felizmente, os redactores do Expresso mantiveram decente o “aspecto” da Ode Triunfal, de Álvaro de Campos.

Tenhamos paciência, pois, aparentemente,

lá da Ilha encoberta, vos há-de vir este Rei.
Exactamente.
Foto: Francisco Miguel Valada, 27 de Dezembro de 2018.

O Exame Final Nacional de Português do 12º Ano

O Exame Final Nacional de Português do 12º Ano (Versão 1) começa com a análise do único poema da Mensagem ao qual o autor, Fernando Pessoa, não atribuiu um título. Este poema aparece na TERCEIRA PARTE do Livro, no capítulo sob o nome de O ENCOBERTO e sob a designação II – OS AVISOS, a qual sucede a I – OS SÍMBOLOS e precede III – OS TEMPOS.

Nesta segunda secção (Os Avisos) da TERCEIRA PARTE, estão três poemas, ou seja, três AVISOS:

  • PRIMEIRO: O Bandarra
  • SEGUNDO: António Vieira
  • TERCEIRO: Sem Título (Screvo o meu livro à beira-mágoa) [O título encoberto deste poema é “Fernando Pessoa”, ele próprio Aviso e discípulo de António Vieira e de Bandarra]

O que se segue é uma breve análise dos critérios de correcção/classificação propostos pelo IAVE – Instituto de Avaliação Educativa, I.P., demonstrando que esses critérios estão, pelo menos parcialmente, errados.

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Do vale à montanha

Aleph | O Ponto da Bauhütte | BS 2005/2018

 

“Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados,
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

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Efeméride

Já “no seu tempo” Fernando Pessoa se encontrava num plano dificilmente concebível pelos seus contemporâneos. Hoje é total e absolutamente incompreensível. Encontra-se num além para cuja idealização já não dispomos de inteligência. A 4 de Julho de 1913, com 25 anos de idade, iniciava assim a “Hora Absurda”:

O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas…
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso…
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso…

E prosseguia.
Uniu as margens a 30 de Novembro de 1935.

Eventuais esclarecimentos

Amanhã, já é tarde.

— Rodolfo Reis, 11/6/2017

— As treeless as Portugal we’ll be soon, says John Wyse, or Heligoland with its one tree if something is not to reafforest the land. Larches, firs, all the trees of the conifer family are going fast. I was reading a report of lord Castletown’s…

— James Joyce, Ulysses

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas—a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.
AC

***

Estamos em meados de Junho (“It is this hour of a day in mid June“). Todavia, não estamos exactamente em “16 June [1904″ 2017], ou seja, ainda não é Bloomsday. Hoje, Fernando António Nogueira Pessoa faria 129 anos. Hoje, não há Diário da República, logo, não há nem fatos, nem contatos, como houve em barda no dia 8 de Junho de 2017.

Contudo, ontem, houve Diário da República, por isso, lembrando «It’s the ads and side features sell a weekly, not the stale news in the official gazette», cá está «Published by authority in the year [one thousand and 2017]» e sistematicamente assim (umas vezes com mais, outras com menos), como é, aliás, sabido, desde Janeiro de 2012.

Efectivamente — e não «(effectively or presumably)».

***

“Tudo é símbolo”


Não tem estrelas. Tem quinas e castelos.

Enfim

Fala-se tanto na defesa da língua portuguesa como sendo uma das dez mais faladas em todo o mundo, na importância de valorizar a CPLP, na alma lusa, em Camões e Pessoa, usam-se cachecóis com as cores nacionais, canta-se o hino, grita-se “Portugal” e apregoa-se o fado e a saudade.

Mas, no fim de contas, lá temos o Primeiro-ministro português a falar em castelhano numa entrevista a um jornal espanhol.

Não fosse ser tão triste, seria de rir.

Cerca de grandes muros quem te sonhas*

Demorou dois mil anos a construir e todas as suas pedras estão assinadas.
Acabou de ser feita no século XV e diz-se (embora a NASA negue) que é a única construção humana que se vê da Lua.

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*Fernando Pessoa

Texto editado às 20.29 de 31/1/17. A NASA nega que a Muralha se veja da Lua.

