Vira o disco… e toca o mesmo: A Sinfonia dos Rockets e o Fascismo Israelita

«Wa-ching
(That’s the sound of the sword goin’ in)
Clack-clack, clack-a-clang clang
(That’s the sound of the gun goin’ bang-bang)
Tukka-tuk, tuk, tuk, tuk-tukka
(That’s the sound of the drone button pusher)
Shh, shh, shh
(That’s the sound of the children tooker)»

O som da espada, o som da bala, o som dos drones. O som daquele que entra e leva as crianças.

Esta noite, mais duas crianças foram mortas às mãos do exército de Israel.

Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza, depois de ter assumido o cessar fogo. Com a convulsão política israelita, com a troca de um liberal-fascista por um ultra-liberal-fascista no lugar de primeiro-ministro e com os milhares de milhões de euros oferecidos pelos Estados Unidos da América, uma certeza há a reter: Israel não vai parar enquanto não tiver dizimado todas as vidas palestinianas.

Duas crianças assassinadas pelo exército israelita na vila de Beta.

Em Israel não é considerado crime de guerra a morte de civis, de forma indiscriminada, se estes forem palestinianos. É, por contrário, incentivada. Num vídeo datado de 2001, ouvimos Netanyahu dizer que a solução passa por “bombardear a Palestina”, não uma vez, não duas vezes, mas “consecutivamente até que eles percam a esperança e só lhes reste o medo”. Questionado por um dos presentes, no mesmo vídeo, se não teria receio que o mundo visse Israel como “agressor”, Netanyahu responde que “não”; e porquê? “Temos os EUA do nosso lado”, concluiu. Noutra citação, Naftali Bennett, o novo primeiro-ministro, defende que “matar árabes não tem nada de mal” e que “eu já matei muitos árabes”.

“Farei o que puder para garantir que a Palestina nunca será um Estado” – o novo primeiro-ministro de Israel

É com isto que lidamos. Mas passa-nos ao lado, porque ninguém nos conta isto. É o que dá ser-se um etno-estado que não representa nem 10% de uma etnia… o imperialismo sobrepõe-se aos direitos humanos; e, para o imperialismo, já o vimos na História, a melhor arma é o fascismo.

E nós a querermos avançar, quando os Senhores da Guerra nos mandam recuar. O Ser Humano é, de facto, e como dizia o Pepe Mujica, o único animal que é capaz de tropeçar cem vezes na mesma pedra, sem que a mesma tenha saído do lugar.

fotografia: •João L. Maio

This means war, anti-war.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    É importante que as crianças se defendam…

    https://twitter.com/hahellyer/status/1405268452969832454

    • Filipe Bastos says:

      As ameaças e desejos de morte são realmente maus.

      Já ‘your religion is rubbish’ parece spot on. Era os palestinos dizerem-lhes o mesmo… e teriam ambos razão.

      • Paulo Marques says:

        As religiões são o que as pessoas fazem delas, porque nenhuma comunidade é literal; quanto mais não seja, porque os textos se contradizem, e a espiritualidade não se codifica. É um bocado como estar alcoolizado, justifica tudo e o seu contrário.

  2. Carlos Almeida says:

    A atacar os Sionistas e a defender os Palestinianos ?
    Curioso, muito curioso mesmo

    • João L Maio says:

      Neste caso, qualquer pessoa de bom senso que se preze, critica os sionistas (e o sionismo) e defende o povo palestiniano.

      Especialmente quem, como eu, contacta com jovens palestinianos directamente e ouve as suas histórias.

      • Carlos Almeida says:

        Não há sionistas maus e sionistas bons !
        Independentemente se matam crianças ou não

        • Paulo Marques says:

          Não, não há, porque o sionismo é só isto, e, por muito que se queira fazer de conta, não é o mesmo que judaísmo.

