Derek Chauvin condenado pelo assassinato de George Floyd

O assassino de George Floyd foi justamente condenado mas, como tantos outros casos o demonstram, a condenação dificilmente seria a que foi se a resposta popular não tivesse acontecido. Os arautos do lema “à justiça o que é da justiça” deviam pensar que a justiça é menos injusta quando é obrigada a ouvir o que se passa para lá das portas dos tribunais. Não se trata de voltar ao tempo dos linchamentos e das fogueiras, nem tão pouco de transferir para as redes sociais ou para os fósforos que deixaram os EUA a ferro e fogo a tarefa do sistema de justiça, mas trata-se de não deixar que os tribunais, por mecanismos que ninguém entende, arrisquem um exercício da lei contrário às evidências. Todos vimos George Floyd a ser barbaramente assassinado por Derek Chauvin naqueles intermináveis oito minutos. O vídeo que o registou até pode ser ilegal, mas sem ele teria prevalecido a tese da defesa e seria só mais um negro sem nome a morrer de ataque cardíaco, na vala comum da brutalidade policial. Esta sentença não resolve tudo, mas deixa os racistas fardados, nos EUA e no mundo, com o gatilho mais manietado.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Subscrevo o seu comentário, oportuno, mas qualquer analogia com o caso Sócrates, não colhe.
    Em Portugal os crimes de sangue são normalmente punidos, enquadrados na lei que temos. Pena máxima de 25 anos. Podemos discutir a moldura penal, mas ê a que temos.
    Este polícia foi condenado, mas desconhece-se para já a pena, que em função do enquadramento legal que lhe for dado, pode ir de 10 a 40 anos. Nesse enquadramento ainda pode haver atenuantes ou agravantes.
    Nos caso dos crimes de colarinho branco, os EUA não são muito melhor do que nós, apesar da falsa propaganda feita por certa imprensa, recordando o caso Madoff. Nem mesmo no resto da Europa.
    Madoff foi engavetado porque ludibriou e comeu de cebolada uma série de tubarões da economia americana. Isso foi-lhe fatal. Foi isso que fez a diferença na Justiça, no caso Madoff, e nada mais. Os tubarões.
    Já em Portugal, enquanto o crime económico não tiver um enquadramento legal, todo ele transversal aos vários intervenientes no sector económico, que apanhe toda a nossa elite, sem exclusão de partes, desde as nomeações às privatizações, as nacionalizações, os fundos comunitários, as ajudas de Estado, o enriquecimento ilícito, os alvarás, com obrigatoriedade de escrutinar o património pessoal e familiar, enfim, um cem número de manigâncias possíveis, não há volta a dar-lhe. Mas isso eles não querem. O que eles querem, e você sabe a quem me refiro, é “uma lei que apanhe meia dúzia de plebeus em contramão”, apenas por serem plebeus, que isso de gamar dentro da lei é só para as elites e as suas negociatas.
    Não dou para esse peditório.
    Como diz o povo:
    Ou há moralidade ou comem todos!

    • Renato Teixeira says:

      A analogia é com os casos análogos, sobretudo nos EUA, com os assassinos, sobretudo os fardados, quase sempre sem sequer irem a julgamento. Basta ver o histórico de polícias condenados para que a analogia se faça pela medida justa.


  2. Por uma vez totalmente de acordo com o post e com o anterior comentário.. E, sem querer armar em “professor” não é “um CEM número de manigâncias” mas sim “um SEM número de manigâncias”.

    • Rui Naldinho says:

      Obrigado, pela correção.
      De facto deve escrever-se “um sem número de manigâncias”, expressão essa que significa, um número indeterminável de manigâncias, e não como se pode pressupor do texto, 100% de manigâncias.


  3. O Naldinho vem agitar o caso Madoff como se fosse um paradigma do que quer que seja, mas omite como fazem todos os media que o banco que sustentou, apoiou e muito ganhou com o caramelo, nada sofreu com este caso.
    O Renatinho ( não confundir com o Renatão) agita a condenação do polícia energúmeno. OK, mas convém não esquecer que foi condenado por assassínio “involuntário”. Ou seja, o bófia não queria matar o preto. Foi só um chega pra lá.
    Jusdtiça? O caraças!!!!!

    • Paulo Marques says:

      Mas é verdade, não foi planeada, porque o plano é do sistema, e o grunho não tem inteligência para tal. Teve o azar de ser apanhado numa estado com uma lei classicista que “equivale” a pena, azarito.

  4. POIS! says:

    Este post suscita-me dois comentários:

    Primeiro: o video pode não ser ilegal, mesmo no nosso ordenamento jurídico. No norte-americano, aliás, dificilmente o seria. Pode haver aqui o que se chama uma causa de exclusão da ilicitude, visto que o bem jurídico tutelado, e em perigo – a vida e mesmo a simples integridade física sujeita, neste caso, a ficar afetada por danos permanentes – era claramente superior ao de outros bens jurídicos envolvidos, nomeadamente os direitos à imagem, e outros de personalidade, dos polícias. Por isso, dificilmente se poderia ignorar o dito video como meio de prova.