Scarfolk, o Diário da República e a suspensão dos factos

Minds have semantics. Programs are purely syntactical. The syntax of the program isn’t sufficient for the semantics. Therefore, the program is not a mind. It’s a very simple argument, I don’t know why it takes so much trouble to get people to understand it.

— John Searle

The government, together with local councils and public authorities, has scrapped the use of facts.

The Fact Ban (1976)

“Imaginary” universes are so much more beautiful than this stupidly constructed “real” one; and most of the finest products of an applied mathematician’s fancy must be rejected, as soon as they have been created, for the brutal but sufficient reason that they do not fit the facts.

G. H. Hardy (apud K. David Jackson, Adverse Genres in Fernando Pessoa, p. 9)

***

Hoje de manhã, ao reflectir acerca do melhor enquadramento para a ocorrência de hoje no sítio do costume, pensei em recorrer a José Maria Adrião e aos Retalhos de um Adagiário Nasceu em boa hora — diz-se de quem é ditoso e a sorte lhe corre bem», p. 50). Depois, admiti outras possiblilidades: o «“Fake news” is so yesterday. “Alternative facts” is where it’s at now», este excelente «it is a mistake to demand too strictly that new physical theories should fit some preconceived philosophical standard», do Weinberg, ou até a hipótese de Riemann confirmada pela teoria dos Factos Alternativos.

Contudo, felizmente, a história de Scarfolk, em boa hora aqui trazida pela Carla Romualdo, trocou-me as voltas.

Ao reparar neste cartaz, [Read more…]

O fim de Portugal

A Homeostasia é um processo dinâmico de regulação, característico dos organismos vivos, que visa manter certos parâmetros químicos dentro de limites compatíveis com a vida e propiciar um estado geral de equilíbrio.

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Todo o cais é uma saudade de pedra

A 30 de Novembro de 1935 seguia para parte incerta, “atingido pelas aparências da morte”, Fernando António Nogueira Pessoa. Homenagem.

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«Books to give you hope»

O Livro do Desassossego.

Um pouco menos de tourada ortográfica, sff

05 Sep 2005, Portugal --- Portuguese bullfighter from the group, the "Forcados Amadores de Evora", Antonio Alfacinha confronts a 500 kg. bull in a "Pega", a catch, during the group's performance in Montemor. The "forcados" are considered to be the origins of bullfighting and consist of a performance of eight men in a linear formation 1:1:3:3 facing a bull soley with their bodies until the bull stops fighting. They receive no monetary compensation for their performances. The pleasure according to them lies in the benefit and pride of the group having given a good performance. | Location: Montemor, Alentejo, Portugal. --- Image by © Carlos Cazalis/Corbis

© Carlos Cazalis/Corbis (http://bit.ly/1MIeyNl)

Ao regressar a Bruxelas, leio no Expresso a ‘frase do dia‘:

Quando é que, perante a cobarde omissão do legislador, um tribunal tem a coragem de proibir estes espectáculos de degradação humana?.

Duvido. Na dúvida, vou à fonte. Confirma-se. A palavra do dia: espectáculo. Por um lado (aquele que efectivamente interessa), compreende-se: espectáculo [ʃpɛˈtakuɫu] ≠ espetáculo [ʃpɨˈtakuɫu]. Contudo, por outro lado, não se percebe: atira pedras de “conservadorismo ortográfico” aos outros, para, no fim de contas, adoptar a ortografia que passa a vida a atacar e, obviamente, misturar duas grafias:

vm

Um pouco mais de coerência e de rigor, sff.

Se não gosta de *espetáculos, é assinar, recolher e enviar. Como diria o Alberto, “não há nada mais simples“. Claro que pode cruzar os braços e assistir à tourada ortográfica, no sítio do costume.

Sim, hoje, no Diário da República.

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Agora, regresso ao Weinberg.

Olhos gregos, lembrando

A Europa jaz, posta nos cotovelos:

De Oriente a Ocidente jaz, fitando,

E toldam-lhe românticos cabelos

Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;

O direito é em ângulo disposto.

