Uma década depois da Geração à Rasca

Faz hoje dez anos que muitos de nós ocuparam as principais ruas do país e da diáspora, naquele que foi o primeiro grande protesto contra a precariedade, organizado por fora das estruturas habituais. O que começou na Geração à Rasca continuou na Plataforma 15 de Outubro, na Acampada do Rossio, na Primavera Global e por fim na plataforma Que Se Lixe a Troika. Estou convencido que cada um destes movimentos, com méritos e defeitos próprios, nasceram todos neste dia e fazem todos parte de um movimento mais amplo a nível internacional, que esteve nas acampadas de Madrid, de Wall Street ou na ocupação da praça Tahrir, no Egipto, e marcou, de forma indelével a última década da resistência. Em Portugal não se teria derrubado Sócrates tão cedo e a Troika da Pàf talvez tivesse durado mais um governo. Não sabemos, mas sabemos que ninguém se arrepende de ter dado o corpo ao manifesto.

Comments

  1. JgMenos says:

    Salvos pela geringonça!!!

    • POIS! says:

      Pois com essa é que lixou o Renato!!!!

      Que eloquência!!!! Que profundidade!!!! Não há palavras!!!!

      Não é preciso mais nada!!!! Pode V. Exa. tirar o resto do dia de folga para a sua atividade dileta dos fins de semana: a de ir à erva para nutrir a Venturosa Coelha!!!!

      !!!!

      • Renato Teixeira says:

        Pois, mal sabe o erudito que contas feitas à geringonça ela lhe serviu mais a ele do que a nós.

  2. Filipe Bastos says:

    Tem de se começar por algum lado, e estes movimentos são melhores que nada. Admito que tenham tido algum valor.

    Ainda assim é muito pouco, muito tarde. Nada mudou realmente. Os mamões nem foram incomodados. Assistiram do conforto das suas mansões. Até a recente histeria BLM, cheia de fúria e gritaria, só incomodou classes médias e baixas.

    É a história do costume: ou passeatas inofensivas a que ninguém liga, ou greves que só incomodam quem trabalha, ou violência e carros partidos apenas a pobres e remediados.

    Veja-se o Mamão Salgado, ou o Trafulha 44. Como podem estar tranquilos nas suas vidinhas? Que raio de cornos mansos somos?

    • Paulo Marques says:

      O melhor é ficar nas redes sociais a insultá-los a todos; a verdadeira revolução é no sofá, onde não se mama nada.

      • Filipe Bastos says:

        Ficar no sofá ou ir passear à avenida, na prática, muda o mesmo. Fazer greves, partir lojas ou carros de gente pobre ou remediada, como fazem os seus heróis BLM, também – com a agravante de piorar a vida dessas pessoas.

        Se v. fosse um DDT, seguro e confortável na sua casinha ou iate, isso preocupava-o? Não, pois não? Ora pense lá o que poderia preocupá-lo; pense lá um bocadinho.

        • Renato Teixeira says:

          Curiosamente, até a Justiça, que até 2011 pouco ou nada tinha feito, passou a apresentar trabalho. Ou vai dizer que alguns dos DDT continuam como se nada se tivesse passado?

        • Filipe Bastos says:

          Que mudou, Renato? O 44 continua à solta, certamente não passa fome. O Mamão Salgado há-de morrer de chinelos na Comporta. Bava, Granadeiro, Mota, Mexia, toda a classe pulhítica… ah, prenderam o Vara! Viva!

          Claro que até lhe descontaram a prisão domiciliária… mais uns mesitos e está cá fora. Com a massa intacta, quer apostar? O Partido Sucateiro trata disso.

        • Paulo Marques says:

          Nada. Neste momento, literalmente nada me preocupava. Pelo contrário, ficava tão aborrecido que começava a cometer crimes fiscais e burlas a ver o quanto podia abusar. Ou a imortalidade, isso também lhes costuma dar.
          Estava à espera que respondesse uma revolução? Por quem? Acabavam a lutar uns contra os outros ao fim de uma semana, como já fazem, a ver quem era mais puro. O mais perigoso era um líder carismático, mas são todos neutralizados diariamente por falarem bem e não criarem emprego.
          E a maioria do meu capital estaria numa república das bananas assegurado pela finança, era só mudar para o país do lado e fazer um choradinho, lá vinha uma missão de pacificação.
          Não, só há mesmo a revolução dentro do sistema com melhorias mais ou menos incrementais a começar de baixo. O que o Filipe não quer, como no 1984 não há esperança nos proletários.