Gestores, precisam-se. Vergonha, também

No lançamento do jogo com o Boavista, instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre não ter sido – e normalmente não ser – “possível conciliar, na mesma época, uma campanha europeia de relevo e a conquista da Liga”, Sérgio Conceição foi taxativo: falta dinheiro.

Referia-se ao trajecto – penoso – ao longo do fair-play financeiro e aos 514,5 milhões de passivo, aos capitais próprios negativos de 200,198 milhões, consubstanciados nas perdas de 205,185 milhões na gestão dos últimos quatro anos.

Aliás, na impossibilidade de chegar com luz ao fim do túnel, em gestão normal, enquanto não encontra o ansiado parceiro internacional, interessado em investir no capital da SAD (lembre-se que a SAD portista já teve capital espanhol na estrutura accionista), o Departamento Financeiro vai praticando, em tabuleiros menores, empréstimos obrigacionistas que possam empurrar com a barriga para a frente o reembolso do mútuo anterior, seduzindo os investidores com um ganho de 1%, se trocarem obrigações do anterior empréstimo por obrigações do actual.

Mais ou menos pela mesma altura em que Sérgio Conceição destilava, como muitos de nós, portistas, uma azia sem solvência, o jornalista João Moniz, do Correio da Manhã, lançava o que em surdina se ia dizendo e que imbrica nos milhões de mensagens, postagens e quejandas publicações com o sentido único de que SC terá falhado o jogo para fazer alterações profundas no onze, consumando-as no “errado”. Na sua prosa, o plumitivo do universo Cofina afirma, então, que elementos da Administração portista não pouparam críticas ao treinador pela “gestão duvidosa do plantel” no segundo jogo com o Lyon, considerando que o técnico “foi demasiado cauteloso na abordagem à segunda mão em França”.

Em causa estava “o receio de que o desgaste acumulado afectasse o rendimento da equipa para a deslocação ao Boavista, que no limite poderia implicar a perda de pontos no campeonato”.

Esses descontentes, auto-assumidos como genuínos experts da gestão desportiva e da metodologia de treino e recuperação (o que farão os especialistas contratados para isso e nesse campo trabalham ao longo de toda a época?), consideraram que “o nível de cautela exagerado, tendo em conta que para a visita a Lyon a equipa tinha 3 dias de descanso e preparação, o mesmo tempo que tivera para o jogo anterior”. Diatribes de quem nada percebe embora seja pago como se soubesse da poda… e para quem, pelos vistos, jogar de 3 em 3 dias é o mesmo que fazer dois jogos em 3 dias, de vez em quando. Ah! E com um jogo, passadas menos de 72 horas do anterior, acrescido de uma avaria no avião que transtornou toda a preparação do jogo contra o Boavista, situação que autênticos profissionais devem acautelar nem que para isso tivessem de contratar um campo para um treino em França, com regresso a horas decentes. Está-se mesmo a ver!!!

Mas o jornal acrescenta: “Na SAD, sabe o CM, havia a expectativa de que o FC Porto fizesse uma boa campanha na Liga Europa. Chegar à final e vencer a prova permitia encaixar 16,7 milhões de euros”.

Resumindo: anda a equipa técnica a fazer autênticos milagres todos os dias, os jogadores a darem de si o máximo na sua posição de origem ou no lugar em que for necessário, o grupo de trabalho do futebol a inventar todos os dias defesas-direitos, esquerdos, whatever, e ainda há na estrutura da SAD quem tenha a distinta lata de criticar? Esportulam todos os dias milhões (pelo menos 205 milhões em 4 anos), conduzem-nos, através da sua desgovernada gestão até ao inferno financeiro, não abdicam dos seus principescos vencimentos e, pior, das comparticipações nos lucros, que não existem, aboletam-se com sibaritas comissões, vendem o plantel ao desbarato, seduzem o povo empreendedor a que eternize a sua presença como investidor, prescindindo do capital e juros dos empréstimos obrigacionistas já devidos, evitando pagar a quem investiu anteriormente se reinvestir…

E são esses escabrosos gestores que se atrevem a criticar quem lhes vai alimentando as barrigas bem tratadas, os fatos bem confeccionados, os carros que não pagam, as mordomias que o treinador e atletas lhes conseguem?!

Conhecendo o mundo e as pessoas (tenho idade suficiente para não me deixar enganar), cada vez dou mais valor a gerações inteiras de portistas donde saiu boa gente, que conseguiu vingar sob um regime que amordaçou também a voz do Norte, que alcançou, sem enganar a plebe, conduzir o clube da forma que o fez, apenas pecando por o deixar em herança a esta tropa.

Comments

  1. Júlio Santos says:

    Pelos vistos todos os clubes, sem excessos, estão afogados em dívidas e não encontram solução para se livrarem delas, quando a solução para as debelar, estão bem á vista. Reduzir salários e acabar defensivamente com as alcabalas, impossíveis de controlar.

  2. Paulo Marques says:

    Há mais de dez anos, quando ainda havia blogues da bola, que se critica a gestão, e a obscuridade de negócios é comissões dos Imbulas que por lá passam.
    Obviamente, tudo continua na mesma.

  3. luis barreiro says:

    Os portistas sabem que o único culpado da eliminação tem um nome, Pinto da Costa, quem vende ao desbarato a meio da época sabe que tem consequências, já muito faz e tem feito o SC.

  4. Ricardo Pinto says:

    Não é de hoje nem dos últimos anos. O descalabro tem quase 20 anos e só os resultados do futebol é que foram escondendo.
    Está tudo bem explicado aqui. http://otribunaldodragao.blogspot.com/2014/06/o-fc-porto-e-os-fundos-de.html

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