Aquele diz Itália onde é pousado;

Este diz Inglaterra onde, afastado,

A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,

O Ocidente, futuro do passado.

O rosto que fita é Portugal.

Mensagem, Fernando Pessoa

Mal sabia Fernando Pessoa que a História viria a dar outros significados ao poema “Os Castelos”, porque o tempo traz consigo novas leituras. [Read more…]

Το δημοψήφισμα

Κι αν πτωχική την βρεις, η Ιθάκη δεν σε γέλασε.

– Κ.Π. Καβάφης

Μα γι’ αυτό και μου συνέβη.

– Φερνάντο Πεσσόα

***

Η διατήρηση της υφιστάµενης κατάστασης δεν αποτελεί επιλογή υπό τις παρούσες συνθήκες. Αυτή η εξαιρετικά επικίνδυνη στρατηγική θα στοιχειώνει και πάλι την Πορτογαλία και την πορτογαλική γλώσσα στο εγγύς και το απώτερο μέλλον.

Ναι ή όχι;

Λοιπόν, η απάντηση είναι πολύ απλή. Θα μιλήσουμε για αυτό αργότερα, κατά τη συζήτηση – το λεγόμενο “discussão mais focada“.

Θα τελειώσω με μια φράση του Αλέξη Τσίπρα:

Βρισκόμαστε σε μια κρίσιμη καμπή που αφορά το μέλλον του τόπου.

Καλό Σαββατοκύριακο.

dre 03072015

Paráfrases

Depois da “Pátria onde Camões morreu de fome e todos enchem a barriga de Camões” (Almada), e da “Pátria onde Pessoa morreu de bêbado e todos se emborracham com Pessoa” (parafraseio meu, já velhinho), bem vinda será a Pátria onde Herberto morreu em silêncio e todos declamamos Herberto.

Pátria assim é mesmo de poetas, e escreve-se com letra grande.

Diário da República, 24 de Março de 2015

De facto, é preciso enfrentar o fato:

Processar prestações de invalidez, velhice e morte e outras
que com elas se relacionem ou sejam determinadas pelo mesmo fato e se insiram na área de atuação do respetivo núcleo.

Efectivamente, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos” e “sem problemas de maior”:

Certificar os fatos e atos que constem dos arquivos municipais, sem prejuízo da competência nesta matéria confiada a outros serviços.

dre2432015Post scriptum: Foi há cem anos: [Read more…]

Poema em Linha Recurva

só crashNunca conheci, na imprensa,  nas rádios, nas TV,
quem tivesse ousado declarar merdífero e impróprio
para consumo-comentário o comentador Sócrates.
Todos os meus co-bloggers têm sido esquecediços de tudo quanto lhe respeita.
E eu, tantas vezes obcecado por ele,
tão lindo a dizer coisas com embrulho mariquesco-gay na RTP,
eu, tantas vezes insistente em que ele cheira mal e não tem vergonha nem se enxerga,
a não ser o penteado artificialmente grisalho ao espelho, lindo,
eu, tantas vezes fetichista com ele nu-nádegas por seviciar com ramos de rosas rubras,
eu tantas vezes tresandescamente repetitivo contra ele,
indesculpavelmente o mesmo acerca dele,
eu, que tantas vezes não tenho tido paciência
para escrever sobre outra merda qualquer senão sobre ele,
eu, que tantas vezes tenho sido obtuso, direitolas, elitista, nortista,
que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das sinceridades orgânicas e viscerais,
que tenho sido prolixo, exaustivo, monótono e pesporrente,
que por isso mesmo tenho sofrido enxovalhos, escarros, mil dislikes e engolido,
que quando não tenho engolido, tenho sido mais ridículo ainda com palavrões e palavronas;
eu, que tenho sido cómico às turistas de hostel e às melgas iliteratas,
eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos colegas de ócio e vítimas da dívida,
eu, que tenho feito vergonhas vocabulares sem me arrepender,
poupado dinheiro como um salazarento sem me indulgenciar sequer com uma cerveja,
eu, que, quando a hora dos socos surgiu, me tenho inchado de peito
para dentro da possibilidade de calçar socos e abandonar sandálias;
eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
dos grandes desprezos e grandes condescendências cínicas e invejosas,
eu verifico que não tenho par nisto tudo neste merdi-mundo da bloga.

