É de pequenino que se corrompe o menino

Na capa do Expresso da semana passada, nada de novo: há colégios privados que continuam a corromper o sistema e a vender médias elevadas para quem as pode e quer pagar.

Seja génio ou mandrião, qualquer filho ou filha de pais ricos pode corromper o sistema educativo e comprar as notas que pretende para o curso que quiser. É um modelo de negócio de décadas, e eu ainda sou do tempo em que alunos do meu liceu, na Trofa, iam para colégios no Porto “subir a média”.

Igualmente grave é a afirmação na primeira página do Expresso:

Ministério da Educação deixou de exigir as classificações atribuídas nas escolas privadas.

Portanto um governo (alegadamente) de esquerda, que alguns comediantes virtuais e outros palermas classificam de “estalinista”, não só não promove a igualdade entre alunos como privilegia o privado, deixando a corda solta para que o lucro norteie o processo educativo.

Os rankings das escolas são uma mentira. Uma ilusão que existe para inflacionar o valor dos tais colégios que percebem mais de viciação de resultados do que de pedagogia. Com conselhos de administração bem recheados de deputados e notáveis da central de negócios do costume. A educação para a corrupção começa cedo, neste país.

E depois ficamos muito admirados porque isto não anda para a frente. Sorte a nossa, temos a malta do RSI e os funcionários públicos, que são menos do que esmagadora maioria dos nossos parceiros europeus, para usar como bode expiatório. Que alívio!

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    A solução seria colocar a entrada nas universidades totalmente dependente da nota de um exame.
    Infelizmente, no entanto, os esquerdistas consideram inadmissivelmente traumatizante para uma criança ter o seu futuro totalmente dependente de um único exame, e por isso criaram o atual sistema de acesso.
    Os mesmos esquerdistas, quando querem aceder a uma universidade dos EUA, admitem perfeitamente ver o acesso condicionado para um único par de exames.

    • Paulo Marques says:

      Bom, se para provar que as pessoas não falham usam um exemplo que não existe, não é preciso grande resposta.

  2. Joana Quelhas says:

    Imagine-se uma corrida de 100 metros. Como garantir que todos cheguem ao mesmo tempo?
    Recuando os blocos de partida dos melhores.

    O lema comuna da igualdade de resultados não é aplicável, a menos que queiramos uma sociedade tipo Coreia do Norte , China, Argentina Venezuela e muito brevemente Chile e Colômbia, Sri Lanka… entre outros.

    A solução desta gente, então, é o nivelamento por baixo.

    Não é possível que todos os alunos tirem 5 ou 20 ? então a mundo-visão socialista/comuna manda que todos tenham 5 ou 20. Garante-se assim a tão almejada e imoral igualdade.

    Aqui o dactilógrafo comuna do post como tenho vindo a dizer , das duas uma, ou é um militante entusiasta de base e ainda acredita na teoria ou é um manipulador.
    Porquê ?
    Porque aparece aqui a defender o sistema de uma corrupção que é criada pelo próprio sistema.
    Ainda não percebeu e acredito eu nunca perceberá que o ensino particular com qualidade está reservado á Ruling Class assim como o sistema publico está moldado para “emburrecer” os filhos da classe governada.
    Os muito bons alunos do público tem uma nesga de oportunidade para passarem de um sistema para outro, os medianos e maus ficam-se como bons cidadãos formados à semelhança das cadeiras de “Cidadania”.
    São estes que mais tarde escreverão posts como o deste citado datilografo que imbuído das melhores intenções acha que está a lutar por um ensino melhor…é muito engraçado ver isto de fora.

    Joana Quelhas

    • POIS! says:

      Ora pois, ó Quwelllhass…

      Mas se é para chegarem “todos ao mesmo tempo”, então não é uma corrida, pois não?

      O que Vosselência quer é que seja. E é pena porque, a avaliar pelas prestações por aqui amplamente derramadas…não vai longe. Aliás, nem perto.

      PS. Ora diga lá: quem datilografou “O Caminho Para a Servidão” e outras obras humorísticas de elevado calibre liberalesco? Tenho o nome na ponta da língua, foi um tal Cúek, ou Tarek, ou Aiquejámedek, ou coisa assim…

    • Paulo Marques says:

      Continua sem responder onde estão esses magníficos indicadores da progressão dos alunos, ao qual pode juntar os indicadores de aceitação universal das entidades privadas.
      E, já agora, que raio se passa por o milagre desaparecer no ensino superior.

  3. Carlos says:

    “Ainda não percebeu e acredito eu nunca perceberá que o ensino particular com qualidade está reservado á Ruling Class assim como o sistema publico está moldado para “emburrecer” os filhos da classe governada.”

    Esta frase diz tudo. E ainda há quem ache o Chega perigoso

  4. JgMenos says:

    Quem corrompeu o sistema de provas públicas de aferição, com a treta progressista de que os tadinhos se enervam com os exames, que os calinos podem ver-se confrontados com a sua calinice e até pode acontecer de desistirem de adquirir o grau obrigatório para todo o calino?

    • POIS! says:

      Pois foi, que me lembre…

      O PSD. Ou melhor, a AD. No tempo do Sá(grado) Carneiro. Acabaram com tudo, exceto os do 12º ano. E esses nem eram bem exames. Foram as jotinhas que o impuseram!

      Quanto ao resto: e Vosselência? Conseguiu o tal grau obrigatório? Ora diga aí os rios da Guiné e os apeadeiros do Ramal de Cáceres!

      • POIS! says:

        Ah! Em alternativa…

        Também pode dizer os apeadeiros da Guiné e os rios do Ramal de Cáceres. Vá lá!

  5. POIS! says:

    Sobre o título do “Expresso”: sem controlo? As notas? Só?

    E o resto?

    Um dia, se vier a propósito, relato aqui uma dúzia de coisas. De que tive conhecimento direto.

  6. estevesayres says:

    Mais uma de tantas que ainda vão aparecendo até ao final do ano, é só terminar os incêndios e a guerra na Ucrânia inter-imperialista, vão ver as noticias em catadupa…

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