A quem se deve a abstenção?

Aos que se abstêm.

A sério, Marcelo?

Acho que os cidadãos têm que perceber que se se abstiverem não têm grande autoridade para criticar os políticos.” [Marcelo Rebelo de Sousa, 26/05/2019]

E os políticos que não respeitem um programa eleitoral têm legitimidade para continuar a exercer o cargo? E se nem discutirem esse programa? E se se calarem quando deviam falar, têm autoridade para criticar quem não lhes liga?

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Os portugueses que vão votar dão uma lição de civismo

Acabo de votar numa das escolas reservadas para o efeito e por verificar, in loco, o civismo de tantos e tantos portugueses no momento do voto.
Ele é estacionamento dos carros em cima do passeio, em cima das passadeiras, nos lugares de deficientes, em segunda fila, enfim, onde calha. Em qualquer sítio que garanta ficar à porta do local de voto.
Ufanos por estarem a cumprir o seu dever, esses portugueses regressam a casa felizes. O seu civismo foi posto à prova e, mais uma vez, a exemplo do seu Querido Líder, ultrapassaram o teste com distinção.

Porque vou votar amanhã

Não me deslocarei amanhã até à escola secundária para votar nas eleições europeias porque ela é um belo exemplo (piu!) das renovações da Parque Escolar inventada por Sócrates. Da mesma forma que não o farei por Sócrates não ter saído das bocas do Melo e do Rangel. Nem sequer porque Costa ajudou a transformar as europeias num referendo ao seu governo, tanto pelas suas declaradas palavras, como pela crise que inventou para recentrar a campanha. E muito menos devido ao apelo do Presidente, que receia a maior abstenção de sempre, quando uma campanha de costas voltada para a “europa” convidou os eleitores a fazerem o mesmo.

Vou votar porque esses seres serão eleitos mesmo que os únicos eleitores a votarem sejam os candidatos. De nada importa a abstenção. E nem o voto em branco, já agora. Por isso, vou votar num dos outros partidos, fazendo com que os primeiros tenham menos uma migalha percentual de votos. E, como se sabe, uma uma multidão é composta por indivíduos, pelo que só depende de cada um mudar a sorte dos oportunistas.

Quando é o próximo comboio para o Gulag?

“Quem se abstém sem uma razão de força maior é um mau cidadão.”
Daniel Oliveira, jornalista e opinion maker (Jornal Expresso, 18 de Setembro de 2017)

E quem não põe o vidro no vidrão.
E quem não faz tatuagens. E quem compra manuais escolares da Porto Editora. E quem gosta de ler o Camões, principalmente a parte da Ilha dos Amores. E quem canta o Hino Nacional de pé . E quem não tem cão. E quem caça com gato e vai a touradas. E quem ainda ouve discos da Amália. E quem não telefona para a linha de Pedrógão. E quem não vê o Eixo do Mal. E quem não compra o Expresso. E quem não tem os dentes todos. E quem não come sushi. E quem enfia o guardanapo no colarinho da camisa. E quem não canta a Grândola no banho. E quem não toma banho. E quem ainda tem Bilhete de Identidade. E quem manda piropos na rua. E quem não usa medalhas e talismãs budistas ao peito, num fio de pele de vaca morta.

E mais: quem come pica no chão é um mau cidadão.
Quando é o próximo comboio para o Gulag?

Abstenção – tempo para resolver

A normalidade eleitoral atira para o fim de 2017 o próximo processo e por isso, parece-me que há algum tempo para proceder a uma actualização dos cadernos eleitorais.

De acordo com os dados disponíveis, estão inscritos nos cadernos eleitorais 9700645 pessoas.

Começo por sublinhar a diferença existente entre esses dados e os que a PORDATA apresenta, exactamente para o mesmo universo: 9746069 (45424 eleitores de diferença, mais do que os votos do Henrique Neto).

Podemos (e devemos) ir buscar todos os dados disponíveis para analisar esta questão, mas há um ou outro que até o Google nos revela: há em Portugal 1506048 jovens com menos de 15 anos (dados de 2014).

Ora, se aos 10 401 000 habitantes se retirarem estes jovens, sem capacidade eleitoral, temos  8894952 habitantes com mais de 15 anos. Sabemos que, destes, alguns são jovens e outros, estrangeiros, não têm (ainda) possibilidade de participarem nas eleições, mas são, de qualquer modo, muito menos que os eleitores.