Toda a gente que eu penso que conheço e que posta como eu
nunca teve uma sanha ridícula anti-Sócrates, nunca postou enxovalhos a Sócrates,
nunca lhe radiografou o recurvo carácter
nem o imaginou paliativamente num cárcere húmido, com cheiro a mijo,
nunca foi senão rei – todos eles reis – na grande bloga abstinente
e incapaz de hostilizar o Poli-Indecente Político por antonomásia
e por execrável excelência…

Quem me dera ouvir de alguém blogger a voz humana no youtube
que confessasse não uma tendência anti-Sócrates,
mas uma equidistância anti-Sócrates e semi-pró-Passos;
que emitisse, não um post arrasador sobre um Crato,
mas um post atoleimado e sanguinolento anti-Sócrates!
Não, são todos a Suprema Condescendência e o Absoluto Olvido,
se os leio e postam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi teimoso
militante anti-maçónicos,
anti-jacobinos, anti-ateus, anti-mafiosos socialistas no grande antro do Rato?
Ó reis, meus irmãos, arre, estou farto de puritanos e beatos laicos!
Onde é que há gente na bloga? Então sou só eu que é obcecado e insistente
vigiando um caramelo que abraçou Portugal com as pernas
e ainda aspira a repetir a inglória proeza
constringindo-o-serpente como Presidente da República?

Poderão os leitores não os terem lido,
podem ter sido encornados pela sintaxe – mas bloggers anti-Sócrates nunca!

E eu, que tenho sido obcecado pela matéria socratesiana sem ter sido distraído,
como posso eu postar como os meus iguais sem recalcitrar nesta relíquia culposa
que ousa comentar lá, onde é imperdoavelmente culpado?
Eu, que tenho sido anti-Sócrates, literalmente anti-Sócrates,
anti-Sócrates no sentido milimétrico e atrevido da anti-socratice.

Uma estátua de Estaline em Bruxelas

Krugman Foto AFP SCANPIX

Foto: Paul J Richards AFP/Getty.

Krugman, hoje, no Le Monde:

Pensez-vous, comme Mario Monti, que la crise pousse à l’union politique de l’Europe ?

P. K. J’espère qu’il a raison, mais j’en doute. C’est un peu comme penser qu’il faudrait ériger une statue de Staline à Bruxelles, en considérant qu’il a aidé à construire l’Europe. Qui sait, peut-être aurons-nous un jour une plaque en l’honneur de Lehman Brothers, pour avoir rendu possible une union politique en Europe.

Nota pessoal: Felizmente, por cá temos o meu vizinho: o nosso Fernando António, na Place Flagey. Confesso a minha aversão ao Manneken Pis, mesmo em versão “homenagem“.

Fernando Pessoa vai processar Nuno Lopes

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia…

fernando pessoa

http://bit.ly/k6TWP

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas—a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.
AC

Parabéns, Fernando António!

Fernando Pessoa

José de Almada Negreiros
Retrato de Fernando Pessoa
1964
http://bit.ly/12nBNaf

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

Livros digitais grátis

Em países civilizados livros cujos direitos de autor caíram, ou melhor, subiram ao domínio público oferecem-se em formato digital. Há mesmo instituições para isso.

Os que descarreguei estavam todos em pdf formato texto, permitindo pesquisa, anotação, etc.

Clássicos de Dante a Fernando Pessoa, passando por Eça ou Swift, escolha e sirva-se.

No Brasil é assim. Por cá vai-se digitalizando pouco, e normalmente por mera imagem. As grandes editoras agradecem.

A Lua

http://on.fb.me/ODCSiZ

Fernando Pessoa
A Lua (dizem os Ingleses)

A Lua (dizem os Ingleses)
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma ideia se perde.

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De… não sei se é desejar.

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando…
A Lua (dizem os Ingleses)
É azul de quando em quando.
14-11-1931
Poesias Inéditas (1930-1935).

