Favores

«As pessoas já não têm tanto medo do vírus, ou seja, o vírus já não está a nosso favor»

Subintendente José Nascimento – PSP Coimbra

(Vídeo usurpado ao Telmo Azevedo Fernandes)

Que refrescante é quando a espontaneidade de pessoas broncas faz a verdade flutuar. Este despudorado agente da autoridade vem confirmar o que há muito se sabia: o vírus é o pretexto perfeito para a imposição ilibada de um estado policial. O senhor fê-lo de forma tão natural e ingénua que podia ter passado completamente despercebido. É isto que torna este vídeo particularmente delicioso: o senhor – na sua bolha de déspotas – está completamente alheio à gravidade desta sua confissão.

Partidos, comunicação social, polícia e influencers vivem a vida confrontando obstinadamente a realidade como se fosse inimiga dos seus propósitos – porque é. Remam contra a maré da racionalidade para conseguirem manter aceso o medo que lhes concede impunidade nas mais ultrajantes decisões repressivas. Um exemplo perfeito disto é o manicómio diário que vivemos com o uso de máscara no meio da rua. Para boa informação da população e adequada gestão emocional da pandemia, era necessário convencer os portugueses de que a máscara na rua é completamente despropositada, para não dizer uma estupidez olímpica. A DGS não se limita a pecar por silêncio: fazem um esforço activo por manter o teatro, sacrificando a saúde física e mental de crianças no processo.

Isso cria um cenário perfeito em que cada saída de casa nos faz sentir num episódio de Black Mirror. Nada melhor do que este terrorismo visual para perpetuar a ansiedade coletiva. Contagiaram-nos com a sensação de que toda a gente à nossa volta – a horda de zombies açaimados – está potencialmente doente. Parecem estar: vejam aquela gorda, a subir a rua com as compras neste dia de sol abrasador, a suar como um porco, a ofegar como um bulldog asmático. Não tira a máscara: deve estar doente. E este jovem e aparentemente saudável estudante, neste dia de tempestade, com o rosto encharcado e a máscara tão translúcida que permite ver os contornos da sua boca? Há muito que a máscara já não o protege, mas ele não a tira: deve estar muito doente. E assim se preserva esta pusilanimidade colectiva.

Esta orquestrada encenação tem vários métodos e ramos de acção. Por ser o mais musculado e temido, a polícia é o principal. Não são os maestros desta porcaria, são meros peões armados, mas isso não os iliba. Enquanto garante dos direitos e segurança dos cidadãos, deviam ser os primeiros a manifestarem-se contra os abusos desumanos que estão a ser pressionados diariamente a levar a cabo. Era seu dever demarcarem-se de proibições de atravessar concelhos, de multas por comer gomas e restantes incidências trágicómicas. Optaram, no entanto, por pôr-se do lado do vírus. Do lado em que o vírus estava “a seu favor”. Ficarão no lado negro da história por sua própria admissão.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Concordo com tudo, mas só nominalmente se é obrigado a usar máscara na rua. Eu nunca uso e nunca ninguém (nem sequer polícias) me chateou por esse facto.
    É obrigatório usar máscara se não se tiver condições para manter o distanciamento de segurança, mas isso só acontece, na prática, se se estiver a aguardar numa fila ou coisa parecida. Na prática, na quase totalidade das situações não é de facto obrigatório usar máscara.

    • Paulo Marques says:

      Não é obrigatório, nem é particularmente útil, não tivessem as organizações de saúde metido os pés pelas maõs ao não questionarem porque é que um único paper com 50 anos não batia com a realidade (sobre diferenças e semelhanças entre aerossóis e gotículas).
      Mas ao menos a ciência mudou, já os narcisistas tinham, têm, e terão sempre razão – pelo menos os que sobrevivem.

