Spin orçamental

António Costa, por vezes, parece esquecer-se que chefia um governo minoritário. E como chefia um governo minoritário, e rejeitou acordos escritos com outros partidos no início da actual legislatura, não tem outra alternativa que não seja negociar com as restantes forças políticas, sujeitando-se a parte do caderno de encargos dos partidos de quem pretende obter votos favoráveis ou abstenções.

Fazer rodar o spin “o país não vai compreender se os restantes partidos chumbarem o OE22” até pode servir para consumo interno, mas, para lá dos limites do Largo do Rato, não cola. O que o país não vai compreender é se Costa recusar aceitar as exigências dos restantes partidos e, ainda assim, lhes imputar a responsabilidade pelo chumbo do orçamento. Não pode. A responsabilidade é sua. O governo, não a oposição, é quem tem a exclusiva responsabilidade de fazer aprovar o SEU orçamento. E se não está disponível para o fazer, que se sujeite às consequências. E que nos poupe a spins de mau pagador.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Cola, cola, quando os maiores críticos são a favor que passe, mas só com o voto dos outros, e depressinha, que entra em vigor já amanhã.

  2. Luís Lavoura says:

    chefia um governo minoritário, e rejeitou acordos escritos com outros partidos no início da actual legislatura

    Que eu me recorde, quem rejeitou acordos escritos foi o PCP e, creio, também o Bloco. António Costa nunca os rejeitou.

    • Paulo Marques says:

      Lembra-se mal.

      • Luís Lavoura says:

        Lembro-me perfeitamente de ouvir Jerónimo de Sousa a dizer que “aquilo como foi da outra vez, de papel escrito” não se iria repetir. O PCP rejeitou explicitamente acordos escritos.

        • Paulo Marques says:

          Lembrava-me mal eu, mas penso que estavam mais preocupados com o não cumprimento e falta de ambição do que por princípio.

  3. Luís Lavoura says:

    o país não vai compreender se Costa recusar aceitar as exigências dos restantes partidos

    Depende da natureza dessas exigências. Se elas forem manifestamente abusivas, estão o país deverá compreender perfeitamente que elas sejam recusadas.

    • Filipe Bastos says:

      “O país deverá compreender”?… bem, podia ser pior: podia ter dito ‘os portugueses’, como a classe pulhítica e comentadeira costuma dizer em frases pomposas.

      ‘O país’ não compreende porra nenhuma, Lavoura. Metade já nem vota, a outra metade – fora carneiros e mamadores dos partidos – sabe que estas pseudo-negociações são meros arranjinhos entre canalhas. Democracia? Zero.

      O PCP e o BE teriam ainda alguma integridade, por comparação ao Centrão Podre, mas o acordo com a máfia sucateira do PS matou tais ilusões. Ainda mais absurdo é sugerir que o PS defende algum interesse nacional. Tal esgoto.

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