É desta Igreja que eu gosto!

Januário Torgal Ferreira diz que “se a Igreja não deve fazer política partidária, deve estar ao serviço da política como um bem comum e abrir voz à cidadania e aos direitos humanos em épocas de crise”. O bispo das Forças Armadas acusou o Governo de ser “profundamente corrupto“.

É isto que eu espero da «minha» Igreja! Denunciar o que está mal. Apontar o dedo.

Não faz nada de mais, mas felicito o bispo da Forças Armadas por ter a coragem, vamos dizer, de comentar publicamente que o Governo não só é corrupto como é profundamente corrupto.

Era bom que «eles» tivessem medo da Igreja.  

D. Januário Torgal Ferreira:

O Bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira sempre gostou de uma boa polémica. Sempre o admirei, mesmo quando não concordo com ele. Gosto da sua frontalidade. Diz o que pensa mesmo quando, raramente, não pensa no que diz.

Por muito que custe a alguns, basta reparar nas diversas caixas de comentários dos blogues, e independentemente do alvo (ele também disparou contra o anterior Governo, faço-lhe essa justiça recordando o facto) ele desta vez embarcou na treta de café ou de táxi.

A diferença, contudo, é que nem ele é taxista nem os jornais são mesas de café. D. Januário atirou lama em direcção a uma multidão. Fez como a polícia nas cargas efectuadas nas manifestações: bateu em tudo o que mexe, culpados, inocentes, incautos, distraídos e tipos que só estavam a passar naquele momento.

Nesse aspecto, sublinho e quero aplaudir publicamente as palavras do Ministro da Defesa:

Eu espero que o senhor bispo tenha apresentado na PGR os factos que fundamentam essa declaração, até porque o senhor bispo deve obediência às regras da Igreja e o falso testemunho é matéria que não obedece às regras da Igreja”, afirmou José Pedro Aguiar-Branco.

As coisas são como são.  Enquanto Bispo, D. Januário não é uma pessoa qualquer. A forma como o afirmou obriga-o a explicar quem são os corruptos e quais os crimes que cometeram, deixando para a justiça terrena a prova. É o mínimo que se lhe pode exigir.

Nem imaginam o quanto me custa escrever estas linhas. Tenho uma enorme consideração por D.Januário Torgal Ferreira. Mesmo sabendo que estas últimas declarações são fruto das incómodas notícias sobre a sua reforma. Contudo, homem inteligente como é, já deveria estar preparado e sendo Bispo das Forças Armadas sabe muito bem que na guerra todos dão e levam, como sabiamente diz o povo.

New York Times concorda com Januário Torgal Ferreira

Portugueses são os mais ‘complacentes’ com austeridade, diz New York Times