          • Carlos Almeida says:

            Quando uma ideologia politica se esconde por detrás de uma religião, esta corre o risco de ser confundida com a ideologia. Não é por acaso que acusam os que combatem o sionismo de anti semitas.
            As pessoas lembram-se do que os nazis fizeram aos Judeus no século 20, mas esquecem-se que no século 16, também não eram muito queridos, na Península Ibérica. Por alguma razão seria. Se calhar estamos a assistir agora com os abusos que os Judeus cometem a outros povos, as origens dos ódios que sempre desencadeara.
            Diria a minha avozinha:”estão a arranjar lenha para se queimarem”

          • Paulo Marques says:

            Não são os “judeus”, há muitos com voz e/ou poder, mesmo dentro de Israel, que são vocalmente contra o sionismo e as suas aldrabices.
            Legitimar a narrativa dos que fazem parte dos DDT e misturar tudo não ajuda o Carlos, nem ninguém.

      • Filipe Bastos says:

        Especialmente quem, como eu, contacta com jovens palestinianos directamente e ouve as suas histórias.

        E já ouviu as histórias do outro lado, João?


        • As historias do outro lado?
          Quais historias? Aquelas em que uma família feliz é expulsa da sua casa para dar lugar a outra família que será feliz nessa casa?
          Sim, isso acontecia muito ao “outro lado” mas passava-se noutro continente antes de 1945.
          Infelizmente a historia repete-se agora na margem sul do mediterraneo.
          O “outro lado” não aprendeu nada. Ou aprendeu demasiado.

        • João L Maio says:

          Filipe Bastos,

          Não directamente. Mas procuro ouvir, há imensos testemunhos por essa internet fora.

        • João L Maio says:

          De qualquer forma, se formos pôr os “lados” numa balança, concluímos que só há um lado para se estar.

          E logo o Filipe, que vocifera tanto contra os “mamões” é mais o diabo a quatro… Israel é um dos mamões que tanto crítica. Ou é, pelo menos, financiado por eles. Se critica tanto os poderosos e, lendo o que aqui mostra, se põe do lado dos “desfavorecidos”, então só pode estar do lado dos palestinianos e pela soberania do Estado da Palestina.

          • Filipe Bastos says:

            De acordo, João: os mamões estão do lado de Israel. Claro que eu não poderia estar do mesmo lado.

            Mas se já me leu um bocadinho saberá que não sou do tipo de estar de um lado; sou do tipo ‘um lado é mau, o outro é pior’.

            Israel é mau; a Palestina é pior. O Islão é pior. A Palestina é um atraso de vida, como tudo por ali, e como todo o Islão. Nada se aproveita.

            Não os vejo como desfavorecidos, como have nots; vejo-os como gente estranha, primitiva, cheia de manias parvas, que com ou sem Israel viveria no meio de pedras, bombas e dogmas.

            Há excepções? Claro, como em todo o lado; e as crianças são tão inocentes como quaisquer outras. Até serem endoutrinadas. Depois hão-de crescer e tornar-se o mesmo atraso de vida.

        • Paulo Marques says:

          É possível não ouvir?

          • Carlos Almeida says:

            “Palestina é um atraso de vida, como tudo por ali, e como todo o Islão. Nada se aproveita.”

            Pois é, mas os cristãos é que adoram um Deus ( ou será um 1/3 de um Deus) que nasceu de uma mulher virgem, casada com um carpinteiro, e fruto de um Espírito Santo !

            E como dizia o outro. “E o burro sou eu ? “

        • João L Maio says:

          Atraso de vida é essa visão da realidade. Valha-nos um Senhor qualquer, seja ele judeu ou árabe.

          Paciência, é preciso saber ter paciência.

  3. JgMenos says:

    Uma coisa é certa:
    É mais provável um palestiniano viver com segurança sob governo israelita do que um judeu sob governo palestiniano.
    Isto dito, se tudo que há que discutir é domínio e não equidade, falam as armas e tudo o mais que determina o poder.
    A história de criancinhas ‘assassinadas’ é o primeiro indício de que os adultos do lado das criancinhas tudo fazem para as condenar e não faltam farsantes a ajudar à farsa.

    • POIS! says:

      Pois temos de reconhecer!

      Não é por acaso que JgMenos é conhecido nos meios (e até nos extremos) matemáticos pelo “Ás das Probabilidades” e no das tascas e tabernas pelo carinhoso epíteto de “Rei da Abébia”.

      Com efeito, tudo o que o Menos apanha a jeito transforma, ou em croquetes, ou em probabilidades.

