Ganhar o Nobel por estar em guerra contra o seu povo

925,000 euros que vêm a calhar

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daqui

Nobel da Paz para a Europa?

Deve ser engano

O Nobel da Paz é tantas vezes tão mal atribuído que quando acertam parece engano. Liu Xiaobo tem dedicado a sua vida a ser preso pelo regime fascista chinês, símbolo do capitalismo em ascensão.

Os senhores do novo império dominante ficaram furiosos. Azar o deles. Na China terão de aprender mais tarde ou mais cedo que o imperialismo tem pés de barro e não passa de um tigre de papel, por muito que o poder esteja na ponta da espingarda.

As palavras de Obama na cerimónia do Nobel da Paz

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Transcrição do discurso (em inglês) no site do New York Times (implica registo gratuito).

O peru da compaixão ou como os EUA atiram areia para os olhos do mundo

foto MICHAEL REYNOLDS/EPA

 

O presidente Barack Obama, prémio Nobel da Paz em 2009, que foi há dias notícia por se ter recusado a assinar a convenção internacional que proíbe as minas terrestres, perdoou a vida ao peru escolhido pela Federação Nacional do Peru para a mesa presidencial no almoço do Dia de Acção de Graças.

 

Courage, o peru, vai agora terminar os seus dias no doce remanso da Disneilândia.

Nem outro gesto seria de esperar de um Nobel da Paz. 

Nobel da Paz para Berlusconi

Foi constituído o comité que irá preparar a candidatura de Sílvio Berlusconi ao prémio Nobel da Paz, pelo “seu empenho humanitário no campo nacional e internacional.” Não sei exactamente que medidas tomadas no plano interno têm em mente os patrocinadores desta candidatura, uma vez que a notícia que está a ser avançada apenas refere a actuação do Cavaliere na cena internacional, mas creio que bastaria citar a nova lei da imigração, aprovada há dias, e as suas humanitárias propostas, para justificar a atribuição do Nobel a Berlusconi: – Criminalização da imigração ilegal, com aplicação de uma multa de até dez mil euros a quem entrar ou permanecer no país sem visto; – Aumento do tempo máximo de permanência de imigrantes em situação irregular nos Centros de Identificação e Expulsão (o nome diz tudo); – Proibição às mulheres estrangeiras sem visto de permanência de registarem os filhos que tiverem em território italiano, o que, a ser cumprido, abrirá caminho a que percam a guarda das suas crianças quando forem expulsas do país; – Legalização das milícias populares formadas por cidadãos que pretendem garantir a segurança pública (as “guardias padanas”) e que até aqui se têm dedicado a vigiar os imigrantes em situação irregular; – Proibição do arrendamento de imóveis (casas ou quartos) a imigrantes em situação irregular, com aplicação de multa e detenção até três anos para os senhorios infractores. Bem vistas as coisas, porquê parar por aqui? Por que não reclamar o Nobel que a Cosa Nostra há tanto merece? Ou exigir a Oslo que, ainda que a título póstumo (bem diz o povo que mais vale tarde do que nunca), distinga o pacifista Benito, e assim redima Il Duce daquela morte patética, de pernas para o ar, exposto à multidão desrespeitosa naquela praça de Milão?