Um defensor do AO90 contra a simplificação da ortografia

Marcos Bagno é um linguista brasileiro e defende o acordo ortográfico (AO90) com a mesma frontalidade com que critica o “preconceito linguístico”. Acrescente-se que é um homem de esquerda, preocupado, portanto, com os mais desfavorecidos, que o são, também, por serem desfavorecidos em termos educativos.

Continuo a só encontrar defeitos no AO90 e sinto algum desconforto diante de algumas opiniões do autor brasileiro no que se refere à questão do preconceito linguístico. Esse desconforto é consequência de uma reacção, uma vez que o meu conhecimento dos textos de Bagno resulta de leituras dispersas e superficiais; um dia, poderei ter uma opinião sobre o assunto.

No que se refere ao campo ideológico, teremos, provavelmente, muito em comum.

Em Portugal, alguma esquerda tem defendido o AO90, argumentando que “a simplificação das regras de escrita [resultantes, depreende-se, do AO90] constitui (…) uma forma de democratização da língua portuguesa.” No Brasil, o Movimento Acordar Melhor defende que a simplificação ortográfica deve ir mais longe, sempre com o objectivo de facilitar a aprendizagem.

Confesso que, tendo em conta as minhas leituras superficiais sobre Marcos Bagno, esperaria dele uma opinião semelhante. Foi, portanto, uma agradável surpresa ter descoberto, no Facebook, que defende precisamente o contrário, com argumentação inatacável. O texto foi originalmente publicado na revista Caros Amigos e o autor resolveu disponibilizá-lo nas redes sociais. A seguir ao corte, está a transcrição. [Read more…]

A Costa Rica está há 65 anos sem forças armadas

Entretanto, conseguiu uma esperança média de vida de 78 anos, uma taxa de alfabetização de 96,3% e “o povo mais feliz do planeta”.

É desta que aprendo o alfabeto russo

0_746af_e0a0c83d_orig1Pelo meu amigo António Oliveira chego a estas fantásticas ilustrações, com as quais Sergei Merkurov participou na luta contra o analfabetismo, URSS, 1931.  Sim, não é gralha: a União Soviética em 1931 ainda estava muito à frente nas artes (o estalinismo iria impor o realismo socialista no ano seguinte), pese que nesta altura o grande Malevich já tivesse levado nas orelhas. Desconfio que com estas imagens as campanhas de alfabetização no Portugal de 1975 teriam durado ainda menos tempo, mas teriam sido um nadinha mais emocionantes.

Pode ver o alfabeto completo no The Charnel-House que as publica.