Portugal vale a pena

Há dias, a jornalista Maria João Avillez escreveu no Público a propósito de Portugal e os Portugueses: “Nada do que vi nasceu por acaso, não foi uma sorte, nem uma oferta. Alguém – muitos «alguém» certamente – preferiu o risco e não temeu o esforço. Pensando que Lisboa, o Porto e por aí fora valiam essa pena. Pensando que o país talvez valha, Portugal tão pouco contado.”

Dias depois, o escritor, presidente da SPA e jornalista José Jorge Letria, escrevia algo muito semelhante: “Articulada de forma criativa e apelativa com a oferta turística, a cultura gera riqueza, emprego e fortalece as identidades locais, regionais e nacionais. (…) O escritor refere-se a Lisboa que pode “tirar muito mais partido da crescente popularidade internacional de Fernando Pessoa”. Mas eu digo mais: todas as cidades têm que tirar mais partido da sua riqueza cultural. Depois, J.J.Letria acrescentou:  “Há sempre mais a fazer (…).”

Há muito a fazer pelo nosso país. Mas não podemos contar com eles. Não podemos contar com um Ministro da Cultura, porque o nosso governo não considerou importante o ministério…

Vamos contar com Portugal, vamos contar Portugal. Vamos contar com cada um de nós. Estamos por nós. Comecemos, por exemplo, a contar a beleza deste país…

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, já dizia F. Pessoa.

Um templo para ateus

A Fundação Saramago inaugurou ontem. A presidenta Pilar (assim li no Público) marcou bem ou mal o dia? É que Saramago era um declarado e acérrimo ateu, mas a Fundação com o seu nome abre as portas, precisamente e logo, no Dia de Santo António! Pilar esqueceu-se deste grande pormenor. Saramago não ia gostar…Claro que a simbologia não é importante… Foi uma coincidência.  O que aconteceu foi que a Fundação abriu no dia de aniversário de Fernando Pessoa, issi sim.  Nem se notou nada que fosse dia do santo padroeiro de Lisboa, feriado municipal…

E por falar em ateus e santos…  

Está de passagem pela capital portuguesa, justamente, o filósofo suiço Alain Botton (1969), criado numa família «profundamente ateia» e autor do livro Religião para Ateus (D. Quixote).

Não é que ele anda a falar num templo para ateus?

Mas afinal… Um templo não é casa de Deus / deuses, lugar sagrado, estrutura arquitetónica destinada ao serviço religioso? Será que o ateísmo pretende comparar-se a uma religião, igualar-se a uma? Há aqui uma apropriação de termos e sentidos religiosos que não associamos, de todo, ao ateísmo. O próprio título do seu livro mistura naturezas opostas. Mas não há dúvida-. Ele conseguiu um golpe de marketing: crentes e ateus são atraídos pelo título. 

Pelo pouco que ainda sei sobre o assunto, Botton considera que o ateísmo pode aprender com a religião (“há coisas na religião que o mundo secular devia incorporar“). Talvez seja essa a justificação para a escolha daquele tema.

Talvez eu venha a espreitar o livro. Como crente.

25 Poemas de Abril (III)

António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular…
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.

Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu…

Coitadinho
Do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho… [Read more…]

Hoje dá na net: Literatura – Fernando Pessoa

A base de dados Arquivo Pessoa contém, na secção Obra Édita, a maior parte dos textos de Fernando Pessoa publicados até 1997. É muita poesia, com todos os autores que Pessoa também era. Interessa a todos os amantes de poesia, de Pessoa e a todos os alunos de 12º ano.

Provocações – O Essencial é Saber Ver

Sem que desejasse ou procurasse, caiu-me uma provocação nas mãos. Como um bilhete do ‘metro’, onde estou a viajar. Sentado e pensativo, fui enrolando ambos na mão esquerda. O que é minúsculo e insignificante, no fundo, reduz-se a minudências materiais ou imateriais. Facilmente destrutíveis num enrolar de dedos.

No decurso da viagem, o pensamento vazou-me um poema de Pessoa, no heterónimo Alberto Caeiro; aqui declamado por Antônio Abujamra:

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