Em síntese, há uma diferença de 8,7%  entre os eleitores oficiais e o número de pessoas com mais de 15 anos, por isso, há pelo menos esse valor a retirar à lista de eleitores. A abstenção é uma questão de responsabilidade, mas é também uma opção política. É urgente a sua resolução enquanto o tempo das eleições não volta.

Presidente eleito por 25% dos portugueses, mas presidente de todos os portugueses

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Declaração de vitória de MRS. Imagem: RTP3

Os 8.96 milhões de eleitores dividiram-se entre se absterem (cerca de 52%) e entre votar. Destes, cerca de 52% votou em Marcelo. Um vitória construída com cerca de 2.3 milhões de votos. São números que nos deveriam fazer reflectir sobre a representatividade dos políticos que elegemos.

Em termos de espectro político, o que é que representa o resultado conseguido por Marcelo? PSD e CDS tiveram, juntos, 2.9 milhões e 2.1 milhões de votos nas eleições legislativas de 2011 e de 2015, respectivamente. Constata-se que Rebelo de Sousa conseguiu, essencialmente, os votos da direita. A esquerda agiu de forma amadora e, ao não ter conseguido construir uma candidatura forte, foi o maior aliado daquele que vai ser Presidente da República.

Marcelo fez um discurso de vitória a apelar à inclusão. É um bom começo para quem se espera que seja o presidente de todos os portugueses.

Nota: Repare-se na bandeira monárquica presente na imagem. Além da ironia da situação, é capaz de ser assunto para o Ministério Público.

Abstenção acima dos 50%

Ainda ouvi pouca gente falar da abstenção. Nesta eleição poderá ficar acima dos 50%. A nossa Democracia está doente.

Carta do Canadá: emigração e eleições

Gostaria de partilhar convosco algumas reflexões sobre este tema, ditadas pelas preocupações que me assaltam e respaldadas por uma experiência de 32 anos a viver fora do país. 

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Para já, penso que será realista partirmos duma realidade incontornável: a abstenção. Tendo ela sido de 43% em território nacional e de 88% na diáspora, não creio que os resultados minoritários devam ser motivo de grande festejo e regozijo. Os resultados, mais ou menos vitoriosos, são obtidos numa franja de eleitorado. A esmagadora maioria demonstrou pelo silêncio que não acredita mais no actual estado de coisas e que está cansada dos partidos em presença, envelhecidos e envilecidos pelos jogos de bastidores que tudo devem a interesses pessoais, ao carreirismo, ao nacional-porreirismo que, cego a um mínimo de bom senso, apenas deseja manter na crista da onda aqueles que dão jeito a um determinado estar na política. Numa palavra: manter intacto o caminho directo para a corrupção, é a palavra de ordem que nunca se diz mas se tenta cumprir e até impor. Daí que, quando na Grécia e em Espanha, apareceram movimentos juvenis, virgens de vícios, a pôr os pontos nos ii, o choque sofrido pelo status quo atingiu alturas de crise histérica. A União Europeia, sonho sabotado de alguns e campo de interesses subterrâneos de vários países-tubarões que se alimentam do peixe miúdo, ela mesma perdeu o pé e a vergonha ao pôr os seus tenores a meterem-se em ópera alheia, numa ingerência que faria corar quem quer que tivesse um mínimo de carácter. Pode ser que um conjunto de jovens dos vários países explorados, vítimas da 5ª coluna interna, consiga reverter esta situação batendo as palmas ao bicho na arena europeia, mas também pode não ser por se tratar de um combate de David contra Golias. Em todo o caso, vale a pena tentar com inteligência e coragem, porque o mundo precisa de uma Europa forte, arrependida de maus caminhos, de mãos lavadas e cabeça levantada.

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É exactamente isso que eles esperam de ti

Abstenção

Não votes, não questiones, não discutas, não opines e nem te atrevas a pensar que podes fazer a diferença.

Resigna-te. E agradece a Deus as canetas e os aventais que te deram.

