Ode, mira este Portugal

O que me diz toda esta polémica com o caso de Odemira? Que é o Portugal de sempre. O Portugal que assusta qualquer um que o “mire” de fora.

Num breve resumo: temos um empreendimento turístico que concorre de forma desleal com muitos outros na região. Cujo investimento foi feito com batota, ou seja, com empréstimos a fundo mais que perdido ou a fundo de amigo, via BES. Temos explorações agrícolas que concorrem de forma desleal utilizando mão de obra escrava. Temos um Estado que faz de conta que não vê nada. Reguladores que não regulam nada. Autarquias que não se preocupam com nada. E depois, quando a coisa dá para o torto temos o tradicional “não sabia”.

Reparem, o Senhor Zé tem uma exploração agrícola onde paga aos seus trabalhadores cumprindo integralmente as leis do trabalho a concorrer com o Zé S.A. que escraviza os seus trabalhadores. E vão os dois vender ao mercado em pé de igualdade e, claro, o Zé da S.A. consegue ter preços mais baixos que o Senhor Zé. Agora é substituir a exploração agrícola pelo restaurante, pela loja de roupa, pela mercearia e passar de Odemira para Lisboa, Porto, Braga, Vila Real e por ai fora. O mesmo se diga no tocante a “resorts” e o pequeno investidor que criou um turismo de habitação ou um Hostel. Quando vemos e lemos a “engenharia” financeira na base da criação do ZMar é todo um Portugal dos pequeninos, do amiguismo, das velhas famílias, dos chegados ao Terreiro do Paço. O BES empresta sem as garantias que exige ao comum dos mortais. As autoridades fazem de conta e deixam construir onde não é permitido ao comum dos mortais e quanto a impostos, vou ali e já venho. Ora, isto não é liberalismo económico. Nem se pode chamar a isto capitalismo selvagem. É pior, é crime sem castigo. É Portugal.

Ora, eu gostava de ver a Iniciativa Liberal a falar a sério sobre isto. A explicar que esta merda não é liberalismo, que esta merda nem capitalismo é. E sim, sou mais exigente com a IL do que com os outros nesta matéria. Porque dos outros já não espero nada. Trabalho escravo, violação das regras da concorrência, abuso de poder é o resumo do que se passa por estes dias nas notícias.

É Odemira a ser o espelho de Portugal.

Comments

  1. Nuno Pinheiro says:

    Talvez o senhor acha escravidão, a IL só encontra duas pessoas que negociaram livremente uma troca de serviços e que o estado não tem nada haver com isso.

    • Fernando Moreira de Sá says:

      Nuno Pinheiro, quais pessoas negociaram “livremente”? Os trabalhadores asiáticos? Os mesmos que vivem em condições miseráveis? Os que ficaram sem o passaporte? Só para eu perceber do que estamos a falar.

      • Nuno Pinheiro says:

        Passaporte, isso é burocratizar para a IL. Sarcasmo meu. Não espere a IL nesse campo da escravatura. Eles são a favor dela. Direitos laborais é coisa de comunista. Sabe-se bem quais eram os direitos laborais que os empresários/empreendedores ofereciam aos seus operários sem o estado forçar a nada. Isto é auto-regulação do mercado.

  2. Paulo Marques says:

    Cuidado, se começar a substituir muito ainda se apercebe do que é o neoliberalismo, não só em Portugal, lol, mas no mundo.

  3. Filipe Bastos says:

    “…esta merda não é liberalismo, esta merda nem capitalismo é.”

    Não é?

    Concordo com o resto do post, mas como diz qualquer direitista quando se constata que Cuba, a URSS, a RDA, a Coreia do Norte, todos os regimes ditos comunistas não são socialismo, então “onde existe esse capitalismo puro e bom”?

    Resposta: existe nesse imenso e glorioso país que é a cabeça dos direitistas. Na cabeça da IL, na cabeça do PSD Passista, ou na de jovens como o Francisco Figueiredo.

    Livre das amarras do mundo real e até dos seus próprios princípios, como o esmagamento da concorrência ou a maximização do lucro, o capitalismo pode assim florescer lindo e puro, até ao futuro mágico onde todos serão prósperos e ninguém será explorado.

    Malta mais nova como o Chico Figueiredo talvez consiga ainda crer em tal fantasia; os outros pensam tal e qual como já disse o Nuno Pinheiro: regulação e direitos são queixinhas de comunas. Isto é ‘o mercado a funcionar’.

  4. JgMenos says:

    ‘quando a coisa dá para o torto?
    À parte o surto epidémico, que pouco difere de outros lugares, o que é que deu para o torto?
    Estarão os imigrantes menos confortáveis do que nos seus países?
    Sendo o trabalho temporário dá para especular sobre ‘condições de vida’?
    Onde está a indignação de toda essa cambada histérica com os centos de sem-abrigo que povoam as cidades portuguesas?
    Hsteria esquerdalha + puteiro mediático + Cabrita idiota

    • Paulo Marques says:

      Onde está a indignação então, Menos? Como a sobre Ihor, ou sobre os lares desregulados, é para tirar da cartola só para mandar tiradas?

  5. Carlos Almeida says:

    Um garda oivros alarista, ocupado com o abrigo ?????
    A Sipaco Pinto do FNE também andada sempre mito preocupado

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