A salada de intervenções e a linearidade simplista – em Moçambique

No passado dia 12 de Julho, o Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia aprovou uma missão de treino militar e apoio logístico e financeiro do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz para Moçambique – tudo isto com fraca legitimidade democrática, nomeadamente à margem de qualquer debate no Parlamento Europeu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, veio ufanamente anunciar que a Presidência Portuguesa se “empenhou muito” no “lançamento” da missão de formação militar da União Europeia (UE) em Moçambique (…)”.

Maior o contentamento porque a missão militar será chefiada por um brigadeiro-general do Exército português (Nuno Lemos Pires).

Outra coisa não era de esperar de uma diplomacia que põe as relações entre os chefes acima dos direitos e aspirações dos povos. Numerosas análises já demonstraram que o que se passa em Cabo Delgado tem causas que vão muito além de violência “jihadista” do Estado Islâmico.

„Se, de facto, quisesse ajudar a população de Cabo Delgado, o Governo português, com apoio do secretário-geral da ONU, deveria ter tido coragem e dado o exemplo, posicionando-se contra a corrente dominante de belicistas. Isso implicaria que Portugal tivesse tido a coragem de usar a influência da UE para enfrentar o corrupto GoM, apelando à implementação de todos os meios pacíficos de resolução do conflito, em vez de usar quase exclusivamente o trunfo militar.“

Forças do Ruanda, SADC e UE irão agora formar uma “salada de intervenções militares” – como lhe chama a ONG moçambicana CDD (Centro para a Democracia e Desenvolvimento) – e há fundados receios de „que o conflito se agrave e arraste durante anos, à custa da população civil.“

Comments

  1. Filipe Bastos says:

    Ana, o artigo foca-se na podridão do governo moçambicano e na cumplicidade dos podres governos da Europa e dos EUA. Escalar o conflito só vai beneficiar a máfia do armamento. De acordo.

    Não obstante, não entendi exactamente que alternativa propõe o artigo – ou a Ana. Entre centenas de milhares de refugiados, lojas e escolas queimadas, aldeias destruídas, o EI e a violência ‘jihadista’ não parecem meros pretextos; parecem problemas reais.

    Acresce que os europeus continuam a levar a culpa por tudo de mau em África, meio século depois de saírem de África.

    Se intervêm nestes casos, lá vem a trope do ‘white saviour’, do ex-colonizador mauzão ou condescendente; se não intervêm é porque são canalhas e não se importam; em que ficamos?

    • Ana Moreno says:

      Viva Filipe Bastos, a alternativa seria centrar-se na ajuda humanitária em vez de se centrar na militar. Este problema já vem de longe (há 3 anos que há ataques em Cabo Delgado) e o governo moçambicano deixou correr enquanto não afectou os negócios do gás. Durante os últimos dois anos, o número de refugiados aumentou constantemente e a ONU prevê uma catástrofe humanitária que afectará cerca de 1 milhão de pessoas. Pessoas sem as condições de vida mais básicas, abrigo, água potável, saneamento e cuidados médicos, alimentação… Muitos deles traumatizados por terem perdido familiares e amigos ou por os terem visto serem mortos brutalmente.
      O governo moçambicano e a comunidade internacional, incluindo a UE, não forneceram a estas pessoas apoio suficiente. E o governo moçambicano até a emissão de vistos para ajuda humanitária bloqueou, além dos casos maciços de corrupção na distribuição da pouca ajuda disponibilizada. A UE orgulha-se de ter fornecido 3 (!) voos de ajuda. O que está em causa é não se prestar a ajuda humanitária urgentemente necessária aos refugiados e em vez disso optar por apoiar militarmente um governo que é, pelo menos em parte, o causador do drama de Cabo Delgado.

      • Filipe Bastos says:

        OK Ana, e como garantir que também esta ajuda não seria desbaratada / abusada pelas corruptas autoridades?

        E se a violência continuar a criar vítimas e refugiados? Vai-se enviando mais e mais ajuda sem atacar o problema?