Carta aberta aos abstencionistas portugueses

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Caros compatriotas abstencionistas,

Permitam-me saudá-los neste momento tão especial que antecede as eleições Legislativas. No próximo Domingo, como sabem, decide-se parte do nosso futuro colectivo. À nossa frente existem, no meu ver, 2 opções:

1.       Reconduzir o regime

2.       Votar num dos outros 16 partidos em disputa

Eu sei que parece simplista mas na verdade não é. De um lado temos os partidos que governam Portugal desde a implementação efectiva da democracia, PSD, CDS-PP e PS, os mesmos que nos conduziram até este buraco onde nos encontramos e que controlam a esmagadora maioria dos recursos e do aparelho governativo e empresarial do Estado, da sua freguesia até São Bento, do outro temos todos os outros partidos, que nunca governaram e que em nada contribuíram para esta dura realidade de dívida infinita, contas descontroladas, cortes, cargas fiscais aberrantes, tráfico de influências, corrupção, má gestão pública e um fosso entre ricos e pobres que não pára de aumentar. [Read more…]

E que tal enchermos as urnas?

O evento que faltava. Não vos parece uma boa ideia? As tropas do regime não irão vacilar.

«O que acontece se numa eleição os votos brancos e/ou nulos forem superiores aos votos nas candidaturas?»

Nada.
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«Os votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente expressos, não têm influência no apuramento do número de votos obtidos por cada candidatura e na sua conversão em mandatos. Ainda que o número de votos em branco ou nulos seja maioritário, a eleição é válida e os mandatos apurados tendo em conta os votos validamente expressos nas candidaturas.»
Apenas os votos expressos são válidos.

Resultados práticos da abstenção

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Era só para lembrar.

Tutorial eleitoral

O Novo Estado de Passos Coelho

foi anunciado em 2010, no livro Mudar – em que também anunciou «a missão histórica» que agora entrega aos portugueses, apelando a que se deixem de partidarites. Cumprindo esse desígnio, nas eleições que ganhou abstiveram-se mais de quatro milhões de eleitores. Era só para lembrar.

Abstenção

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Autoria desconhecida

Abstenção e liberdade

Com o respeito possível por quem pensa o contrário, estou farto de justificações para a abstenção que culpam “os políticos” de não satisfazerem os sofisticados critérios de exigência dos eleitores ou não encontrarem preliminares suficientemente excitantes para os conquistar para o voto. Os comentadores acariciam, assim, o ego dos contumazes ausentes, retirando-lhes a culpa e, mais ainda, a responsabilidade. Somos livres. Estamos condenados a ser livres, como ensina o velho Sartre. Isso significa que, postos em situação, a vida não permite abstenção. As eleições também não. A abstenção como total demissão de intervir – e não ignoro que muitos dos que se abstêm têm plena consciência disto e não procuram desculpas, pois que a sua decisão é pensada – é uma ilusão, posto que, pensando que não estamos a escolher, escolhemos de facto, já que as nossas omissões pesam, aqui, tanto como as acções. Não podemos viver fora da realidade, logo, temos de assumir a responsabilidade das nossas decisões. Sob pena de a própria ideia de Democracia, ou mesmo a sua possibilidade, serem uma miragem. Somos cidadãos, não clientes face à oferta. Temos de estar à altura da nossa liberdade. Da nossa essência.

Surpresa, surpresa

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Nos países que já votaram, parece que a abstenção tem hipóteses de ganhar com valores de 60% a 70% e eu também me vou mostrar surpreendido. É que não esperava nada disto, nada mesmo. Numa Europa construída unicamente, ou quase, pelas elites, que se mostrou incapaz de reagir à crise financeira e com uma estrutura política profundamente não democrática, como se comprova pelo seu Parlamento que pouco decide e pela sua Comissão não eleita, poderosa mas não tão forte como dois ou três estados que tudo decidem, não se percebe porque razão os eleitores se abstêm de validar uma estrutura política que não foi por eles decidida. [Read more…]

Esta Europa não.

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Ele gostava de votar, de votar com convicção num partido, movimento, pessoas que verdadeiramente representassem o interesse da parte maior do povo, em que orgulhosamente se inclui. Sou povo, diz com a verdade de quem é. O discurso da esquerda, que bem conhece de a ter militado (e depois abandonado, por não mais ser possível pertencer-lhe assim), não lhe chega. Atento, há muito que esse voto perdeu sentido. Votar em quem?, pergunta-me todo perdido e chateado de vida, indisponível para a comunhão de fé com essa esquerda titubeante, de pensamento omisso sobre a Europa, e sobre o lugar de Portugal nessa economia de competição inter-pares. Um jogo que gera a desigualdade anacrónica que também em Portugal está a liquidar a recente classe média patrimonial em que também ele, que é povo, até ver se inclui.

