Condições

O governo detesta e despreza os portugueses. Os portugueses desprezam e detestam o governo. Pronto. Estão reunidas as condições para um divórcio por mútuo consentimento.

A mulher feia a mim não me convém

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O Chinês Jian Feng ficou horrorizado com o nascimento da sua filha.
A tal ponto que achou impossível que aquele serzinho tão horrendo pudesse ser o fruto do seu casamento com a sua belíssima esposa. Como qualquer homem que se preze, de imediato acusou a mulher, acabada de parir a criança, de o ter traído. Confrontada com as suspeitas do marido, a senhora informou-o que se tinha submetido a cirurgias plásticas antes de se conhecerem. Ora, o atraiçoado esposo toma a única atitude digna de um macho chinês.
Decide defender a honra, processando a esposa por ter agido de forma enganosa, o que conduziu às bodas matrimoniais. E não é que o tribunal lhe deu razão? Ou não estivéssemos na China com um juíz do sexo masculino…
O marido ludibriado teve direito a uma indemnização no valor de 120.000 dólares, uma vez que o casamento se fez sob «falsas premissas».
Segundo o pobre incauto, «casei com a minha mulher por amor, mas logo que a nossa primeira filha nasceu, começámos a ter problemas matrimoniais. A nossa filha era incrivelmente feia, ao ponto de me horrorizar.»
Viva o amor!!! Mas só se as parceiras forem belas, caso contrário, rua com elas.
No meio de tudo isto, fico sem saber da criança, que, com um pai tão maravilhoso, terá certamente uma infância muito feliz.

As fotos acima mostram o antes e o depois da traidora, a beleza estonteante do ultrajado marido e o susto que a criança é.

Afinal, há povo!

Capa do Dia“As manifestações expõem o divórcio entre os representantes políticos e a população portuguesa”.

Tal como escreve hoje a jornalista São José Almeida (Público) esta manifestação foi espontânea e não teve por trás nem partidos nem sindicatos!

É uma manifestação do povo genuíno, cansado e que sente “repulsa pelos representantes políticos” que consideramos gente corrupta.

Sim, há povo e povo do bom e do melhor!

E mais uma coisa, srs. políticos: ” o soberano em democracia é o povo e os governantes são representantes deste”.

Não brinquem connosco!

P.S. – reparo agora na palavra que S.J.A. escolhe para definir a divisão, a separação, o corte, a ruptura que se estabeleceu entre povo e governantes: «divórcio». Ora divórcio remete-nos para a destruição de um casamento que se quis feliz. Este não foi feliz: cada um foi para seu lado… O que fazer agora? Pode um país sobreviver a um divórcio entre as partes em questão? É necessário recorrer ao aconselhamento matrimonial? Faça-se alguma coisa e já, a bem da nação e de seus filhos!

Suicídios

Um farmacêutico grego de 77 anos deu um tiro na cabeça: preferiu morrer a ter de procurar comida no lixo.

No mês passado, um homem de 60 anos e a mãe atiraram-se da janela de um sexto andar em Atenas. Não conseguiam sobreviver com os 340 euros da reforma dela, única fonte de rendimento.

Estes são apenas dois casos…

O que estão os Governos a fazer na prevenção destas situações? Não se protegem os idosos. Não se pensa nas crianças. Eles não constam dos discursos políticos. Estes casos não os preocupam. Nunca ouvi nenhum político referir-se a este problema nem a lamentar-se, sequer («coisa pouca, irrelevante, não é motivo para alarme», pensam logo dizem). É preciso agir, urgentemente!!

Foi na Grécia, mas em Portugal a crise económica também já está a fazer das suas, pela calada, em silêncio. Nem imaginamos o que por aí anda e bem perto…

Há gente a sofrer porque não tem dinheiro nem emprego, ano após ano. Os problemas aumentam na casa dos gregos e dos portugueses. Há famílias ameaçadas. O divórcio também é uma consequência da crise, para além do suicídio.

