Rui Rio, o amordaçado líder da oposição

Quando confrontado com a expressão “democracia amordaçada”, utilizada recentemente pelo mesmo Cavaco que tentou amordaçar a arte de Saramago, Rui Rio afirmou que “não iria por aí”. Mas foi bom senso de pouca dura. É que, imediatamente a seguir, num acto de calimerismo político que não é novo, Rio queixou-se da falta de comentadores afectos ao PSD, indo mais longe e afirmando “Identifiquem-nos já comentadores que não sejam afetos ao PS”, transportando a discussão para o patamar da demagogia barata.

Em 2019, um trabalho jornalístico de Paulo Pena revelava já que, apesar da maioria de esquerda existente no parlamento, a representatividade dos partidos de direita no comentário televisivo era bastante superior à dos partidos de esquerda. Era, no fundo, desproporcional à sua representação parlamentar, sendo que, nessa óptica, o CDS surgia como o partido mais beneficiado, sendo o PCP o mais prejudicado. A tal comunicação social controlada por comunistas.

Mais recentemente, no final de 2020, um estudo com chancela do Observatório Europeu do Jornalismo, conduzido por Gustavo Cardoso, Paulo Couraceiro e Ana Pinto-Martinho, veio confirmar que essa tendência que se mantém, tendência essa que se verificou durante todos os anos, desde que António Costa subiu ao poder. O mesmo estudo revela ainda que 56% dos comentadores televisivos com filiação partidária são de partidos de direita, sendo o PSD o partido mais representado (8), seguido pelo PS (7) e pelo CDS (5). Nota ainda para dois comentadores ligados ao BE e apenas 1 para PCP, IL e Livre. PAN, CH e PEV não têm qualquer militante em espaços de comentário político.

Não que isso signifique que comunicação social esteja amordaçada, mas a verdade é que a direita continua a ter a hegemonia do comentário político. Uma hegemonia algo exótica, se considerarmos a desproporcionalidade do peso de um partido como o CDS, que hoje representa bem menos eleitores que PCP e BE, e disputa sondagens com o PAN e o Livre, mas que, ainda assim, consegue ter mais comentadores televisivos que estes quatro partidos juntos. E poderíamos ainda entrar aqui numa outra discussão, que tem a ver com os dias e horários dos espaços de comentário, variável que pende também para o lado direito. Para uma outra oportunidade, talvez. Por hoje, sublinhe-se apenas a calimerice de Rui Rio, o amordaçado líder do partido com mais comentadores nos espaços de debate televisivo.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Sou tentado a concordar com Rui Rio. O homem está cheio de razão. Só vejo aqui gente Socialista e de extrema esquerda.
    Senão vejamos:

    Paulo Portas – TVI – Telejornal Domingo
    Marques Mendes – SIC – Telejornal Domingo
    José Gomes Ferreira – SIC – Comentador habitual e Sub Director da SIC
    Helena Garrido – Comentadora de temas económicos e políticos na RTP 1
    Miguel Poiares Maduro – RTP – Telejornal Domingo
    Pedro Norton – RTP – Sexta RTP3 e Telejornal Domingo RTP1
    João Miguel Tavares – Público – Rádio Observador e SIC (Governo Sombra)
    Pedro Mexia – SIC ( Governo Sombra) – Expresso
    Rodrigo Moita de Deus – RTP 2 ( o último apaga a luz)
    A CS está infestada deles, socialistas, como podem ver pelos nomes citados em cima, e não pus todos, ao ponto de terem expulso da CMTV, o único PSD “de bem”, o André Ventura.
    Fora com a comunada, porra!

    • Rui Naldinho says:

      Será que Rui Rio, sempre a queixar-se da malta do Observador e do Expresso, os acha socialistas?
      Ou será que Rui Rio é politicamente daltónico?

    • António Candeias says:

      E a nova aquisição de o Pedro Duarte, e alguns que agora as TVs deixaram de colocar o partido a que pertencem, fica só o nome e comentador

      • Rui Naldinho says:

        É verdade. Esqueci-me desse que contracena com aquele sociólogo do BE.


  2. Tem razão!
    Isto é tudo comunistas que comem criancinhas!!

  3. Filipe Bastos says:

    Sem tirar razão ao João e ao Naldinho, os comentadeiros são acima de tudo entertainers. Como as estrelas da bola valem pelo individual, seja qual for o ‘sistema’ dominante.

    Ninguém ouve a D. Portas por ser do CDS; é por ser a D. Portas. Já o Mamão Xavier, que escapou ao Naldinho, é certamente imposto pelo ‘sistema’, creio que poucos o ouviriam pelos dotes oratórios; mas por ex. o Chulão Júdice há-de ter fãs de esquerda.

    Claro que interessa aos donos dos media ter spin doctors e opinion makers que sejam favoráveis ao capitalismo e que branqueiem a mama, mas dependem mais do seu dom de agradar à carneirada, como o Prof. Martelo, do que da ideologia.

    Uma questão melhor seria: porque tendem a ser de direita?

    • Paulo Marques says:

      Porque não são entertainers, são vendedores e propagandistas.

      • Filipe Bastos says:

        Isso explica a oferta. Falta explicar a procura.

        • Paulo Marques says:

          A procura é por quem quer notícias e “análise” de forma rápida, tom sério, e de acordo com a narrativa com que foram embebidos desde educação. De preferência com um Outro a culpar para não ter que pensar muito.
          E, sim, isso também acontece à esquerda, mas a esquerda que não faz parte da TINA não tem grande presença pelo menos no meu tempo, por isso não é muito relevante no burgo.

  4. luis barreiro says:

    Saramago o reles filho da puta que quando o pcp invadiu e roubou o jornal, colocou-o como títere e a primeira ordem foi despedir todos os trabalhadores que não eram comunistas, incluindo quem era da restante esquerda e extrema esquerda.

    Mandou para a rua trabalhadores que naquele tempo não tiveram direito a fundo de desemprego, e alguns funcionários que tinham acabado de ser pais.

    Como é possível independentemente do seu valor como escritor, este ser execrável que quando confrontado por quem ficou na rua sem nada, e com filhos recém nascidos de um momento para outro, a resposta dele ser que comam …