A paixão assolapada do governo português pelos ricos

No que toca à paixão pelos ricos – como aliás a muito mais – PS e PSD são areia do mesmo saco. A prová-lo, mais uma vez, o estudo do Observatório Fiscal Europeu “New Forms of Tax Competition in the European Union: an Empirical Investigation“,  publicado em Novembro passado.

Esse estudo sobre o dumping fiscal na UE mostra claramente como os estados europeus promovem uma concorrência fiscal ruinosa entre si, com reduções e isenções de impostos sobre os rendimentos de capital (empresas), bem como do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS): o número de esquemas de evasão fiscal para os super-ricos mais do que quintuplicou nos últimos anos (de 5 para 28). De acordo com o estudo, os regimes especiais mais prejudiciais foram criados pela Itália, Grécia, Chipre e Portugal. Segundo estimativas conservadoras, este tratamento preferencial fiscal proporcionado aos mais ricos causa na UE uma perda fiscal de 4,5 mil milhões de euros por ano aos cidadãos de rendimento médio e baixo.

Um exemplo deste tipo de regime especial é a redução/isenção de tributação sobre os rendimentos de pensões de origem estrangeira, com o objectivo de atrair consumidores com maior poder de compra do que a população média.

Em Portugal, foi concedida isenção total do imposto sobre o rendimento das pensões de reforma em 2009 aos reformados recém-estabelecidos no país. Este regime foi reformado em 2020, aumentando a taxa de imposto de 0% para 10%.

O ex-porta-voz do Grupo dos Verdes/ALE no Parlamento Europeu para a política financeira, Sven Giegold, considera ainda “escandaloso que vários países da UE não tenham respondido de todo ou de forma completamente inadequada à questão do fornecimento de dados. Chipre, França, Grécia, Itália, Luxemburgo, Malta e Portugal não cooperaram eficazmente com o Observatório Fiscal da UE. Em contrapartida, a Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Países Baixos, Espanha, Suécia e Reino Unido responderam”.

Este maciço favorecimento dos ricos em detrimento dos menos abastados é de uma imoralidade ilimitada e só mesmo num filme surrealista pode ser praticado por um partido que se denomina socialista.

 

P.S. um artigo abespinhado de Bárbara Reis no jornal Público sobre a suposta sobranceria da Ministra das finanças sueca quando disse que “É uma injustiça fiscal que pessoas que têm milhões de euros de rendimento, ao mudarem-se para Portugal não paguem imposto, enquanto pessoas comuns na Suécia — e em Portugal — pagam imposto”, acrescentando que “é fascinante que isto seja aceite pelos cidadãos portugueses” mostra muito mais sobre a empolada susceptibilidade de BR do que sobre a sobranceria da Ministra. É fascinante, sim, para não dizer assombroso e assustador.

Comments

  1. JgMenos says:

    «em detrimento dos menos abastados»
    Já agora tudo se resolve pelo nível de ”abastamento’ para resolver o caso.
    A que propósito é que os abastados na Suécia, onde trabalharam, descontaram e ganharam pensões têm que pagar para os menos abastados de Portugal?
    Se a Suécia lhes quer sacar dinheiro que faça leis que os tributem..
    Por cá pagam impostos sobre o que cá gastam e já não é pouco.

  2. Em Portugal Passos Coelho roubou o povo pela via Fiscal com o aumentos das taxas e das sobretaxas. Passaram 10 anos e o Partido Socialista ainda não recuperou a decadência desse período e se ganhar as eleições promete 5€ a hora de salário mínimo em 2026. Miséria moral e material.

    • JgMenos says:

      Feriados, faltas pagas e 3 meses a troco de nada, nunca entram nas contas dos tadinhos explorados!

  3. Rui Naldinho says:

    A agressividade fiscal em matéria de bónus na UE é o corolário da deslocalização industrial ao longo de décadas, para a Ásia.
    Os países da UE cada vez mais se debatem com a falta de recursos financeiros para fazer face ao Estado Social, por via fiscal, proveniente da multiplicidade de receitas obtidas anteriormente através da indústria e dos bens transacionáveis.
    A maioria dos países, com excepção da Alemanha, essa preparou-se, agilizam de forma permanente esquemas fiscais para caçar dinheiro a título individual ou coletivo aos estrangeiros, vivam eles dentro ou fora do país. É assim com a Holanda e a Irlanda, nas empresas, é assim connosco e outros países do Sul da Europa, com as pessoas, onde o clima nos favorece. E depois temos os Vistos Gold, um verdadeiro convite à lavagem de dinheiro. Mas vale tudo, “menos arrancar olhos”, até ver.
    Se em vez dos Suecos tivéssemos a falar dos Holandeses e dos Irlandeses, mesmo que de uma forma cínica, eu até acabaria por tolerar. Quem com ferros mata, com ferros morre. Só que as coisas não são bem assim, e isto tornou-se um pouco no salve-se quem puder.
    Se já é assim com o PS no poleiro, imaginem agora com a IL e o Chega no governo da nação, agarrados ao PSD.

  4. Joana Quelhas says:

    Esta Ana Moreno é burrinha todos os dias.
    Não vês que o amor aos ricos decorre directamente da vontade de cobrar impostos ?
    Se tivesses mais q dois neurónios (não serias Socialista ) ias perceber que de pobres o socialista já não consegue xuxar mais imposto.
    O pobre já não tem teta para o xuxialismo mamar.

    Joana Quelhas

  5. Paulo Marques says:

    É uma inevitabilidade de uma união económica, que ou reconhece a realidade e tem transferências compensatórias, ou transforma-se numa hegemonia em que só parte é capaz de competir enquanto andam todos à procura de tirar ao país ao lado em políticas em que todos perdem (beggar-thy-neighbour).

  6. Ana Moreno says:

    “políticas em que todos perdem”, é isso. Como dizia Oskar Lafontaine, no início estão todos sentados e vêem razoalmente o espectáculo; depois começa um a levantar-se e os de trás não têm outro remédio se não levantarem-se também para poderem continuar a ver; e assim sucessivamente até que acabam todos em pé, vendo tão mal ou pior do que no início e francamente mais desconfortáveis.

  7. É o cúmulo da estultice que a Joana venha chamar burra à Ana. Pela certa está sim a ver-se ao espelho.
    O amor aos ricos expressa-se na evasão e fraude fiscal e nunca na caça aos impostos que a maioria deles não paga com a cumplicidade dos governos “colaborantes”. E viva a UE.

  8. João l Paz says:

    Ana Moreno a sua publicação é interessante a vários níveis mas colabora numa confusão. Não se trata de uma qualquer “paixão assolapada”. Trata-se, isso sim, de uma OBEDIÊNCIA CEGA à meia dúzia que não só manda nos governos como , supremo descaramento, se gaba de o fazer p: ex. o CEO da Goldman Sachs de Londres há mais de uma dezena de anos atrás.

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