Livros infantis para adultos

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[Alex Gamela]

Tenho a mania que escrevo umas coisas, e não escrevo tanto que justifique a mania.
Leio muita coisa, mas não leio talvez o suficiente ou suficientemente bem.
Leio muito sobre escrita, o que me reforça a crença nos pontos anteriores, mas também me dá alguma noção sobre a qualidade dos textos que me aparecem à frente.
Escritores por aqui tenho muitos, e muitos muito maus, que, se calhar deviam ler mais e melhor, e sobre escrita também, a ver se escreviam melhor.
São raros os textos que encontro com qualidade ou diferentes dos bitaites à la chagas freitas, com personagens que não nascem do umbigo ou presos a dilemas sentimentais infantis.
Esses maus escritores têm o mérito de ter alinhado 50 mil palavras, umas atrás das outras, sem terem conseguido sair do mesmo lugar. É mais do que eu, que não saio do meu lugarzinho para alinhar tanto palavreado junto, como neste postzinho inútil.

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E UMA PROPOXTA PARA UH NOVO AVKD

José Lourenço

AVKD? O que é?

É uma proposta para um novo ABECEDÁRIO

“E UMA PROPOXTA PARA UH NOVO AVKD”

Regra Principal

Escrever como se fala

Condições:

  • Escrever respeitando o sentido da Fonética;
  • Escrever necessariamente em Maiúsculas;
  • Abolir todos os acentos sem excepção;
  • Colocar o .H. em todas as expressões nasais, letra diacrítica a preservar que servirá para eliminar todos os acentos e Dígrafos vocálicos, conforme in, im, ão, an, am, ae, en, em, oe, on, om, un, um, lhe e nhe e pausas/silêncios.

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A invenção da escrita

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Sócrates:
– Ouvi contar que viveu para os lados de Naucratis, no Egipto, uma divindade muito antiga, cujo emblema sagrado é a ave que eles chamam, tu o sabes, ibis, e cujo nome era Theuth. Foi ele que descobriu a aritmética, a geometria e a astronomia, o trictrac e o jogo dos dados e também, ficas a sabê-lo, as letras. Por outro lado, naquele tempo, reinava sobre todo o Egipto Thamous, que vivia naquela grande cidade que os gregos conhecem pelo nome de Thebas do Egipto e que tem por deus Ammon.

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“Contate hoje mesmo!”

contateOntem, numa hora, para mim, matinal, saí de casa, a fim de tomar o primeiro café do dia. A minha única preocupação era saber que teria de disputar o jornal “da casa” com os quatro ou cinco reformados que passam por cada página com uma calma enervante, incluindo a necrologia e os anúncios das meninas que prometem dar vida a mortos. Ao passar pela caixa de correio, verifiquei que já lá estava o habitual prospecto de uma imobiliária. Na frente e no verso, podia ler-se “Contate [sic] hoje mesmo!”, como poderão confirmar na imagem que simpaticamente compartilho. A urgência do primeiro café tornou-se ainda mais urgente. É nestes momentos que admiro a fleuma do Francisco Miguel Valada, que consegue manter a elegância mesmo quando recolhe amostras de fatos e de contatos.

Como é que o verbo contatar  e o nome contato entraram pelos prospectos do nosso país? Façamos, à imitação de outros muito mais sabedores, um resumo da história do chamado acordo ortográfico (AO90). O AO90 foi criado porque, na opinião (ou nas declarações) dos seus autores, era preciso, necessário, fundamental, imprescindível criar uma ortografia única no universo dos países lusófonos. Resultado: muitos desses países ainda não adoptaram o AO90 e entre os países que o adoptaram continua a não haver uma ortografia única ou deixou mesmo de haver ortografia. [Read more…]

Um defensor do AO90 contra a simplificação da ortografia

Marcos Bagno é um linguista brasileiro e defende o acordo ortográfico (AO90) com a mesma frontalidade com que critica o “preconceito linguístico”. Acrescente-se que é um homem de esquerda, preocupado, portanto, com os mais desfavorecidos, que o são, também, por serem desfavorecidos em termos educativos.

Continuo a só encontrar defeitos no AO90 e sinto algum desconforto diante de algumas opiniões do autor brasileiro no que se refere à questão do preconceito linguístico. Esse desconforto é consequência de uma reacção, uma vez que o meu conhecimento dos textos de Bagno resulta de leituras dispersas e superficiais; um dia, poderei ter uma opinião sobre o assunto.