Isto é que é importante resolver, assim como ajudar, educar, preparar as pessoas para enfrentar problemas desta natureza. Há tantos cursos e cursinhos e acções de formação que só servem para encher pneus. Ninguém está preparado para o pior. Ninguém nos ensinou e continuamos a não estar capazes nem a preparar para a vida, enquanto pais e professores.

Somos todos gregos

Dívida pública: um casamento de inconveniência

Para mim, que percebo tanto de Economia como muitos economistas, ou seja, nada, é aceitável a ideia de que os cidadãos de um país tenham de pagar as dívidas contraídas por esse mesmo país, tal como, de certo modo, deverá acontecer entre cônjuges num casamento com comunhão de adquiridos.

Recorrendo, ainda, à imagem do matrimónio, o modo como a história da dívida pública está a ser-nos contada pelos governantes poderia corresponder a qualquer coisa como um marido, depois de gastar o dinheiro comum em jogos de azar e em jantares com amigos, acusar a mulher de ter arruinado o casal por causa de um vestido que comprou há dois meses. O marido, representando, aqui, o governo, criticaria, então, a mulher, usando a frase da moda: “Tens andado a viver acima das nossas possibilidades.” Já se sabe que a pobre esposa será obrigada a contribuir para o pagamento da dívida, mas, a não ser que seja destituída, não admitirá que lhe atirem à cara culpas que não tem.

Tal como a esposa vilipendiada, até posso admitir que sou obrigado a pagar as asneiras de outros. Agradecia, no entanto, que não me dissessem que a gestão continuamente danosa de instituições como hospitais, meios de comunicação ou Segurança Social, a destruição sistemática do tecido produtivo ao longo de vários anos, as parcerias de lucros privados e prejuízos públicos, a nacionalização de um banco à custa dos contribuintes ou o desperdício sempre infindável e actual dos delírios madeirenses se devem ao facto de eu ter vivido acima das minhas possibilidades.

É claro que qualquer esposa tem, sobre mim, a grande vantagem de poder recorrer ao divórcio ou de usar uma frigideira como arma de arremesso. Mesmo não tendo escolhido o valdevinos com que me obrigam a viver, não só tenho de pagar o dinheiro que ele me gasta como ainda tenho de o ouvir dizer que a culpa é minha. Para além disso, não tenho força suficiente para atirar frigideiras para São Bento ou para Paris.

Maria Cavaco Silva pedirá o divórcio logo após as eleições

Promiscuidade do Presidente da República deixa primeira-dama revoltada

Depois de ter lido que Cavaco Silva volta a namorar funcionários públicos, a primeira-dama já declarou em círculos mais próximos que aguardará os resultados das eleições para pedir o divórcio, tendo acrescentado, entre soluços, que “pior do que a traição é ele ir meter-se com essa gentinha. Ainda se fosse com banqueiros ou assim…”

Entre os funcionários públicos, a notícia tem gerado um enorme mal-estar acompanhado de vómitos.

O elogio de José Sócrates

José Sócrates tem uma visão modernizadora para o país. A sua aposta nas energias renováveis e na sociedade da informação, via choque tecnológico, demonstram à evidência que o rumo escolhido pelo primeiro-ministro é o de alguém com uma ideia clara do que quer para o país que ama.
Com as energias renováveis, ficaremos menos dependentes das energias fósseis e de um futuro assustador para a Humanidade.
Com portugueses escolarizados do ponto de vista informático, temos as ferramentas indispensáveis para uma sociedade mais capaz e mais apta a enfrentar os desafios de um mundo em constante mutação.
E depois há as questões ditas fracturantes, que me fazem aplaudir José Sócrates pela coragem das medidas tomadas. A questão do divórcio veio corrigir uma flagrante injustiça que se verificava há muitos anos e que, como sempre, só prejudicava a parte mais fraca.
O aborto até às 10 semanas acabou com uma das situações mais vergonhosas do Portugal democrático – mesmo sendo contra o «aborto fútil» das classes média-alta e alta, entendo que nenhuma mulher pode ser criminalizada por exercer um direito.
E depois há o casamento «gay». Duas pessoas do mesmo sexo têm todo o direito de se amarem e de constituirem família. Com papel passado e com todos os direitos dos casais ditos normais. Normais por quê?
Numa sociedade mais aberta ao futuro e menos espartilhada pelos medos, complexos e preconceitos que nos foram inculcados pela Igreja Católica, estou em crer que o primeiro-ministro daria o passo seguinte: possibilidade da adopção de crianças por parte dos casais «gay», legalização da eutanásia, legalização das drogas leves, rescisão unilateral da Concordata com a Igreja Católica.
Aí sim, Portugal estaria ao nível dos países mais avançados do mundo e José Sócrates poderia finalmente dizer que os portugueses conseguiam acompanhar o seu ritmo progressista. [Read more…]

