Bielorrússia, Israel e as virgens ofendidas que na verdade são putas

Não foi preciso esperar muito tempo até que aparecesse um representante do PCP, partido que se recusa a condenar o regime totalitário bielorrusso, a dizer que o sequestro do voo da Ryanair é condenável “mas…”. E este “mas”, segundo Lúcia Gomes, dirigente comunista, prende-se com as ligações à direita neo-nazi, nomeadamente ao Batalhão Azov, organização paramilitar e supremacista ucraniana, conhecida pela violência e pela determinação em transformar a Ucrânia numa ditadura de extrema-direita. Protasevich colaborou directamente com o Batalhão Azov e, inclusivé, integrou as fileiras da sua “jota”.

De facto, fica claro que Protasevich não é propriamente o paladino dos direitos humanos que a imprensa nos tem tentado vender. Será, no limite, um pequeno autocrata que pretende depor o autocrata actual para ver instalada uma nova autocracia que vá mais de encontro aos seus ideais de autocracia. Não obstante, Protasevich até poderia ser a reencarnação de Hitler, que isso não justificaria a opção bielorrussa pelo terrorismo de Estado. Se é seu objectivo depor a democracia na Lituânia, país onde vivia exilado, ou mesmo substituir a ditadura de Lukashenko por um reich bielorrusso, lá mais para a frente logo trataremos disso. Por agora, tratamos daquilo que é essencial.

E o essencial, a este respeito, é simples: um Estado vizinho da União Europeia terá enviado elementos dos seus serviços secretos para perseguir e monitorizar Protasevich na Grécia, seguiu-o posteriormente no voo de regresso para Vilnius, voo esse que seria mais tarde interceptado pela força aérea da Bielorrússia, e escoltado até Minsk, após uma ameaça de bomba forjada. Submeteu mais de 100 passageiros a momentos de terror, atentou contra uma empresa europeia e violou a soberania da União Europeia, apenas para saciar o ímpeto totalitário de um canalha que só por acaso é o dono daquilo tudo. Protasevich podia ser um serial killer pedófilo e, mesmo assim, os meios não justificariam os fins.

Por outro lado, não podemos analisar este caso sem sublinhar a hipocrisia do Ocidente que ontem se indignou mas que não baliu um “mé” nos casos de Snowden e Assange, entre outros, não muito diferentes deste. Para não falar nos recentes episódios de terrorismo de Estado perpetrados por Israel. Putin e os seus cães, como Lukashenko ou a restante extrema-direita europeia que vive do seu mecenato, agradecem esta gritante dualidade de critérios do ocidente moralista e usam-no em seu favor. E ficará tudo como dantes, quartel-general em Abrantes.

Comments

  1. JgMenos says:

    «não baliu um “mé” nos casos de Snowden e Assange»
    só falta referir algum caso de assédio sexual, homofobia e a bateria do corretê sempre disponível para toda a circunstância!

  2. Luís Lavoura says:

    Submeteu mais de 100 passageiros a momentos de terror

    De verdade? Ficaram aterrorizados com quê? Não ouvi nem vi na televisão ninguém com aspeto de aterrorizado.

    atentou contra uma empresa europeia

    Atentou como? Somente houve uma perturbação num dos vôos. O qual nem sequer conectava com outros (a Ryanair não faz conexões). Coisa deveras corriqueira para uma companhia aérea.

    violou a soberania da União Europeia

    De que forma? Tudo ocorreu no espaço aéreo de um país que não pertence à União. Não vejo qualquer violação da soberania.

    • Filipe Bastos says:

      “Todos no avião entrámos em pânico pois pensámos que íamos cair”, disse a passageira lituana Raselle Grigoryeva à ABC News.

      “Foi um mergulho repentino, muito violento. Nunca tinha passado por isso. Todos estavam em choque”, acrescentou.

      O voo só decolou oito horas depois. “Não recebemos nenhuma informação, tivemos de pesquisar na internet.”

      Grigoryeva disse que os oficiais de segurança fizeram buscas nos pertences e nos corpos dos passageiros. “Não sabíamos se íamos sair dali. Fomos mantidos como prisioneiros”.

      Foi pena o Lavoura não estar lá; teria decerto posto na ordem os histéricos dos passageiros: “Epá, tenham calma… isto é normal. Nunca foram raptados por um ditador maluco?”

    • POIS! says:

      Pois, e continua!

      O Dr. Pangloss do Século XXI volta a atacar!

  3. Tal & Qual says:

    Caraças !!
    Com tanto assunto com as putas de Portugal, logo vamos falar das putas da Bielorrússia. ( Que merda de pais é esse? )

  4. Ana Moreno says:

    João, à margem do conteúdo do post, estou à vontade contigo para comentar que esse conceito das virgens ofendidas respinga de uma extremamente arcaica ideologia machista – sabendo eu muito bem que tu não o és, antes pelo contrário. E o das putas idem.

    • Paulo Marques says:

      Quando penso em virgens ofendidas penso logo em celibatários involuntários, ou não fossem sempre estes com a falta de espelhos, pelo que acharia que a expressão já não é o que era.

    • Luís Lavoura says:

      esse conceito das virgens ofendidas respinga de uma extremamente arcaica ideologia machista

      Claro que sim. Tal como as expressões populares “comer gato por lebre”, “matar dois coelhos com uma cajadada”, ou os provérbios “quem se agarra à terra nunca caiu” ou “calças brancas em janeiro é sinal de pouco dinheiro” também respingam de ideologias arcaicas. Porém, dada a sua utilidade expressiva, continuam a ser utilizadas.

  5. Jorge says:

    Luta sem tréguas aos nazi fascistas onde quer que eles se encontrem

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