      Por isso existe uma elevadíssima probabilidade de, pelo Menos, acabar engasgado por um croquete.

      • Abstencionista says:

        Agora fiquei curioso em saber como és conhecido nas tascas e tabernas da tua terrinha e arredores!
        Serás o “franchise do caneco”?
        Só pode eheheh…

        • POIS! says:

          Pois também não sei.

          Porque não frequento.

          Mas se frequentasse com a assiduidade de V. Exa. e andasse aos tombos seria conhecido como Abstencionista.

          Já lhe disse que o menino pensa que é espertinho mas é muito limitadinho. Agora nos seus comentários abundam “ehehehs”, está completamente mongoloidezinho…

          • Abstencionista says:

            “…das tascas e tabernas pelo carinhoso epíteto de “Rei da Abébia”.”

            “…nas tascas e tabernas da tua terrinha e arredores! Serás o “franchise do caneco”?”

            Tu é que referes as tascas e tabernas e pões alcunhas aos aventares, não sou eu.

            Eu limito-me a constatar que, pelos teus comentários em zig zag, ultrapassas muitas vezes a capacidade do balão devido ao excesso de etanol, daí constatar que conheces bem o ambiente das tabernas e das tascas.

            eheheh!!!

          • POIS! says:

            Pois tá bem!

            O menino abstencioneiro (em regime de franchise) é muito mal educadinho. A sua mãezinha não lhe ensinou a não se meter nas conversas dos outros?

            Aliás o menino está todo lixado. É só ehehehs a toda a hora, está completamente mongoloide. Até já se cita a si próprio e vê Orgasmos Ronaldos em cima de azinheiras.

            V. Exa. é um verdadeiro às da constatação, é pena que não constate a sua própria burrice. Pelos vistos, santos da casa não fazem milagres. Mesmo que fizessem dificilmente algum lhe valeria. Já não vão a tempo.

    • Carlos Almeida says:

      Sr JgMenos

      É perfeitamente coerente em defender os Isaacs. O seu padrinho “Botas” era Isaac por parte da mãe.
      Faz todo o sentido

    • Paulo Marques says:

      Resumo: há limpezas étnicas do bem, pá, acreditem!
      E que tal, sei lá, ter as forças da ONU a mandar os dois ter respeitinho, ou isso é só para pobrezinhos?

  4. Abstencionista says:

    Quando se olha para Israel e para os israelitas com um país e um povo fortemente unido pela religiao judaica contra um inimigo comum, comete-se um erro de perspectiva que inquina toda a discussão sobre o conflito israelo palestiniano.

    Israel ataca Gaza e ocupa territórios palestinianos porque pode.
    Porque tem o dinheiro e as armas necessárias que servem para sustentar uma política de brutalidade e medo contra os palestinianos.
    Mas em Israel há forças contra a guerra e a ocupação.

    Exemplo: Amram Mitzna, general israelita, herói de guerra dos 6 dias e do Yom Kippur, liderava um plano de paz intitulado de “desligamento”.
    Grosso modo dizia: negociar com Gaza e com a Cisjordania e, se as negociações não tivessem sucesso recuar, (mais ou menos), até às fronteiras de 1948.
    Foi pesadamente derrotado nas urnas.

    Os próprios judeus, ultra ortodoxos, (Naturei Karta ou verdadeiros judeus), são anti sionistas e apoiam a causa palestiniana.
    Porquê: porque são contra a fundação do estado de Israel que, no seu entender, só deve existir quando vier o Messias.

    Os judeus ortodoxos são anti sionistas também e não cumprem o serviço militar, por exemplo.
    Quanto aos judeus conservadores e reformistas já aceitam muitos usos seculares, como o trabalho das mulheres em profissões seculares e algumas alterações aos rituais religiosos.

    Os judeus não ortodoxos integram a sua religião na sociedade moderna, com menos rigidez nos ritos religiosos e cumprem serviço militar.
    Recordo que os judeus ortodoxos são mais de 10% da população, (em crescimento acelerado), e os árabes israelitas ultrapassam os 22%.

    A guerra e o medo são o cimento que une este país pleno de diversidade.

    (Fontes: a minha tola, Folha de S. Paulo, NYT, Haaretz,…)

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.