Ele até nem se importava de votar na esquerda dos governos, que já o enerva a vocação opositora de quem espera a sublevação histórica dos deserdados do capitalismo para tomar o poder. Bem conhece o cartório de culpas comprometidas com o cavaquismo dessa esquerda. Mas lá está: com Seguro a puxar a carroça é que nem pensar, e Costa tarda, tarda, zanga-se com quem insiste para que de uma vez por todas se chegue à frente, diz que por ora Lisboa lhe basta, que ainda tem lá muito que fazer.

Ele gostava de votar, mas diz-me que esta Europa merece o castigo da abstenção dos povos. Por uma vez, a abstenção tem um outro significado. Um sentido político que aponta o dedo à Alemanha do euro-oportunismo comercial e financeiro e dos egoismos da «emigração interior» dos alemães. Um sentido político, ouviste Angela?

O Benfica merece tudo, já o País é outra história

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«O Benfica merece tudo», diz uma senhora que há horas esperava que a equipa do Benfica chegasse ao Estádio da Luz, relativizando a espera, o calor, a estafa, o empate. Pasmo-me a ver o povo assim mobilizado, espanta-me a resiliência, o carinho que dedicam a uma ideia de comunhão, aquilo de que são capazes por um clube de futebol. Nada tenho contra o clubismo – uma parte de mim é gloriosamente do Benfica, outra da Selecção Nacional – a não ser o facto de se substituir a causas maiores, mais importantes, verdadeiramente determinantes para a vida das pessoas.

Parte substancial dessas massas de adeptos abstem-se de votar, por vezes com o mesmo orgulho com que se dispõem a esperar pela chegada dos jogadores, alheados da realidade política de que são parte, tudo parecendo ignorar sobre um sistema eleitoral que faz do voto bastante mais que um direito, empenhados na abstenção com a firmeza dos que assim agindo pretendem punir a classe política. Olham para as acções de campanha partidárias com a displicência de quem vê passar a banda, com o voto deles é que não contam, isso é que era bom, que eles não andam a dormir. No dia de votar, terão mais que fazer.

Bravo António Costa

A linguagem da política já não serve. As palavras da política não prestam. Não basta dizer transparência a torto e a direito para que tudo fique visível – muito pelo contrário, pois a palavra transparência, que significa a verdade límpida, é um manto grosso de opacidade lançado sobre tudo o que a acção política esconde, ou aquilo em que é omissa. Não chega escrever transparência, ou honestidade, ou competência nos cartazes para sê-lo. É que já não basta parecê-lo. Talvez a palavra mais urgente seja clareza, a palavra clareza tornada claríssima por quem a pratica por intermédio de enunciados e acções claras. Nos cartazes que mandou imprimir para a campanha autárquica, António Costa foi bastante claro: “Preciso do seu voto”, disse sem mais rodeios nem transparências. [Read more…]

Portuenses Desterrados e Descartados

Não votaram, no passado dia 29, pelo menos os 9,7% da população portuense autóctone perdida para os concelhos limítrofes ao longo dos últimos dez anos. Também duvido que o reumatismo do envelhecimento portuense, cujo índice é de 189,9 face à Região Norte, pudesse exercer plenamente o seu direito, entre queixas de artrite, falta de ar, e sobretudo a maldita solidão. 9,7% de exilados mais uma escandalosa abstenção de 47,4%, mais os votos nulos 1,9%, somados aos votos em branco 2,5%, determinam uma vergonhosa e questionadora maioria de não exercentes do direito de votar, no Porto: 61,5%. Perante isto, não pode haver triunfos de pacotilha nem regozijos parolos. Humildade. Somente humildade.

É este, só pode ser este, o grande ponto de partida para Moreira cumprir bem o seu desígnio, inicialmente a contragosto, mais empurrado que voluntário, o que não tem mal nenhum se pensarmos no Mestre de Avis, o qual parece não estava lá muito pelos ajustes para assumir o fardo de liderar aquela etapa capital rumo à nossa admirável emancipação ibérica. Atiraram-no em frente e deu plena conta do recado.

