PS e PSD: as cabeças da hidra

PS e PSD: as cabeças da hidra

Hoje, há razões para comemorar, porque estamos perto de confirmar o óbito político do pior Primeiro-Ministro da Democracia portuguesa, o que não era um título fácil de atingir, tendo em conta que a concorrência era grande (e ser pior do que Santana Lopes era um desafio a que Sócrates não soube resistir).

Hoje, continua a não haver razões para comemorar, pois, ao que tudo indica, o PSD voltará a governar, o que constituirá uma mera alteração de siglas e uma continuidade de políticas. Depois de ter PECado em conjunto com o PS, o PSD irá a correr assinar os papéis que confirmam a união de facto, tumultuosa, é certo, mas não é o tango a dança que retrata essas relações em que o amor tem aparências de ódio? [Read more…]

Portugal está melhor que os portugueses

José Sócrates, o eminente químico português, descobriu que Portugal e os portugueses são, afinal, elementos independentes na tabela periódica, sendo, portanto, possível que o empobrecimento dos segundos não afecte a riqueza do primeiro. Deste modo, Sócrates deu origem a um profundo corte epistemológico, contrariando os dados, hoje considerados obsoletos, que levavam a conclusões erradas como a que afirmava que, por exemplo, a operação química denominada “corte salarial” daria origem a uma reacção que, antigamente, era designada “recessão”.

Entretanto, ao contrário do que sucedeu com o urânio enriquecido, as instâncias internacionais não vivem preocupadas com o português empobrecido, considerado um resíduo facilmente reciclável, graças à facilidade com que pode ser transformado em adubo de relva para campos de golfe.

Como todos os visionários que têm razão antes de tempo, o ilustre cientista corre o risco de ser expulso do laboratório onde tem trabalhado nos últimos seis anos. Sócrates já confessou que, neste momento, se sente muito identificado com a figura também injustiçada de Galileu e declarou ao Aventar: “Ó pá, e, no entanto, isto move-se, pá!”

A magistratura activa de Cavaco Silva

O Presidente da República pronunciou-se finalmente sobre a actual crise política. Para dizer o quê? Para dizer que foi tudo tão rápido – aconteceu logo nas primeiras horas e até, pasme-se, nos primeiros dias – que já não tem nada para dizer.

Ainda bem que esta é a magistratura activa. Se fosse a outra nem tinha chegado a aperceber-se de que existe uma crise.

Sócrates, para ex-primeiro só falta o quase

O quase ex-primeiro-ministro José Sócrates anunciou hoje mais um triunfo para o país.

Tem sido assim com Sócrates, o “filósofo”: de triunfo em triunfo até à derrota terminal.

O mesmo tem acontecido com Sócrates, o político: de vitória em vitória até à crise final.

Já Sócrates, o mentiroso, andou de consenso em consenso até ao abandono total.

Por outro lado Sócrates, o ilusionista, apresentou truques de crescimento em crescimento até à recessão real.

Também Sócrates, o provinciano, foi de afirmação internacional em afirmação internacional até ao descrédito local.

E lembremos Sócrates, o engenheiro, de PEC em PEC até ao desespero mortal.

Falta apenas Sócrates, o demitido, a bem de Portugal.

Chora, chora, PS, chora…

O choradinho aumentou de volume, vem aí a berraria.

A culpa? É dos outros. Responsáveis? Os outros. Quem falhou? Os outros. Maus da fita? Os outros, pois claro, nós até queríamos dialogar, queríamos resolver, queríamos o melhor para o povo, os cidadãos, sei lá, os gajos que pagam e não choram muito alto porque o microfone é nosso, deles será a macrofome, quando muito.

Entretanto, buaáááá, mamã Merckel, aqueles meninos já não querem brincar mais comigo, sou tão coitadinho, tão incompreendido, tão injustiçado…

Esta foi a parte que ouvi. Como não tinha tampões para os ouvidos  aumentei o volume da aparelhagem e ouvi um CD. De quem? Dos Deolinda, era o que tinha à mão.

 

Pedro Passos Coelho, numa espécie de “Por qué no te callas?”

Juan Carlos CAW35N6YAo ler a notícia, lembrei-me da célebre pergunta do rei Juan Carlos a Hugo Chavez: “Por qué no te callas?”. E pensei: o que é que PPC pretende dizer com estas afirmações? Os militantes do PSD, dos anónimos aos mediáticos, caso refiram a “crise política do País”, estão a “falar demais”.

Das palavras do líder social-democrata, há inúmeras leituras possíveis . Uma delas, porventura a mais excêntrica, é a de que Passos Coelho sofre da mesma síndrome de José Sócrates. Na ideia de ambos, parece diabólico questionar se o País está em crise? Também política, claro. Não entendo. Sinceramente, tenho de recorrer aos serviços de um psicanalista amigo, também conhecido por astrólogo, a fim de saber o que Pedro Passos Coelho pretende.

Em antecipação à análise psicanalítica, arrisco uma opinião; à medida que o tempo corre, o líder do PSD emite sinais de hesitação ou mesmo de inconsistência, só de imaginar a hipótese da governação na grave situação económica, social e política em que estamos atolados.

Sem militância em qualquer partido, PSD incluído, estou consciente de agir com conta, peso e medida.  E as dúvidas, sobre o futuro do País, emanam também de Pedro Passos Coelho estar ciente de que contributos deste tipo de gente  são decisivos para governar a bem dos portugueses. Está profundamente errado e assevero que estou mesmo a “falar de menos”. Mesmo sem conhecer a bitola do sistema métrico do líder “laranja” que afere o menos, o normal e o demais, para abordar a realidade do País e a sorte que o espera.