Alternativas, alternadeiras e alternadores

Chema Madoz

Imaginemos alguém numa sala completamente às escuras. Na mão tem uma lanterna acesa. Mas essa lanterna está apenas a meio centímetro da parede. Como se pode adivinhar, esse alguém não vê a ponta de um corno à frente do nariz apesar de ter uma lanterna na mão. Pois bem, este é um exemplo de alguém que pergunta “qual é a alternativa? Que outro caminho existe para sairmos da crise senão empobrecer, cortar, cortar?”

A resposta é tão simples que até dói. Primeiro: dar uns passos atrás. O círculo de luz da lanterna vai ficando maior. Cada vez maior. A sala começa a ganhar os seus contornos, vemos os objectos, os móveis, quase tudo. E se apontarmos a lanterna para o tecto no meio da sala tudo se revela. Simples, não?

Como o Estado foi desmantelado, destruído, para além dos impostos não tem outras fontes de rendimento. Daí o “colossal aumento”. Mas, como não resultou, tivemos o inconsequente corte nos salários e nas pensões. Qualquer merceeiro faria isto. É o método das alternadeiras. [Read more…]

Assinar contra o orçamento

As questões médicas estão longe das minhas preocupações mais ou menos recentes e, talvez por isso, não vou longe na argumentação que permita distinguir esquizofrenia de bipolaridade. No entanto, esta ignorância, como tantas outras, não deixa de me permitir perceber que se tratam de patologias muito presentes em parte dos dirigentes partidários do nosso país.

Não, juro que não estava a pensar no Miguel Relvas. Não, no Gaspar também não que esse só tem um pólo. O negativo.

Desculpem a deriva boqueira, mas não resisti – deixem-me, caros leitores, retomar o caminho que tinha pensado para o post.

Dizia eu, que em todos os nossos dirigentes partidários existe algo de patológico na medida em que está sempre tudo bem quando a origem do mal é a sua casa partidária, acontecendo precisamente o contrário quando a maternidade da coisa é no jardim do vizinho. Recordo com alegria o “muito bem” que se ouve nos debates parlamentares.

As últimas aparições laranja, no meio do pânico que os tomou, voltaram-se para a anterior governação socialista. Apesar do que disseram antes, a verdade de ontem, como tantas outras, é hoje uma mentira. Como não conseguem dizer mais nada, atiram-se para os erros do Governo de Sócrates como se fosse ele o responsável maior pela incompetência de quem nos governa. Sócrates tem parte da responsabilidade, claro. E nem sequer quero entrar na quantificação dessas responsabilidades. Como cidadão estou-me completamente nas tintas para o passado porque esse, meus caros, já foi avaliado pelo povo quando votou nas mentiras do PSD.

O que temos agora é um conjunto de boys incompetentes que estão apenas com uma missão – deitar mão a tudo o que significar lucro, ou seja, transferir da esfera pública para a dimensão privada da sociedade tudo o que for financeiramente rentável: águas, tap, …

É por isso fundamental travar essa gente e impedir a aprovação do orçamento é apenas o primeiro passo, porque há outros caminhos.

A alternativa à A25

Troço da Estrada Nacional 16 entre Vilar Formoso e Guarda. Eis a “alternativa” à  A25…

Los pórticos de la A-62 (Autovía de Castilla) a su paso por Castilla advierten “En Portugal Telepeaje en todas las autovías“. Vergonzoso.
Y si no tienes dinero para entrar en Portugal desde Europa, puedes usar la carretera internacional Nacional 16, un camino semiasfaltado al que un amigo mío llama “O Progresso”. Las carreteras españolas son, en general, mucho mejor que las portuguesas. Por lo menos, los que no tenemos dinero, podemos circular por carreteras dignas. Lo siento por los hosteleros. El próximo verano por culpa de los peajes, muchos restaurantes y hoteles cerrarán.

Jesus Cabanillas.