  2. Paulo Marques says:

    Há bombas em Gaza, usar máscara é que é desumano. Há doentes a morrer por falta de oxigénio, usar máscara é que é desumano. Há crianças que não sabem nadar atiradas ao mar, usar máscaras é que é desumano. Já não choca houver histórias de mais alguém que foi violada, mas usar máscaras é que é desumano. Já estão planeados cortes a ordenados e pensões e mais desemprego antes de haver recuperação, mas usar máscara é que desumano. O ocidente açambarca vacinas e dita que patentes são mais importantes do que tentar salvar vidas, mas usar máscara é que é desumano.
    O sr. agente omite duas palavra, e já está justificada toda uma narrativa. Ao menos que servisse, que não vai servir, para se perceber que a polícia tal como existe não é para garantir direitos ou segurança. Mas como toda a crendice é idiotice narcisista, nem para isso é útil. Senão apercebiam-se que sabemos bem quem são os doentes.

    • Filipe Bastos says:

      Há bombas em Gaza, usar máscara é que é desumano.

      Lá está v. na frente do ‘Whataboutism do Mês’. Nem vale a pena competir, v. é o Bayern Munique da whataboutery.

      O sr. agente não omitiu; disse exactamente o que lhe ia na cabeça. Muitos srs. agentes adoraram o covidas.

      Lembra-se da experiência de Stanford? Ter poder sobre os outros é o sonho; o covidas foi a sua realização. A autoridade reforçada pela ‘pandemia’, a prepotência justificada pelo suposto bem comum.

      Outros gostaram do covidas por outros motivos, claro: sobretudo os que ficaram em casinha com emprego e salário garantido a mamar Uber Eats. Ou os pulhíticos deste governo sucateiro. Para o Bosta, o covidas foi como sair-lhe a lotaria.

      • Elvimonte says:

        Acrescente ao rol a experiência de Milgram, cujo corolário mais importante, na minha óptica, nos diz que as pessoas são capazes de cometer as maiores atrocidades desde que não se sintam responsáveis, desde que pensem que outros, que eventualmente lhes fornecem instruções, assumirão as consequências.

        • Filipe Bastos says:

          É verdade. Lembra também a ‘banalidade do mal’ de Arendt. Sempre houve carneiros prontos a fazer sem questionar; sem eles não haveria ditaduras.

      • Paulo Marques says:

        Mau, então agora já se pode falar mal da polícia? Já não servem para o proteger dos perigosos bairros e dos milhões de imigrantes ou lá o que é?
        Porra, qualquer dia ainda penso que o Filipe só se queixa quando o país não gira à volta dele. Nesse caso, veja lá se se vacina para nos livrarmos da ditadura daqui a pouco, sim?

        • Filipe Bastos says:

          Porque não havia de criticar a polícia? V. está tão obcecado com o chuleco Ventura que o vê em toda a parte.

          Aqui não se discrimina ninguém: imigrantes, pulhíticos, polícias, banqueiros, ciganos, brancos, pretos… é semp’aviar. Um dos luxos de se ser ISENTO, sabe?

          • Paulo Marques says:

            Qual Coisinho, estava a parafraseá-lo a si, que assume a mesma luta, a ver se percebe as consequências da mesma.


    • Eles “andem” aí…

  3. TERESA PALMIRA HOFFBAUER says:

    Embora eu não esteja de acordo contigo, Diogo, é sempre um prazer ler a tua excelente escrita.


  4. Não, meus amigos, o Diogo está totalmente enganado. Os numerosos estudos científicos publicados por instituições credíveis e acima de qualquer suspeita, já vieram comprovar sem a mínima dúvida que o vírus ganha asas e enxameia sobretudo as praias, parques, jardins e passeios públicos. Durante a manhã, ele está meio adormecido, mas aí pela uma hora desperta com o calor e ataca toda a tarde até à noite. Portanto, as autoridades, preocupadas com a saúde e segurança dos cidadãos, mandam fechar os estaminés a essa hora. Se o Diogo não quer ser rotulado de perigoso extremista, tem mais é que aderir à “versão única da verdade”, pela qual o governo inglês pagou a módica quantia de £ 1,6 B à empresa de marketing Omnicom, logo integrada pelo Trusted News Cartel, segundo as determinações do G7, através do acordo “Rapid Response Mechanism”.
    O WEF é muito claro: “O sector privado tem de se envolver mais na acção política…Os princípios do capitalismo accionista defendido pelo WEF, nunca foram tão importantes”.
    Et voila…

  5. Daniel says:

    Eles “andem” aí!…