Não espero outra coisa de Rui Moreira.

Abstenção, Gémeos Semedo e Passos

Há uma cómica homologia entre Passos Coelho e João Semedo do BE e quem diz Semedo, diz Catarina. Homologia não só na escala da derrota autárquica, os extremos tocam-se, mas no preço político da inexpressividade e do negativismo de uma liderança ainda que numa liderança a meias. Nada mais fatal em termos políticos. Numa análise superficial ao discurso de ambos ou deste tríptico-de-pele-e-osso, a mensagem que predomina é negativa, derrotista, formalista, passa desapontamento e não carreia esperança, não tem capacidade para insuflar ânimo. Entre ele-Passos e um cangalheiro não há diferença: a face é funérea por defeito profissional. Passos quer desempregar em larga escala no Estado. É uma necessidade. Semedo celebra ou fantasia as derrotas relativas da Direita, insulta e rebaixa a Direita, mas não tem nada de seu a celebrar, nenhuma vitória aporta à Esquerda, nenhuma esperança tem a dar, senão a secura do fim do mundo e o desalento chova ou faça sol.

Do outro lado da barricada retórica negativa e depressiva comum à bina Passos / Semedo-Catarina, não temos no Lágrima Seguro ou no Testosterona Costa, pelo contrário, os portadores da esperança, da confiança e da alegria, mas os simuladores de alternativas, os porta-estandartes do Favor Político e da Empregabilidade Política, conforme os velhos genes socialistas. Os socialistas têm um especial instinto de emprego com eles, só que um emprego à pala do Estado, um emprego favoritista, um emprego pela multiplicação de cargos, de tretas, da grande teta da cultura ao grande chupismo solene dos que se aproximam do grande mamilo de Esquerda que os socialistas maquilham de túrgido, mas anda sempre ressequido, pago pelo resto da maralha nacional com sangue, suor e lágrimas: com Testosterona Costa, Lisboa corre o risco de se tornar, isto é, de continuar ou ampliar um oásis para este tipo de liberalidade só para amigos na mesma proporção com que o Príncipe Independente Moreira CDS-PP, no Porto, sentado na sua liteira aristocrática de ouro, paralisará o Porto nas boas contas, petrificará o Porto na gestão corrente, ele que não deu às turbas porcos assados nem gajas roliças pimba a dançar e a cantar para ser eleito nem dará manuais escolares grátis do 1.º ciclo a todos os pais da cidade, folgados ou apertados. [Read more…]

Os vitoriosos da treta

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Sobre a decadência dos partidos já escrevi aqui, designadamente sobre Matosinhos, caso paradigmático de estapafurdice do PS, lamentavelmente corroborada por pessoas inteligentes e que já deviam ter juízo, como Manuel Maria Carrilho, que não se importou de se sentar ao lado de um candidato sem qualidades (e com tristes projectos para a Cultura) para enfrentar quem já tinha caminho feito naquela câmara municipal – Guilherme Pinto, que acabou por ganhar como independente.

Decadência, sim, dolorosa de ver, sobretudo na visão da cegueira de quem acha que tudo pode continuar, e continuar na mesma. Acabou-se o tempo dos partidos, está chegada a hora de outra coisa:  já visível, embora ainda com as naturais ligações às máquinas partidárias (de onde viriam esses valentes se não dos partidos?) As pessoas querem votar em pessoas, e estas Autárquicas comprovaram-no.

Bem podem os aparelhos partidários protestar, punir, expulsar: os destinatários da sua acção (missão política) não querem já saber dessas revoltas que nada mais são do que a movimentação dos ratos no porão de um navio naufragado. E o Bloco de Esquerda, apesar de ser uma organização partidária recente, não se safou. [Read more…]