No que se refere ao campo ideológico, teremos, provavelmente, muito em comum.

Em Portugal, alguma esquerda tem defendido o AO90, argumentando que “a simplificação das regras de escrita [resultantes, depreende-se, do AO90] constitui (…) uma forma de democratização da língua portuguesa.” No Brasil, o Movimento Acordar Melhor defende que a simplificação ortográfica deve ir mais longe, sempre com o objectivo de facilitar a aprendizagem.

Confesso que, tendo em conta as minhas leituras superficiais sobre Marcos Bagno, esperaria dele uma opinião semelhante. Foi, portanto, uma agradável surpresa ter descoberto, no Facebook, que defende precisamente o contrário, com argumentação inatacável. O texto foi originalmente publicado na revista Caros Amigos e o autor resolveu disponibilizá-lo nas redes sociais. A seguir ao corte, está a transcrição. [Read more…]

«Publique finalmente o seu livro»

Quem nunca desejou escrever um livro?

Depois de escrito, ninguém o quer numa gaveta. Ninguém escreve só para si. Procura-se uma editora interessada, mas é preciso investir bastante dinheiro.

Agora está na moda o self-publishing. Vivemos a «época de sucesso» da auto-publicação. Não faltam editoras online, que surgem como cogumelos na net, atractivas, como a Bubok.pt ou a Sítio do Livro. São irresistíveis os seus slogans: «Quer publicar um livro?», «Realiza um sonho. Publicque finalmente o seu livro».

E. L. James é um fenómeno editoral. Já vendeu mais de 40 milhões em todo o mundo. A escritora britânica, de romance erótico, começou sem editor, recorrendo à auto-publicação.

Na Feira do Livro de Frankfurt, último dia, James é tema de conversa. Neste certame, encontram-se à venda muitos livros de autores que fizeram sucesso no self-publishing.

Não deixe de sonhar em escrever um livro. Agora é mais fácil: existem todos os meios para a auto-publicação e promoção do seu livro.

Não estou a ser irónica. Eu mesma estou a pensar, seriamente, em auto-publicar…

A Alma

Um leitor deste blogue levantou uma questão interessante em reação à frase “viva a liberdade de podermos aqui no Aventar, por exemplo, dizermos o que nos vai na alma”. Ele perguntou: “E quem não tem alma, também pode escrever no Aventar?” Ora aí está uma bela pergunta. Fiquei a pensar nela. Fui ao dicionário consultar sinónimos de «alma»: ânimo, cabeça, consciência, espírito, coração, ideia, inteligência, mente, sentimentos, etc. A wikipédia, por seu turno, diz-nos que «alma» significa ‘vida’, ‘criatura’ e ‘o que anima’.

Podemos expressar-nos, seja de que maneira fôr, sem todos ou alguns daqueles requisitos? [Read more…]

Regras para a escrita e adeus

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Se bem me lembro, são 61 anos que ando no jogo da escrita. Aprendi a escrever bem antes de ir a escola. Devo confessar, no entanto, que a escola nunca fui, foi a escola que apareceu em casa na pessoa de uma professora primária, que ganhava tostões extras por me ensinar. Devo confessar também, que o trabalho não era pesado para ela: aprendi as primeiras letras com os meus progenitores, como narro no meu livro mais recente Memorias de un extranjero extravagante, que escrevi en castelhano chileno. Língua muito semelhante ao luso europeu, onde não há palavras consonantes. A leitura, no colo do meu pai, a escrita, no da mãe, enquanto espreitava os livros que eles liam. Era filho único, até os cinco anos, data na que nasceu a minha irmã que adoro e, a seguir, outros quatro, que pareciam lutar por ser quem aparecia primeiro neste mundo. A distância entre todos eles variava entre 11 meses ou 12.

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E agora, algo completamente diferente: o “ganço”

Desde há uns anos que me apercebo da decadência do serviço de tradução com que somos brindados em filmes, séries documentários, etc.

A tradução é uma actividade interpretativa e não meramente mecânica.

O que se assiste, cada vez mais, é a legendas resultantes de uma tradução meramente literal, sem preocupação interpretativa ou análise semântica sequer. E, pior, os erros de escrita, estão cada vez mais presentes. Ainda a semana passada, li numa legenda de um filme, a palavra “ganço”.