        Claro que não há soluções fáceis, mas se a questão de fundo é o governo moçambicano, e quem diz moçambicano diz angolano, sul-africano, zimbabuano, sudanês, congolês, madagascarense… que podemos realmente fazer?

        Há povos que, constata-se década após década, não são capazes de se governar: são demasiado passivos, apáticos, acarneirados, incapazes. Ou toleram ditadores ou elegem trafulhas. Precisam de mais do que ajuda financeira ou militar. Precisam que os governem.

        Ouvi dizer que na Europa há pelo menos um povo assim.

        • J. M. Freitas says:

          “Há povos que, constata-se década após década, não são capazes de se governar: são demasiado passivos, apáticos, acarneirados, incapazes. Ou toleram ditadores ou elegem trafulhas. Precisam de mais do que ajuda financeira ou militar. Precisam que os governem.”
          O conceito de “povos incapazes de se governarem” é muito discutível. Foi utilizado pelas potências colonizadoras a respeito dos colonizados: eles eram uns atrasados. Marcelo Caetano sempre disse que os povos das colónias nos deviam agradecer por lhes termos levado a civilização cristã.
          E pode perguntar-se: a Alemanha nazi foi demasiado tolerante para ditadores e trafulhas e incapaz de se governar? E os povos europeus durante séculos anteriores à democracia e á noção de partido político? E como é que os povos incapazes tiveram força para se livrarem de poderosíssimos colonizadores (Inglaterra, França,etc.).
          Concordo que a ajuda humanitária é precisa mas se não houver intervenção militar é claro que os terroristas vão continuar a matar. Há negociantes de armamento interessados em guerras prolongadas? Acho que sim. Que fazer?
          Concordo que não há soluções fáceis, mas onde estará a questão de fundo? Só no governo moçambicano, etc. ou nos fornecedores de armas e munições? Ou….

        • POIS! says:

          Pois está claro!

          Sabemos que aquela malta lá das áfricas não tem emenda. Estivemos lá tantos aninhos a civilizar aquela gente, até que nos fartámos, ficámos muito entediados porque eles não evoluíam (lá havia um ou outro, jogadores de futebol e tal, mas a maioria…) e viemo-nos embora.

          Só que aquela gente é muito infantil. Não se veste convenientemente, fala línguas esquisitas come coisas que não lembra a um santo, adoece de doenças esquisitas por falta de higiene e não se governam.

          É por isso que aparecem estas guerras sem categoria nenhuma. Nada que chegue ao nível civilizado de uma guerra da Bosnia, a um bombardeamento da Sérvia, a um Donbass, Geórgia ou Nagorno/Karabach. Já para não falar de uma Síria, um Iraque ou um Afeganistão, guerras de semi-civilizados, mas de maior nível, sem duvida.

          Lá por Moçambique, então, é um dó de alma. É uma tropa fandanga á paisana contra uma tropa fardada a dançar o fandango (que lá é muito popular. Resquícios do colonialismo).

          Vá lá que sempre aparecem uns russos, sul-africanos e tal, “empresas de segurança”, que põe algum nível na coisa. Mas depois borregam e volta tudo ao mesmo.

          Ao contrário do que o Bastos diz, há uma solução muito fácil, que importaria apenas água e meia-dúzia de sacos de cimento: era voltar a tapar os furos do gás. Ia ver como a guerra acabava num instante.

          Mas não há garantia, realmente, que os sacos de cimento não fossem desviados, talvez até para construir casas e tal. A malta lá está a ficar fina e diz que está cansada de brincar aos Três Porquinhos nas palhotas.

          A única maneira de resolver o problema é mesmo essa: é entregar a uma elite de Bastos, a autoridade total. Isto depois de fazerem um doutoramento em “Governação de Povos Difíceis”. Não há outra hipótese. É mesmo um Bastos em cada esquina!

          • Elvimonte says:

            Camarada “cassete” peça de mobiliário carunchoso do Aventar. E tão “cassete” e tão carunchoso que tudo leva a crer que sofra da doença das vacas loucas todos os dias e todos os minutos -coitado – constituindo tudo o que escreve sempre mais uma prova da sua degenerescência mental.