Abstenção, brancos, nulos e representatividade

Almada, CDU: abstenção=59,5% brancos=4,6% e nulos=4,1%
Arcos de Valdevez, PSD: abstenção=49,1%, brancos=4,2% e nulos=1,8%
Aveiro, PSD/CDS: abstenção=51%, brancos=5,3% e nulos=2,8%
Braga, PSD/CDS: abstenção=40,1%, brancos=3,2% e nulos=1,8%
Bragança, PSD: abstenção=45,4%, brancos=2,7% e nulos=2,4%
Calheta (Madeira), PSD: abstenção=47%, brancos=0,8% e nulos=3,2%
Castelo Branco, PS: abstenção=49,3%, brancos=4,2% e nulos=3,1%
Chaves, PSD: abstenção=46,2%, brancos=3,7% e nulos=2,9%
Coimbra, PS: abstenção=50,6%, brancos=5,4% e nulos=2,8%
Elvas, PS: abstenção=52%, brancos=2,9% e nulos=2,4%
Évora, CDU: abstenção=50,3%, brancos=3,8% e nulos=2,3%
Faro, PSD/CDS: abstenção=56,3% brancos=5,6% e nulos=3,4%
Fundão, PSD: abstenção=45%, brancos=4,9% e nulos=2,7%
Guarda, PSD/CDS: abstenção=40,5%, brancos=3,6% e nulos=4,6%
Ílhavo, PSD: abstenção=59,9%, brancos=6,7% e nulos=3,7%
Leiria, PS: abstenção=50,2%, brancos=8,4% e nulos=5,1%
Lisboa, PS: abstenção=54,9%, brancos=4% e nulos=2,9%
Mafra, PSD: abstenção=50,3%, brancos=6,6% e nulos=3,9%
Moimenta da Beira, PS: abstenção=45%, brancos=4,3% e nulos=2,7%
Montijo, PS: abstenção=60%, brancos=5% e nulos=3,2%
Olhão, PS: abstenção=58,4%, brancos=5,4% e nulos=2,8%
Ponta Delgada, PSD: abstenção=54,1%, brancos=2,1% e nulos=1,2%
Porto, Indep. R.Moreira: abstenção=47,4%, brancos=2,5% e nulos=1,9%
Santarém, PSD: abstenção=48%, brancos=4,8% e nulos=3%
Setúbal, CDU: abstenção=61,3%, brancos=4,6% e nulos=3,2%
Viana do Castelo, PS: abstenção=46,7%, brancos=5,1% e nulos=2,8%
Vila Real, PS: abstenção=40,8%, brancos=2,5% e nulos=2,1%
Viseu, PSD: abstenção=52%, brancos=5,4% e nulos=4%
Fonte da amostra: Público

47,36%

abstiveram-se de votar (resultados ainda provisórios).

O Portal do Eleitor

e o serviço informativo via SMS para o 3838 nada informam sobre a secção de voto a que devemos dirigir-nos no Domingo. «O local específico da sua mesa de voto poderá ser consultado na Junta de Freguesia da sua área de residência.» Para quando o voto electrónico?

Outra vez o voto em branco

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Imagem daqui.

O apelo ao voto em branco, como forma de protesto (!), prossegue. Para quem não tem cabeça para ir ler (e interpretar, pois não não está claro, de forma alguma) o que está escrito no site da CNE, aqui vai:

Se num universo de 100 votos 90 forem em branco (oh fantasia saramaga), e apenas 10 nos candidatos, imaginando que um deles consegue 5 votos, um outro 3 e o restante mais votado 2, o candidato com 5 votos é eleito, apesar dos 90% de votos em branco.

Os votos que valem são apenas aqueles que o sistema eleitoral (tal como está construído) considera válidos, por muitos votos em branco e abstenção que haja. Merecia um boneco do Antero!

Voto branco e nulo = abstenção

A dolorosa a visão do país político que as autárquicas desvendam, as estradas de repente minadas de outdoors com engenheiros anafados a prometer mais do mesmo, a criatividade bacoca, as frases-feitas e os lugares-comuns acordizados, os discursos da obra feita em que não cabe o povo que agoniza na miséria do desemprego e da carência mais abjecta: o país real. Mas há mais mundo, cidadãos por Coimbra e outros por outros lugares, e haverá sobretudo mais País se não entregarem os pontos e forem votar. Não em branco, que não serve de nada (e nem mesmo se os milhões que se abstiveram nas últimas eleições votassem em branco), mas em alternativas ao marasmo corrupto e liberalíssimo de quem pensa a política como uma escada de ascender ao poder de subjugar todos os outros. Vão votar. A vossa abstenção não pune ninguém senão vocês próprios (sois masoquistas porventura?) e premeia os que conseguirem juntar mais votos, tanto menos necessários para serem vencedores quanto mais cidadãos se abstiverem de votar – assim funciona o sistema eleitoral.

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