Parece-me que o que se passa nas traduções, é apenas um sinal do declínio com que se trata a palavra escrita. Sinal que se estende a anúncios e até mesmo à imprensa. E os vícios do dialecto das mensagens de telemóvel em que petizes e adolescentes são mestres, não vão ajudar muito a melhorar as coisas no futuro, não.

Um dia, a tecnologia banirá a esferográfica e o corrector ortográfico brilhará para todos nós.

A inutilidade dos jubilados

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(retirado dos cadernos das minhas memórias)

Comecei a vinha vida de trabalho muito novo ainda. No dia seguinte, após 60 anos de trabalho, estava jubilado. A vida passou como um pestanejar… olhos que todo vem, lembram-se de todo, avançam no conhecimento da vida e guardam as experiências do que se entende, desenvolve e útil parta outros, como para nós próprios.

No meu entender, é um acto contraditório. Jubilar está relacionado com Encher (-se) de júbilo, o jubileu ou gáudio ou alegria da vida porque não há mais nada para fazer: a vida foi ganha, conquistamos amigos que nos acompanham e estão sempre connosco nesses dia que parecem de preguiça.

No entanto, a necessidade da vida leva-nos a esses dias que beliscamos da manhã à noite. Era pequeno e quase não sabia andar e olhava de baixo para cima um senhor sempre de preto, de fato preto, de um advogado que já nem queria litigar: os anos tinham sido pesados em tanto tribunal e estava cansado de falar. Era o meu avô materno que no vivia os dias, os matava em jardinagem, em ir as casas dos seus descendentes para brincar, como mais um puto, com esses pequenos que lhe enchiam os dias. No meu ver, como leio nos meus cadernos de memórias para lembrar a ida que sempre escrevi quando já me era possível, era alto, um gigante

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Apostar na língua pátria melhorará o Direito?

Com a aceleração dos cursos jurídicos e dos mais, em resultado da Declaração de Bolonha, há como que um abreviar das preocupações sobre que deveriam repousar os planos de estudo.

Curial seria que – com a deficiente formação, no geral, a português – houvesse logo no primeiro ano dos cursos jurídicos ou num “ano propedêutico” uma disciplina anual, a “hermenêutica jurídica”, susceptível de habilitar o escolar de leis a dominar as técnicas de interpretação, a aprofundar os conhecimentos da língua pátria, a ler de forma escorreita um texto jurídico, a fim de contrariar o quadro que ora se oferece que é o de chegar ao termo da formação escolar sem a destreza da língua, sem se alcançar uma interpretação fidedigna da lei, como diria Pereira Coelho, insígne Mestre com quem servimos em Direito Civil – Família e Sucessões, na Coimbra dos anos setenta do século transacto.

Com a agravante de que leis mal feitas exigem uma superlativa formação a português, que ora falece a quantos demandam a Universidade e os politécnicos.

E o fenómeno das leis mal feitas espalha-se como uma nódoa por todo o tecido do ordenamento jurídico.

Estranha-se que as escolas de direito (nas condições em que de tal se possa falar…) não sejam sensíveis ao fenómeno e nada façam para alterar o statu quo…

Mais tarde ou mais cedo… alguém terá de fazer algo para que se regenere a situação de clamorosa penúria no que tange à língua e da metodologia da interpretação da norma que aos juristas se impõe dominem.

escritores latino-americanos e pouco europeus-2ª Parte

Isabel Allende visita Portugal no ano 2000, o nosso próximo Nobel...

Isabel Allende Llona (Lima, 2 de Agosto de 1942) é uma jornalista e escritora chilena (apesar de ter nascido em Lima, sua família logo voltou para o Chile, sua terra natal) actualmente radicada nos Estados Unidos da América.

Filha de Tomás Allende, funcionário diplomático e primo irmão de Salvador Allende, e de Francisca Llona. Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973). [Read more…]

A escrita

(adão cruz)

 

(Texto de Marcos Cruz)

A escrita 

 Uns dias bem, outros mal. Quão mentiroso é o horizonte! Quão aliciante e persuasivo se nos mostra naqueles dias, quão angustiante e negro se nos revela nestes. A paz é das montanhas e dos vales, dos medos e dos amores, ela habita toda a forma. Para ser minha também, falta que eu com ela aprenda essa adaptabilidade, essa renúncia infinita. Sentir, eis a questão. Sentir tudo. Abrir o peito às flores e às balas, deixar que o destino penetre a carne e a queime de toda a sensação, permitir que o corpo seja o altar onde a dor e o prazer juram e geram amor eterno. Fazer a parte que me compete, usar bem o meu testemunho, abrir caminho para quem vem depois. Viver no paradoxo como se fosse chão firme, que o é, afinal. [Read more…]

O crescimento das crianças- 3ª parte (II) – Foste feito

cacique picunche, o rei de uma aldeia, hoje jornaleiro para sobreviver

Foste feito, eu existo. Como era.

