Somos governados por negacionistas

Nestes tempos que vivemos, aos olhos do Estado e sua armada, a linha entre céticos e negacionistas é bastante ténue. Toda e qualquer atitude que questione decisões do Governo ou das altas instituições em relação à pandemia é intitulada de negacionismo. Os progressistas de antigamente combatiam o sistema em busca de algo mais, os de hoje tornaram-se servos do Estado sem saber muito bem porquê. Talvez por todos termos cada vez mais poder nas mãos, podendo dar opiniões em plataformas ao alcance de qualquer um, boa parte da sociedade deixou de reconhecer o cinzento e tornou tudo numa questão de preto ou branco.

Questionar a necessidade de máscaras com 85% da sociedade vacinada é negacionismo? Questionar a necessidade de máscaras em salas de aula com indivíduos vacinados e que pertencem a um grupo etário com taxa de mortalidade praticamente nula, prejudicando a aprendizagem e dando mais probabilidade a problemas de saúde a longo prazo, é negacionismo? Questionar a eficácia das vacinas, devido aos rumores de uma possível terceira dose ou não, é negacionismo? Questionar as imposições feitas às pessoas que são divididas entre vacinados e não-vacinados é negacionismo?

Atualmente, a melhor forma de controlar a sociedade não é através de totalitarismos ou autoritarismos em excesso, até porque daria muito mas vistas. É através da retórica do “bem comum”, através do jogo democrático, através das leis. Se aparecer uma lei que obrigue os portugueses a dar o pino todos os dias às 12h37, haverá toda uma manada enraivecida a dizer que é para o nosso bem, sem questionar. Os mesmos do “meu corpo, minhas regras” para assuntos que são queridos dos lobbies do sistema, mas que já não levam essa máxima quando falamos de vacinação ou máscaras.

Viraram o jogo e muitos foram atrás. Questionar este excesso de intervenção do Estado na nossa vida não é negacionismo, mas sim espírito crítico. Os negacionistas não somos nós, são os nossos governantes. Os mesmos que começaram por negar a eficácia das máscaras, a Constituição, regras elementares da economia e que deixaram famílias ir ao charco, a eficácia das vacinas obrigando ainda ao uso de máscaras, os que negaram o bom-senso e, pior que tudo, a nossa liberdade.

Um ano e meio depois do início da pandemia não há razões válidas para esta dependência do que o papá-Estado decide. Temos a obrigação de lutar pelos nossos direitos, principalmente, pelos mais novos. Esses serão os grandes prejudicados, os que viverão com a ideia de que isto é normal. Que é normal andarmos com medo daqueles que nos são mais próximos, com medo de brincar, com medo de nos divertirmos. Há que zelar pela segurança, mas acima de tudo pela liberdade. Porque uma sociedade que coloque a segurança acima da liberdade, acaba por ficar sem a última. Normalmente, é em nome do bem comum. É sempre o bem comum.

Comments

  1. POIS! says:

    Pois é pena.

    Que não possa vir por aí o Hayek a ensinar a V. Exa. o que são abusos da democracia e por que razão se tem de pôr a segurança acima da liberdade (em “situações transitórias” é claro, ou seja, só por umas dezenas de anos).

    Questionar a necessidade de máscaras? A eficácia das vacinas? Não me lixe! É abuso com certeza! O Hayek nunca perdoaria uma coisa dessas!


  2. Da bondade social da mascara até entendo. Agora não estou a imaginar que bem comum resultaria de uma lei que obrigue os portugueses a dar o pino todos os dias às 12h37.

  3. Paulo Marques says:

    Negacionismo, a meu ver, seria dizer que não é preciso nada enquanto a coisa ocupa mais recursos que uma gripezinha; as medidas em si, neste momento, nem por isso. Até porque quem tem responsabilidade de nos dizer, afinal, quem são os infectados, hospitalizados, e mortos não nos fornecesse estatísticas para grandes certezas ou teorias fundadas.
    Se os não vacinados têm problemas com isso, têm boa solução, preocuparem-se com si e com os outros.

  4. Luís Lavoura says:

    Bom post. Concordo.

  5. Paulo Franzini says:

    ” Os progressistas de antigamente combatiam o sistema em busca de algo mais, os de hoje tornaram-se servos do Estado sem saber muito bem porquê. ”

    Nem mais Francisco.

    • POIS! says:

      Pois é!

      Apanharam a boleia liberalesca e inspiraram-se em três grandes pensadores económicos: Hayek, Friedmann e Buchanan.

      Três grandes servos do Estado. Do Estado liberalesco-ditatorial. De Salazar, dos generais brasileiros, de Videla e Pinochet.

    • Paulo Marques says:

      Percebe-se bem porquê, e de onde vem. É explicito quando tantos dizem que é preciso não incomodar as empresas e as finanças.
      Dá um jeitaço amordaçar assim, mas não, esses são a maioria, mas não são todos; noutros terrenos nem no termo cabem, mas gostamos de ser bons alunos

  6. Tuga says:

    Ja andavamos mesmo com saudades de posts verdadeiramente liberais
    Eles andavam tão calados, desde que o outro fugiu !

  7. Paulo Marques says:

    E na Letónia, são negacionistas?

    • POIS! says:

      Sim, sim!

      Pelo menos quando cá vêm. Negam que sejam letões. Têm medo de ser mal compreendidos e que os mandem dar uma volta pela Mealhada.

      Realmente, pode ser perigoso.

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