    Até porque, posteriormente, apareceram mais.

    (Não vou alongar-me sobre isso mas, no caso do processo de Sócrates, a utilização ou rejeição de certas escutas como prova não é um caso semelhante a este. Por várias razões, até pelo valor dos tais bens jurídicos tutelados. Por muito que custe a alguns, qualquer vida humana tem um valor bem superior a uns “quaisquer” milhões de euros).

    Se, por exemplo, alguns dos presentes, em desespero de causa, tentassem agredir os polícias para conseguir por termo àquela ignóbil ação, o raciocínio seria o mesmo.

    Segundo: a ação das pessoas presentes foi decisiva neste caso. Podiam ter-se intimidado, ficado indiferentes, mas não: todas, á sua maneira, agiram. O javardo Chauvin foi várias vezes avisado pelos presentes das consequências do que estava a fazer. Uma socorrista pediu para examinar Floyd e foi-lhe recusado. Um instrutor de artes marciais avisou-o que aquela ação iria causar a morte de Floyd (a certa altura, perdeu a cabeça e chamou alguns nomes aos guardas, o que foi canhestramente utilizado pela defesa como “intimidação”. Outros tentaram chamar, com calma, os guardas à razão, sempre sem sucesso. Um dos superiores de Chauvin também fez avisos que caíram no vazio.

    Estou a chamar a atenção frequente as pessoas alhearem-se, mesmo em situações que não envolvam atividades ilícitas. Ainda há um mês uma familiar minha teve essa experiência ao encontrar um vizinho prostrado e em perigo. Várias foram as pessoas que se recusaram a ajudar…a desculpa foi “a pandemia”…

    • Filipe Bastos says:

      Pois são esclarecimentos pertinentes, como é habitual do POIS em questões legais. Duas notas:

      O Chauvin é certamente um javardo, mas este desfecho levou ao previsível branqueamento do Floyd, que não era nenhum escuteiro – era um criminoso grande e forte que já participara em pelo menos um assalto violento.

      Condenar o Chauvin não implica, como fez o BLM e faz a histéria woke, pintar Floyd como mártir inocente. Isto é também racismo: como é preto tem de ser bom. Se qualquer dos ‘progressistas’ encontrasse o Floyd numa rua escura, rapidamente lhes passava a wokice.

      Quanto às escutas do 44, uns milhões dão para salvar muitas vidas humanas. Todos os pulhíticos deviam estar sob escuta; a rejeição das escutas do 44 é mais um crime lesa-pátria.

      Mais uma demonstração das leis absurdas e da ‘justiça’ faz-de-conta que temos; da impunidade recorrente e garantida destes pulhas; da ingenuidade, torpeza ou pobreza de espírito de quem defende este regime mafioso.

      • POIS! says:

        Pois tá bem!

        E porque não V. Exa? Por que razão não devia estar sob escuta?

        No dia em que os “políticos” deixarem de ser cidadãos está o caldo entornado. Como é que V. Exa. tem garantias de que quem escuta não é um pulha pior ainda?

      • Filipe Bastos says:

        Se eu me tornar político devo também estar sob escuta. Como é óbvio. Porquê? Porque serei um servidor público; vou viver à conta do contribuinte; vou ter poder sobre matérias e dinheiros públicos; vou ter acesso a meios, pessoas, entidades e decisões a que v. não tem.

        E como político, conheço não só a máxima da mulher de César como a natural desconfiança dos cidadãos para com a minha classe: foram +40 anos de podridão e corrupção, de saque e bancarrotas impunes.

        Logo, sujeito-me. Torno-me automaticamente suspeito. Sabe quando entra ou sai duma loja e à porta passa por aqueles detectores? Não estão a chamar-lhe ladrão: estão a chamar-lhe potencial ladrão.

        Não é nada contra si; é assim para todos. E v. aceita o facto. Isso ofende-o? Então não vá à loja. É simples.

        A máfia dos partidos ofende-se com as escutas? Não se candidatem. Deixem a pulhítica. Vão trabalhar. É simples.

        • POIS! says:

          Pois desculpe mas…

          V. Exa. é político! Manda papaias anarco-moraleiras por aqui todos os dias e faz apelos que se destinam a ser seguidos por outrém (já que V. Exa. não tem tempo, é compreensível…).

          Logo, deveria estar sob escuta.

          Se não o quiser ser, pois deixe-se de moralices. Vá trabalhar. É simples!

          • Filipe Bastos says:

            Pois é uma confusão natural.