Questão que se coloca qualquer antropólogo que deseja entender o que toda criança observa. Como era. È a primeira questão que colocamos nas suas mentes, quando estamos a observar o presente. Exemplo paradigmático do assunto, é o caso dos estudos de Jack Goody, especialmente na sua Lógica da escrita e a organização da sociedade, escrito em inglês em 1986. Mas, como o próprio Goody reconhece ao longo da sua obra, bem como Maurice Godelier ao longo da sua são as ideias, oralmente exprimidas e transmitidas, as que constituem a organização e a interacção social. A pequenada que temos observado, orientada por nos, têm-nos demonstrado nos seus diários de campo, como é que entende aos seus adultos. E o que cada criança vê, é um mundo heterogéneo, cujos antecedentes só começa a perguntar já em adulto, ainda que em pequeno, viva os resultados. Como era? Como é que era? Se eu existo, como será que tu foste feito? E o que é o que foste feito? Um produto de produtores, como eu tenho denominado já em outros textos? (1995 e 1992). Será a genealogia pela qual a criança pergunta? Ou o contexto social total, que, como no seu caso, envolve também aos seus progenitores?

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Ler como ser

    (adao cruz – o eco) 

(Em tempo de livros parece-me útil este texto de Marcos Cruz)

Ler como ser

Penso se um dos trunfos da escrita não será o facto de que quem lê está envolvido na leitura e, dentro da dinâmica própria em que a leitura se processa, não tem tempo para reflectir sobre o que vem a seguir. Refiro-me, concretamente, a estes textos que escrevo. À medida que os vou escrevendo, cada uma das palavras impressas me ecoa na cabeça e, como qualquer eco, traz uma aparência indefinida, dividida ou multiplicada, não sei, mas em que são perceptíveis várias derivações, relações profícuas, como quando se atira uma pedra a um rio e os círculos nascem uns dos outros, trementes, nunca parados, mas suficientemente nítidos para os podermos cristalizar na memória e, depois, se for caso disso, fazermos uso deles. Mais ou menos assim é, aliás, a vida: nunca pára, não dá para apanharmos verdadeiramente nada a não ser essas impressões e, depois, se for caso disso, fazermos uso delas. Será a vida um eco? Não sei. Mas também não era por aí que eu ia. [Read more…]

educação, escola, aprendizagem,ensino e a selecção portuguesa

minha neta May Malen Isley, aprende a ler

Estava feliz de ver a nossa selecção jogar. Estava certo que iamos ganhar, com bendeiras e todo nod meus terraços. Grande desilusão. A defessa foi excelente, ou a equipa contraria nos enchia de golos. Para me consolar, o melhor é a escrita. Apesar de estar certo de ganhar todos os próximos encontros. Therefore, Darling May Malen I.Isley, my best grand-daughter, so far, a story for you…in Portuguese this time…

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Mania da perseguição

A verdade é que a história começara antes, mas, para não complicar, digamos que tudo começou no dia em que me cruzei com ele no Capa Negra. Quem não é de cá não saberá, mas a gente vai ao Capa Negra quando quer iludir-se com a ideia infundada de que vive numa cidade cosmopolita e que é possível ir jantar à hora que nos apetece.

A única mesa livre era junto aos aquários e eu sentei-me ao lado dos lavagantes, que espreitaram toda a refeição com os seus olhos redondos, que mais parecem botões aproveitados de um casaco velho, e fazendo vibrar as antenas finíssimas e curvas ao ritmo das nossas vozes. Sinto um frio no estômago de cada vez que vejo estas criaturas, e por isso me foi tão penoso aguentar toda a refeição sentindo-as ali ao lado, a flutuar no seu limbo silencioso. Nem me atrevia a olhá-las para não alvoroçar essa minha fobia que facilmente se poderia transformar em pânico. [Read more…]

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