Afonso

Já me tinha cruzado com ele numa destas noites, a cidade ainda celebrava e uma figura sonâmbula deambulava pelas ruas. Tapava-se com um cobertor como se fosse um manto, caminhava com passos incertos sob o seu cobertor verde na noite fria. Vi-lhe o rosto de relance e não percebi que fosse tão novo, 17 anos de fugas e solidão.  O Jornal de Notícias conta hoje a história do Afonso, o miúdo cigano a crescer sozinho nas ruas, entregue à bondade dos estranhos, à indiferença da maioria, ao descaso das autoridades, à crueldade de quem acha graça a vê-lo alcoolizado. [Read more…]

Os mapas do meu pai

Quando eu era catraia, e com catraia quero dizer ter nove, dez anos, o meu pai levava-me a caminhar pela cidade. Arranjava um pretexto, um sítio qualquer a que tínhamos de ir, mas o verdadeiro propósito parecia ser o de que caminhássemos dezenas de quilómetros. Metíamo-nos por atalhos que ele dizia conhecer, porque o meu pai sempre acreditou que conhecia atalhos, mesmo nas cidades onde nunca tinha estado, e sempre se recusou a admitir que não fazia ideia de onde estava. Às vezes, os atalhos corriam bem, isto é, cortávamos caminho e descobríamos uma ruela nova, uma ligação insuspeita entre lugares. Outras vezes, corriam mal e acabávamos a andar muito mais do que o previsto. E outras vezes ainda, corriam muito pior e éramos perseguidos por uma matilha de cães. Na verdade, só aconteceu uma vez, e nesse dia, quando nos deparámos com uma matilha que se lançou na nossa direcção com dentes arreganhados e latidos raivosos, eu olhei para o meu pai com essa fé, tão ingénua quanto fervorosa, que as crianças sempre depositam na capacidade dos pais de resolverem todos os problemas. Num perfeito tempo de comédia, o meu pai devolveu-me o olhar, gritou:

– Corre! [Read more…]

“Pelas ruas de Burgau”

Photo©Pedro Noel da Luz

las calles (ruas) narran

las calles narran

…para mi joven hermana, Dra. Blanquita Iturra de Toro…psicoanalista

 Fue apenas una casualidad. La calle de aldea que muestro, es más un adorno que una casualidad, a pesar de corresponder a esquinas de las calles de la quinta en que vivíamos en Santiago de Chile. Un barrio antiguo, con una quinta rodeada de calles que tenían historia. La propia calle de la quinta, tenía una historia. No era por acaso que se

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Como Se Fora Um Conto – Para Estes Não Há Funerais de Estado

Conheci-a num Centro Comercial. Vendeu-me alguns artigos de que eu necessitava e alguns outros que eu não sabia que queria. A sua simpatia era contagiante e o seu sorriso alegrava a alma.

A conversa, essa, veio naturalmente, e ficamos como que amigos. Fiquei a saber que o trabalho era bom e gratificante, que gostava do que fazia e que fazia o que gostava. Só tinha vinte anos mas já trabalhava há perto de quatro. Por incapacidade económica não tinha estudado mais que até ao fim do ensino obrigatório. Talvez que um dia continuasse. Por agora, sentia-se bem assim. Estava a subir na carreira de ‘balconista’, e até já mandava em parte da sua secção. Para além disso, tinha outros interesses que lhe tomavam todo o tempo disponível. [Read more…]

Apontamentos de Óbidos (17)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

Apontamentos de Óbidos (16)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

Apontamentos de Óbidos (15)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

Apontamentos de Óbidos (14)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

Apontamentos de Óbidos (13)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

Apontamentos de Óbidos (12)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

Apontamentos de Óbidos (11)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

Apontamentos de Óbidos (8)

(Caminhando pelas ruas de Óbidos)

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