            Pois Hitler, Estaline, Mao e Bin Laden aguardam por si no Inferno. Junte-se a eles, não os faça esperar e boa viagem.

            Entretanto, não posso deixar de dar razão a José Saramago quando dizia: “Antes gostávamos de dizer que a direita
            era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda.”

          • POIS! says:

            Pois estou estarrecido!

            Não esperava tamanha atenção de um Vetusto Venturoso Descendente da Velhíssima e Ancestral Família dos Elvimontes de Esterco, por sua vez descendendo dos Elvimonts d’Ordure, Senhores das Sanitas, Caixotes e Aterros de França e Territórios do Ultramar.

            Só uma dúvida: no inferno (que V. Exa. escreve em letra maiúscula, conhecida que é a sua veia Satânica, tendência Bruxo da Areosa), há lá vacinas?

            Há?? V. Exa. é mesmo malvado, ó Elvimonte! É mesmo mauzinho! Relezinho, mesmo!

            Quanto á frase do Saramago: algum dia lhe foi apresentado? Não??? Então está explicado. É falta de conhecimento da parte dele.

        • Ana Moreno says:

          Que não há soluções fáceis, estamos todos de acordo. Que “Há povos que não são capazes de se governar” é uma frase completamente destituída de sentido.

          Que a questão de fundo não está apenas no governo moçambicano, está também nos interesses dos fornecedores de armas e munições, nas multinacionais que continuam a querer explorar o gás contra todas as evidencias da crise climática, nos interesses económicos dos estados estrangeiros, também não há dúvida.

          Mas o governo da Frelimo tem votado a população – desde há mais de 40 anos – a um desprezo chocante e Cabo Delgado é precisamente a região mais pobre e abandonada do país. Basta lembrar que em consequência das escandalosas dívidas ocultas, todo o sistema de educação e de saúde do país sofreu um corte brutal, foram vidas destruídas pela ganância da elite de Maputo.

          A ostentação e indiferença do governo (Nyusi nunca foi a Palma depois do ataque e desvalorizou-o em declarações públicas, enquanto o exército moçambicano protegia os investimentos de gás líquido do consócio da TOTAL e deixava a população entregue a si própria) são uma das motivações dos insurgentes. É preciso encarar o governo de Maputo tematizando isto, coisa que o MNE e o presidente da República consideram “questões internas” e impensável, solidariezando-se com o governo sob o lema “entre marido e mulher não metas a colher”, como se não fosse imprescindível usar a voz contra os atentados aos direitos humanos.
          Até hoje, o governo moçambicano impede o acesso de jornalistas independentes à região; as pessoas fugiram ou foram realocadas ficando sem a sua fonte de subsistência (pescadores que foram transladados para locais a quilómetros do mar, para dar lugar à exploração de gás); pretende-se uma região livre para servir os interesses dos poderosos. “O êxodo em massa, a morte, a destruição, uma parcela de um país soberano nas mãos de milícias estrangeiras, numa luta que não é religiosa, nem santa, nem inocente. É pelo controlo dos rubis, e do gás, que os franceses da Total (porque será?) tão bem sabem explorar.” https://www.dn.pt/opiniao/orgulhosamente-so-13534528.html
          Com a conivência e dedicação do governo moçambicano, ao contrário do que demonstra em relação à população.

          O que teria de acontecer para evitar uma escalada militar? A ver aqui: https://www.publico.pt/2021/06/08/opiniao/opiniao/cabo-delgado-governo-mocambicano-causa-chave-conflito-1965689

          Não há soluções simples, não. Mas a opção de calar a boca perante os ataques aos direitos humanos que é apanágio do governo português, submetendo-os aos interesses económicos e diplomáticos (ainda em fresca memória no caso da não assinatura da carta condenando a nova lei anti-LGBT da Hungria) é lamentável e vergonhosa.

          • Ana Moreno says:

            P.S.- logicamente, essa opção do governo PS (a do PSD nem se fala) pela defesa dos interesses do negócio acima do bem comum é igualmente bem perceptível a nível interno. E para cúmulo, chamam-se socialistas. A traição aos povos é uma constante histórica.

          • Elvimonte says:

            Camarada Ana “cassete” Moreno, lamentável e vergonhosa é a sua posição persistentemente ignorante. E remeto-a imediatamente para comentário que fiz em post que escreveu e passo a citar:

            “Mais uma que foi emprenhada pelos ouvidos e pelos olhos. Ela não sabe o que está em causa, mas ouviu e leu umas coisas e lá teve que desovar uns disparates.

            Porque razão não pode um país, legitimamente, criar uma lei a proibir a promoção LGBT nas escolas e em conteúdos para menores de 18 anos?

            É que é essencialmente disso que trata – protecção de menores. Percebeu?

            E até se podem avançar outras razões que a sua manifesta heterofobia, por puro facciosismo, não abrange:

            a percentagem de LGBT rondará 1% da população;
            “The findings support the assumption that people with same-sex sexual behavior are at greater risk for psychiatric disorders”;
            os estudos científicos mostram também, consistentemente, que a população LGBT (o tal 1%) é mais infeliz sempre, não importando eventuais discriminações a que possa estar sujeita.

            Portanto, em última análise, trata-se de proteger menores e de razões de saúde pública. Não escreva disparates e não seja heterofóbica. ”

            ( meu comentário em https://aventar.eu/2021/06/28/um-governo-que-nos-trata-com-desprezo-cinico/#comments )

            Sempre lamentável e vergonhosa. Hitler, Estaline, Mao e Bin Laden aguardam por si no Inferno. Junte-se a eles, não os faça esperar e boa viagem.

            Entretanto, não posso deixar de dar razão a José Saramago quando dizia: “Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda.”

          • Paulo Marques says:

            O Elvimonete quer que 1% (lol) da população não exista, e para o inferno vão os outros.

        • Paulo Marques says:

          Ajuda não é vender alimentos para destruir a produção local, nem comprar a exploração e tornar o país dependente de monopólios estrangeiros e sujeitar toda a economia a flutuações monetárias inevitavelmente prejudiciais. Nem tão pouco transferências financeiras com a exigência de que alterem a economia para ter as mesmas fragilidades; até o FMI lá o vai reconhecendo.
          E isso tanto vale para África como para a Europa; não é coincidência que os neoliberais nunca se queixem das transferências muito maiores entre estados americanos para os pior geridos red states, é a maior prova de o que defendem é um disparate.

  2. JgMenos says:

    Quando tiveres a casa a arder, não chames os bombeiros, faz uma petição à assembleia municipal…

    • POIS! says:

      Pois. Ou talvez a V. Exa.

      Segundo é voz corrente, V. Exa. é um verdadeiro ás a manobrar mangueiras. Não se faça de modesto, fica-lhe mal!

  3. Elvimonte says:

    Camarada Ana “cassete” Moreno, vejo que continua a debitar os disparates da cassete que nas madrassas lhe enfiaram na cabeça.

    Mais uma vez lamentável. Hitler, Estaline, Mao e Bin Laden aguardam por si no Inferno. Junte-se a eles, não os faça esperar e boa viagem.

    Entretanto, não posso deixar de dar razão a José Saramago quando dizia: “Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda.”

    • POIS! says:

      Ora pois!

      Comparsa cartucho Elvimonte

      Alguém, algum dia, o apresentou a José Saramago?
      Não??? Então está tudo explicado. A frase seria um bocadito diferente: as últimas duas palavras seriam assim como “o Elvimonte”. Em homenagem a V. Exa. E bem merecida!

      Vejo que V. Exa. escreveu Inferno com letra maiúscula, o que demonstra a sua devoção e respeito por quem o dirige(*).

      Só uma questão: manda a Ana Moreno para o inferno? Não me diga que há lá vacinas! Pá, isso não se faz, ó Elvimonte! V. Exa. é mesmo muito muito malvado!

      (*) Consta até que V. Exa. vai frequentemente ao “Mija Cão” buscar uns pratos de moelas para dar em sacrifício pela meia-noite no Picoto de Vale de Canas, como mandam os rituais.