            Quando se passa a vida a chamar ‘políticos’ a meros pulhíticos e ‘política’ a mera pulhitiquice – quem disse ou quem se candidata a quê, tricas do esgoto partidário – não espanta que também se confunda umas postas num fórum com um cargo real pago com os seus impostos, se os paga.

            Mesmo quando explicam – ser um servidor público; viver à conta do contribuinte; ter poder sobre matérias e dinheiros públicos; ter acesso a meios, pessoas, entidades e decisões a que o resto do público não tem – persiste a confusão.

            É natural. Tal como chamar ‘anarco-moralismo’ a críticas a este regime podre: habituamo-nos a tudo, até à podridão. O inimigo da podridão torna-se assim nosso inimigo.

          • POIS! says:

            Pois pois!

            Estamos na hora basto-moralista. O anarca, tendência Breivik mas desarmado, segue dentro de momentos.

            Pronto, temos de colocar os políticos sobre escuta. E quem não quiser ser político, vá trabalhar. E a mulher ou o homem do político, se não quiser ser escutado, que mude de cônjuge. E os filhos do politico, se não querem ser devassados, pois que renunciem à ascendência. Se forem os pais, que se suicidem, já que será muito difícil, no Regime Anarcobastos, alguém poder sequer suportar ter feito a asneira de ter concebido um político.

            E quem telefonar ao político, será desde logo constituído automaticamente suspeito (arguido não, que dá direitos e isso não convém).

            Tudo isto governado por um sistema de escutas que seria, obviamente, dirigido por um Bastos acima de qualquer suspeita, a não ser que telefonasse a alguém e, por acaso, esse tipo fosse um político. Nesse caso seria substituído prontamente por outro Bastos.

            O lema será: “Big Bastos is watching you”!

            O totalitarismo, desde que ao nosso serviço, é uma coisa maravilhosa!

          • Filipe Bastos says:

            Todos podem ligar a todos, POIS: o que interessa é o que dizem e o que fazem.

            Se desejar boas festas a um político é entre v. e ele. Se ligar para obter vantagens deixa de o ser. Não é evidente? Porque insiste em fazer-se de obtuso?

            O objectivo é vigiar quem decide e moralizar – sim, à força – o esgoto a que chamamos política. Sim, os familiares comem por tabela, mas nada disto é feito em segredo; ninguém vai ao engano.

            Ou acha que os políticos são vítimas? Gosta de ser chulado, roubado e gozado? Será daqueles que ao chegar a casa e ver a esposa e um tipo nus na cama, fecha a porta e sai para não incomodar?

      • Paulo Marques says:

        Que é que interessa quem era, um homicídio é um homicídio, nem que fosse do Epstein. O porco nem sequer fez a detenção, saiu do carro depois desta para o torturar.
        Mas percebo que o maoista ache isso normal.

        Quanto às escutas, se quer que mais facilmente estados e empresas estrangeiras e nacionais façam chantagem, graças a fugas, é uma teoria.

    • Abstencionista says:

      Querido Xô,

      Gabo-te o gosto pelo conteúdo do texto que copiaste algures.
      Totalmente de acordo!
      Mas depois voltas ao teu estilo trauliteiro, sem conteúdo e sem forma, revelador da tua bipolaridade moral.

      “No dia em que os “políticos” deixarem de ser cidadãos está o caldo entornado.”

      Esta técnica dos abrantes de tentar misturar alhos com bugalhos é conhecida e o seu manual já anda pela Torre do Tombo.
      Puxa pela tola e vais ver que há uma grande diferença entre o “cidadão que é político” e o “cidadão comum”.

  5. Luís Lavoura says:

    Há duas coisas que não entendo neste crime. Se alguém me puder esclarecer…
    (1) Chauvin fez aquilo a Floyd por sua própria decisão, ou alguém o mandou fazer? Não havia outros polícias no local? Não havia no local um polícia-chefe, que dissesse a cada um dos restantes polícias o que cada um devia fazer? Se havia um polícia-chefe, não deve este ser condenado por ter sido o mandante da atuação de Chauvin?
    (2) Os polícias (Chauvin e os restantes – um polícia nunca atua sozinho) não dispunham de algemas ou outra forma de imobilizar Floyd sem ser com este recurso, delapidador de recursos humanos, à força bruta? Para que está um polícia a ocupar-se o tempo todo de um (presumível, alegado) criminoso, em vez de o algemar e de tratar de ocupar o seu tempo de forma mais útil?

    • Paulo Marques says:

      1 – decidiu sair do carro, depois de ser algemado, e fazer aquilo durante 8 minutos, apesar de chamadas de atenção de paramédicos, enquanto os colegas practicamente nada disseram. Porque sim. Ponto.
      2 – porque não há nada mais útil de que por os pretos no seu lugar, já que são todos criminosos. ‘Murica, fuck yeah.