Para que serviu a Guerra no Irão?

Tankers struck near Strait of Hormuz amid Iran-U.S. tensions | PBS News

Aparentemente, o conflito no Irão terá chegado ao fim. E chega ao fim sem que qualquer objectivo enunciado por Trump no final de Fevereiro, quando ordenou o ataque contra o regime teocrático, tenha sido alcançado.

Contas feitas, os EUA não derrubaram o regime, não vergaram militarmente o Irão, não destruíram os proxies e, em bom rigor, não mudaram nem obliteraram coisa nenhuma. O único efeito prático da intervenção americana ordenada por Telavive foi a oferta, numa bandeja dourada, de uma nova e poderosa arma à Guarda Revolucionária Iraniana, que é quem, de facto, governa o país: o Estreito de Ormuz. Mais eficaz e fácil de usar que a hipotética arma nuclear que o Irão nunca teve nem estava perto de ter.

O regime americano sai deste conflito em pior posição no Médio Oriente. Aliados desconfiados e com elevados prejuízos, capacidade de produção e exportação de petróleo e gás altamente condicionada, portagens no Estreito de Ormuz e o stock de antiaéreas em mínimos históricos. Até os Patriot estacionados na Coreia do Sul foram transferidos para a região.

Já os oligarcas do trumpismo ganharam imenso dinheiro. Trump, os seus filhos, o seu genro, os techbros, os fundamentalistas evangélicos e os cryptomafiosos saem disto com os bolsos cheios. Os restantes – onde eu e o caro leitor nos incluímos – ficaram mais pobres.

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O Culpado

Pode ser uma imagem de texto que diz "ECONOMIA E Juros da dívida nas economias desenvolvidas batem recordes e ainda devem subir mais até final do ano Portugal não é exceção Depois de terem disparado desde o início da guerra contra o Irão para máximos de vários anos, OS juros da dívida pública nas principais economias desenvolvidas vão continuar a escalar até ao final deste ano. Juros dos títulos dos Estados Unidos e do Reino Unido vão ficar acima de 5% no prazo a 10 anos. Obrigações do Tesouro português vão custar 4% 12:23 Jorge Nascimento Rodrigues"

Um dia, a narrativa será “a culpa foi político X”.

E de facto foi.

Do político Donald Trump.

Mas não será do abusador corrupto, das suas tarifas, ameaças, ou da sua guerra idiota que estaremos a falar.

Será do “culpado”.

Quem?

O primeiro-ministro que estiver em funções quando a bolha rebentar. Seja Luís Montenegro ou quem lhe suceder. A culpa é sempre do tipo que administra, com as mãos atadas por Bruxelas, nunca do sindicato do crime económico internacional que fabrica crises financeiras, golpes de estado e guerras. E lucra com elas. Com juros da dívida pública de países expostos e em apuros, por exemplo.

Deixem a NATO em paz

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A NATO não é o que Donald Trump quer que ela seja, dependendo de como acorda num determinado dia. E muito menos está ao serviço da sua oligarquia corrupta. Ou pelo menos não devia estar.

A NATO é uma aliança defensiva. Com regras bem definidas e plasmadas num tratado fundador. O objectivo primordial da NATO é garantir a defesa mútua dos seus membros. Não é atacar ninguém. E repare, caro leitor, que o que acabou de ler não é uma opinião minha. É o que está escrito no Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO e funciona como sua base legal. E foi exactamente com esses termos que os signatários concordaram e debaixo dos quais colocaram a sua assinatura.

Dito isto, o que aconteceu no Médio Oriente, por muito que abominemos o regime iraniano, e eu abomino-o com todas as forças, foi um ataque dos EUA e de Israel contra o Irão, não o contrário. Os Estados Unidos não foram atacados, o que significa que não existe enquadramento legal para envolver a NATO em mais um conflito provocado no Golfo Pérsico para encher os bolsos aos suspeitos do costume. E a Vladimir Putin, que é, literalmente, o grande vencedor desta guerra.

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