      • Elvimonte says:

        Camarada “cassete” peça de mobiliário carunchoso do Aventar. E tão “cassete” e tão carunchoso que tudo leva a crer que sofra da doença das vacas loucas todos os dias e todos os minutos -coitado – constituindo tudo o que escreve sempre mais uma prova da sua degenerescência mental.

        Pois Hitler, Estaline, Mao e Bin Laden aguardam por si no Inferno. Junte-se a eles, não os faça esperar e boa viagem.

        Entretanto, não posso deixar de dar razão a José Saramago quando dizia: “Antes gostávamos de dizer que a direita
        era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda.”

        • POIS! says:

          Pois o que eu havia de descobrir!

          Então não é que o Elvimonte também já é tema de fadinho lá na minha terrinha? O povinho não dorme!

          VIOLA: Plim, plim, plim, plim…

          “Estava o Elvimonte à meia-noite,
          A dirigir preces ao Diabo,
          Quando este desceu do Inferno e disse:
          Elvimonte, contra ti estou vacinado!

          Tem cautela, Elvimonte, c’o que dizes,
          Nestas coisas há que ter cuidado!
          Enches a bocarra de caruncho,
          E és tu que estás todo esburacado.”

          CORO:
          “Enches a bocarra de caruncho,
          E és tu que estás todo esburacado”.

          VIOLA: Plim, plim.

        • POIS! says:

          Pois, mas só mais uma dúvida…

          O Oliveira Salazar também lá está nesse “inferno”? Ou montou outro ao lado, fazendo concorrência?

          Diga lá, que é para a gente escolher. Se o gajo lá está, não quero ir! Ainda tínhamos de aturar o Cerejeira a discursar! Satanás nos livre!

    • Paulo Marques says:

      Típico direitolo a projectar; chama cassete repetindo sempre o mesmo, incluindo uma citação no contexto exactamente oposto à da origem.
      E, no entanto, o mundo continua a arder, apesar do fim da história.

  4. Ana Moreno says:

    Aleluia!

    • POIS! says:

      Ora bem!

      Então não é que o Elvimonte também já é tema de fadinho lá na minha terrinha? O povinho não dorme!

      VIOLA: Plim, plim, plim, plim…

      “Estava o Elvimonte à meia-noite,
      A dirigir preces ao Diabo,
      Quando este desceu do Inferno e disse:
      Elvimonte, contra ti estou vacinado!”

      CORO:
      “Quando este desceu do Inferno e disse,
      Elvimonte, contra ti estou vacinado!”

      VIOLA: Plim, plim.

  5. Filipe Bastos says:

    “…a questão de fundo não está apenas no governo moçambicano, está também nos interesses dos fornecedores de armas e munições, nas multinacionais que continuam a querer explorar o gás contra todas as evidencias da crise climática, nos interesses económicos dos estados estrangeiros”

    Ana, claro que por trás desta e de todas as histórias há todos esses interesses, mais a Banca, etc. – para abreviar chamo-lhes mamões.

    Mas é o governo moçambicano que, tal como diz, trai o povo. Lá como cá, são as ‘elites’ que saqueiam e arruínam o país. São os governantes, os generais, os ‘gestores’, mais as dinastias de chulos que sempre mandaram naquilo – e nisto – tudo.

    O povo moçambicano não é capaz de os afastar. E se por milagre estes saírem, virão outros iguais ou piores. Tal como cá. Por isso constato o óbvio: há povos que não se governam.

    Muitos deles estão em África, mas não só: América do Sul, Ásia, até Europa… grande parte dos países são governados por facínoras, corruptos e bandalhos. Creio que não lhe dou novidades.

    E porquê? Porque em 2021 continuamos reféns de ‘líderes’, como nos tempos das cavernas, e quaisquer líderes são corrompíveis por poder e dinheiro. Porque ainda não temos uma democracia; só a partidocracia viciada que nos dá os corruptos e bandalhos.

    Precisamos de ajuda, Ana. Nós, os moçambicanos, muita gente.

    • POIS! says:

      Pois precisamos!

