Como ousam gritar(?)

Aquando da carga policial ocorrida na Praça D. João I, no Porto, sobre os manifestantes, cedo foi dada como proporcional e adequada por Pedro Duarte, Luís Montenegro, André Ventura, Mariana Leitão, Paulo Núncio, Pedro Pinto, etc. Estes ilustres da Direita, falaram com tal certeza que qualquer um pensaria que tinham estado lá a assistir e que falavam com conhecimento de causa. Mais, ainda, Rui Rio disse que, pela sua experiência em sede destas situações, a PSP deve ter agido correctamente, algo que o Capitão Renault de “Casablanca”, na esteira da sua clássica fala “Round up the usual suspects“, não teria dito melhor.

O pior, foi mesmo Carlos Abreu Amorim, que no Parlamento disse “O Governo não vai ceder aos gritos que vêm das ruas”. Talvez pouco ambicioso, pois que, em bom rigor o que o Governo tem feito é não ouvir, seja o que vem das ruas seja o que for.

Considerando que para haver gritos nas ruas em Portugal é preciso que algo esteja mesmo muito mal, Carlos Abreu Amorim revelou um completo desacerto com a realidade histórica e social do país. Desacerto e não ignorância. O que revela bem a lógica social-democrata que impera no actual PPD: grau zero. Talvez uma boa notícia para Pedro Passos Coelho e para o seu sonho de aliança com o Chega.

Entretanto, continuamos a braços com o problema da habitação que é grave, muito grave. E nenhuma resposta eficaz tem sido dada por parte deste Governo. Tal como não foi dada pelo Governo de António Costa – que mostrou ser um excelente gestor, mas, infelizmente, apenas da sua carreira política e não do país. E, perante um problema grave que persiste, agrava, ninguém resolve, como ousa vir alguém gritar para a rua? Como ousam gritar na rua, para que um Governo ouça o que urge resolver? Como ousam gritar na rua a falta de tecto? Como ousam? Mas pensam que são quem? Zeca Afonso?

Comments

  1. Sensei says:

    Quando o pessoal jovem qualificado e não só, se puser na alheta desta imitação de país à beira mar plantado, aí talvez acordem, mas será demasiado tarde, nem jovens qualificados e não qualificados, nem nascimentos que garantam o futuro desta coisa que em tempos se designava por Portugal, será uma tira velha, suja, esfarrapada, sem nada de seu, vendido ao desbarato a quem queira comprar.

    Turismo só de luxo com empregados do Bangladeche, a língua portuguesa, só no Brasil, se o Bolsonaro ganhar nem aí. Tal como no tempo do Cavaco Silva, eu escondia a minha nacionalidade, tentando virar o passaporte de forma a que não me considerassem português, tal a vergonha, de pertencer a uma espécie de país, onde a corrupção e o gamanço são bandeira, e a CRP serve apenas para limpar o dito, aconteceu o mesmo com Pedro Passos Coelho, e agora com este traste do Luís Montenegro, somos uma espécie de país, sem futuro e que defecou na sua história.

  2. Paulo Marques says:

    Se o governo cedesse às ruas, ou sequer ao seu programa eleitoral, depois como é que facturavam as empresas familiares?

  3. Jurosa says:

    A construção de casas não tem crescido ao ritmo da procura. Todos os governos, sem exceção, ignoraram esta realidade. Este governo agravou a situação ao conceder benefícios aos jovens para a compra de casa. Então , por esse motivo, a procura aumentou e a oferta agravou-se. Entretanto, como a procura aumentou, os preços das casas sobrevalorizaram e os jovens , que aderiram a este sistema, na prática, acabaram por não saírem beneficiados . Seria mais benéfico se os benefícios fossem concedidos para a construção. Ai a oferta, embora continuando a ser escassa, não se alteraria.

Leave a Reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading