15 de Abril de 2009

Foi a 15 de Abril de 2009. A minha primeira vez.

Quando me perguntam o que mais gosto no Aventar respondo com uma simples palavra: Liberdade. Por sinal, a palavra mais bela. A palavra com sentido.A palavra para expôr ao vento.

Arrepiante!

Há uma ligação muito especial das estruturas de alguns clubes ao próprio clube. A Real Sociedad e o Athletic Bilbao são exemplos disso. Calhou ser a Real Sociedad a levar a Taça para casa e o treinador deu-nos esta pérola. Este exemplo de amor ao clube. Isto é Futebol no seu estado mais puro.

O riso de Louçã e o histrionismo da direita

Na sua rubrica semanal da Sic Notícias, Francisco Louçã troçou de Aline Hall de Beuvink, a propósito de umas declarações proferidas quando era deputada à Assembleia Municipal de Lisboa, em 2019. Na ocasião, Aline Hall relacionou o mito de que os comunistas comem criancinhas com o Holodomor, o que é, no mínimo, discutível.

Francisco Louçã esteve muito mal ao transformar este episódio numa afirmação de que o canibalismo infantil dos comunistas era uma realidade: Aline Hall foi muito clara ao classificar isso como um “mito”. Louçã terá querido ridicularizar uma pessoa de direita, mas foi, no mínimo, descortês, distorceu, de modo desonesto, um enunciado claro e portou-se como outros que quiseram transformar a metáfora de Mamadou Ba num discurso de ódio. Ficaria bem a Louçã pedir desculpa, mas temo (e lamento) que isso nem lhe passe pela cabeça.

A direita, no entanto, incluindo a pessoa visada, quis transformar a troça de Louçã numa ridicularização ou mesmo negação do Holodomor, o que não corresponde à verdade. Há, contudo, para isso, razões que a razão desconhece: o ódio cego à esquerda que provoca descargas de adrenalina e de consequente tresleitura ou a mais absoluta desonestidade, aliados a um forte desejo de criar falsas equivalências entre ideologias com base na prática. Histrionismo – palhaçada, para os amigos.

Gisberta Salce Júnior

Em 2006, Gisberta Salce Júnior foi assassinada na cidade do Porto. Gisberta era uma mulher trans e foi vítima de um crime de ódio. Aqui podem ler a História.

O meu Porto, a minha cidade mui nobre e leal, sempre teve valores de resistência ao ódio e ao totalitarismo. Foi o Porto que resistiu contra o absolutismo no século XIX e, mais recentemente, foi o Porto que deu o maior NÃO a André Ventura. Este crime não se enquadra nos valores mais básicos que uma sociedade civilizada deve ter. Muito menos os do Porto.

De pouco vale, porque a Gisberta não voltará, mas ela merece uma homenagem digna e merece saber, esteja onde estiver, que o Porto não tolera o ódio. Esta foi a casa da Gisberta.

Para quem leu sobre o crime, tudo parece ter sido tenebroso. Tenha sido, ou não, motivado pelo ódio, foi com certeza uma atrocidade e aquela pessoa esteve em agonia durante muito tempo. Teve outro condão: o de chamar a atenção para a transexualidade, trazendo o debate à sociedade portuguesa.
Por tal, sim. Faz sentido homenagear a Gisberta, mesmo que certas senhoras na assembleia municipal considerem que “não fez nada pelo Porto”. Sim, é verdade que enquanto pessoa individual, a Gisberta, enquanto cá esteve, não fez nada de mediático na cidade; mas foi uma vítima (e diga-se que transexuais continuam a ser violentados e mortos todos os dias) que trouxe, pelo crime e pela sua identidade, um assunto estigmatizado para debate na praça pública. Rua Gisberta Salce Júnior no Porto, sim.

João L. Maio

Deixo-vos aqui o link para uma petição para atribuir o nome de Gisberta Salce Júnior a uma rua portuense.

Governe, Dr. Costa. De preferência à esquerda

Não percebo a polémica em torno da “coligação negativa” que aprovou o alargamento dos apoios sociais no combate aos efeitos económicos da pandemia. Por vezes, parece que nos esquecemos que quem realmente manda é o Parlamento, não o governo. Agora, no momento em que não convém a António Costa que assim seja, como em 2015, quando lhe correu tão bem que conseguiu governar, apesar de ter ficado atrás de Pedro Passos Coelho. A democracia representativa, quando nasce, é para todos. E o PS, que governa minoritariamente, e que até rejeitou acordos escritos com os antigos parceiros da Geringonça, que poderiam ter evitado mais este balázio no pé, já devia ter percebido isso.

As contas são algo complexas para um ignorante como eu, mas, grosso modo, a coisa custará uns 40,4 milhões de euros por mês. 3,3% da primeira injecção de 1200 milhões na TAP. 1%, se considerarmos as estimativas que apontam para um investimento total de 3700 milhões até 2024. Substituindo TAP por Novo Banco, estes 40 milhões equivalem a uma miserável percentagem de 0,4% dos 11.263 milhões que já torramos no banco “bom”, até Maio de 2020. 2,2% do custo anual da corrupção em Portugal, estimado em 1820 milhões pelo relatório de 2018, The Costs of Corruption across the EU, do grupo parlamentar dos Verdes/Aliança Livre Europeia. Mas como este é ano de autárquicas, prevê-se um aumento substancial nesta rubrica, pelo que aquela percentagem ainda deve descer. Peanurs, como dizia o outro. E com tanta despesa por executar, tantas cativações e a bazuca quase quase a chegar, não há de ser por 40 milhões por mês que não se ajudam as muitas vítimas das medidas de confinamento.

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