Podem os homens viver sem as mulheres?

 Recentemente ouvi um desabafo que não me saiu mais da cabeça.  Um homem contava, aparentemente sem drama nem cinismo, que, após um divórcio mais ou menos civilizado, havia desistido das mulheres. Ou melhor, desistira de relacionamentos com alguma profundidade.

 

Admitia encontros esporádicos, sem compromisso, desde que estivessem claras e fossem aceites por ambas as partes as condições em que os encontros decorreriam. Em síntese, seriam encontros sexuais com a garantia de que nunca se tornariam em algo mais do que isso. Se elas estivessem dispostas, claro. E aproveitou o embalo para fazer um elogio do celibato, garantindo que agora se sentia mais livre, mais autónomo, capaz de decidir sem amarras e sem cedências à vontade alheia.

 

Lembrei-me de uma velha canção do Tom Waits, “Better off without a wife”, um elogio à amizade entre homens e às vantagens de poder dormir até ao meio dia, sair quando se entende, ir de pescaria ou ficar a uivar à lua sem nunca ter de prestar contas a nenhuma mulher. Tudo isto com a ironia de Waits, ou não tivesse ele acabado por casar não muito depois de ter gravado essa canção. 

 

Para os homens da geração do meu pai, e salvo meritórias excepções, viver sem mulher comportava problemas logísticos de tal ordem que não seria exactamente uma opção. Quem cozinharia, quem trataria da casa, quem se ocuparia dos filhos? Quando, ao fim de décadas, se encontravam sozinhos, por divórcio ou viuvez, deparavam-se com um caos difícil de superar, constatavam a sua inépcia para resolver aquilo que sempre lhes parecera fácil, ou no qual simplesmente nem haviam reparado.

 

Actualmente podemos acreditar, com algum optimismo, que as mulheres já não são vistas unicamente como donas de casa ou mães, as relações entre homens e mulheres já não têm como um dos alicerces essa complementação de papéis: homem ganha-pão, mulher mãe/dona-de-casa, e já se pode ponderar se os relacionamentos, com as exigências que pressupõem, valem a pena. Os jogos de sedução iniciais, as cedências, os almoços com a família dela, os aniversários para recordar, os raspanetes pelas tarefas por cumprir, as exigências permanentes do romantismo, tudo isso desaparece num ápice e fica apenas a agenda telefónica.

 

Haverá quem diga que o que fica, nessas condições, é a solidão, o vazio pela ausência de laços afectivos sólidos com outro ser humano, mas também isso corresponde a um modelo de vida de que nem todos partilham. Este homem de que vos falava no início não se manifestava contra as mulheres, não proferiu nenhuma crítica, nenhum queixume. Tendo experimentado as alegrias e as amarguras do relacionamento conjugal, chegou à conclusão de que estava melhor sem ele.

 

Dizia Waits nessa canção: “sou egoísta no que respeita à minha privacidade, mas enquanto puder estar comigo damo-nos tão bem que eu nem acredito”.

Desculpem tanto tempo às voltas com este tema, mas confesso que, tal como imagino que deva acontecer com outras mulheres, a ideia de que eles possam e queiram viver sem nós parece-me estranhíssima.

 

Mas, tal como aceito que possa existir um clube de fãs do Fernando Rocha, ou vida fora do planeta Terra, também tenho de abrir espaço nas minhas crenças pessoais para essa possibilidade fantástica. A de que haja, entre o género masculino, quem esteja convencido de que não precisa das mulheres.