      Mas como esta é uma sociedade de chulecos, mamões, corruptos e bandalhos, não é possível. Se algum ajudasse algum ficaria mal visto perante os outros alguns.

      Mesmo uma democracia “mais direta” (*) nunca resolveria a questão. Porque os chulecos votavam a favor da chulice, os mamões da mama, e os outros continuariam alegremente a corruptar e a abandalhar como até aqui.

      Pronto. Só há uma solução: dissolver esta sociedade e eleger outra.

      (*) O que significa o “mais”? Vão cortar nas curvas de acesso ao palacete?

    • Filipe Bastos says:

      (*) O que significa o “mais”?

      Mais directa que esta partidocracia: significa não delegar todas as decisões na escumalha que nos chula, rouba, goza e arruína há 40 e tal anos. Mas não totalmente directa.

      Após séculos de apatia, carneirismo e submissão, primeiro a monarcas, depois a um ditador, e desde a sacrossanta Abrilada a este triste esgoto pulhítico, este povo não tem a isenção ou a capacidade crítica para uma democracia directa.

      Daí a democracia mais directa: um passo intermédio. Continua a haver partidos e políticos, apenas muito mais controlados. E todas as decisões essenciais devem ser referendadas.

      Qual a sua objecção? Teme abusos, más decisões, caos? Tudo isso acontece agora; apenas encolhemos os ombros porque ‘a culpa não é nossa’. Nada decidimos; qualquer eleição é um mero cheque em branco. É uma cidadania infantil.

      Ainda lhe faz confusão? É natural: todos fomos endoutrinados a aceitar acriticamente este status quo, tal como o capitalismo e a desigualdade. Pouco evoluímos desde a época feudal.

      • POIS! says:

        Digamos que tenho de confessar que…

        A facilidade com que o Bastos acha que tudo é fácil me gera umas certas dificuldades.

        Talvez seja mesmo o excesso de clareza que me causa confusão.

      • Paulo Marques says:

        Portanto, não resolve nada, mas vamos apostar no mesmo que falha redondamente na Califórnia ou na Suíça.

      • Filipe Bastos says:

        Nada fácil; se dou essa impressão é apenas o entusiasmo a falar de algo que me parece tão evidente.

        Seria absurdo esperar que fosse fácil: não tenho, POIS, ilusões sobre as dificuldades de criar o sistema e as regras necessárias, ou a capacidade do povo de segui-las.

        Aceito que soe algo utópico, no país e no mundo que temos, mas creio não ter de explicar a alguém de esquerda que sem designíos mais elevados nunca se evolui.

        Também já foi utópico votar, já foi utópico as mulheres votarem, já foi utópico não haver escravatura, trabalho infantil, etc. A todas algum Paulo Marques respondia “disparate!”. Por eles nada mudaria… ou só as moscas.

        O mais urgente é pôr a canalha pulhítica com dono. Com democracia mais directa, menos directa, mas com dono.

  6. Ana Moreno says:

    “Por isso constato o óbvio: há povos que não se governam.” Filipe Bastos, isso não é uma afirmação legítima, porque é simplista e pressupõe uma genética imaginária dos povos. As causas da situação em que se encontram os países são múltiplas, sendo uma das mais importantes em Moçambique a falta de oportunidades de ensino, de controle cívico, de instituições que funcionem e isso, por sua vez, tem tudo a ver com a história dos países. Acuso a Frelimo de desprezar a população e note, não desculpo esses dirigentes com o passado colonial: sabem muito bem o que andam a fazer e usam o seu poder acima de tudo em proveito próprio. É trágico que num país com grandes potencialidades a população seja mantida num dos últimos lugares do HDI.
    Só com mais instâncias de controle, instituições que funcionem, mais democracia e participação cívica pode – quero acreditar – haver uma melhoria. Mas conseguir isso no estado de pobreza em que se encontra a grande maioria da população é quase ilusório.
    No entanto, há que continuar lutando e não cruzar os braços remetendo-nos para o “há povos que não se governam”. Esse fatalismo produz um ciclo vicioso sem escapa.

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