O Centro Infantil de Valbom, a Cruz Vermelha e os bibes de 16 euros

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Há coisas que me irritam profundamente. Uma delas é o aproveitamento dos particulares por parte de uma instituição supostamente séria e de solidariedade.
O CIV, infantário das meninas, agora gerido pela Cruz Vermelha Portuguesa, exige, para o próximo ano lectivo, que todas as crianças usem bibe e boné. Tudo a ser comprado no próprio infantário, evidentemente!
Até agora, as crianças usavam batas iguais, adquiridas directamente pelos pais na Feira de Gondomar, à Da. Rosa das batas, ou noutro sítio qualquer. Cada bata custava entre 7,50 e 10 euros, dependendo do modelo e do local de compra. Não me consta que a Da. Rosa e as outras lojas tenham prejuízo.
A Cruz Vermelha vende os bibes a 16 euros cada. Considerando que convém que cada criança tenha no mínimo duas batas e considerando que eu e bastantes outros pais temos lá duas filhas, estou, como dizia o outro: é só fazer as contas. Sinto-me roubada por uma instituição que também me devia proteger.
Depois de consulta do Regulamento Interno, que não referia o uso obrigatório de batas padronizadas, decidimos que não compraríamos. O que foi que a Cruz Vermelha fez? Alterou o Regulamento Interno e agora é obrigatório o uso dos bibes que lá vendem!
Só tenho um comentário, que por acaso é um insulto, a fazer… E, já agora, onde anda a Associação de Pais?

A Segurança Social, a Cruz Vermelha e o Centro Infantil de Valbom (II)

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Ainda a propósito deste post.
Não gosto deste Governo, abomino a sua política, mas a verdade, quando existe, também é para se dizer. No mesmo dia em que enviei o mail a denunciar a situação, recebi uma resposta de Ana Venâncio, assessora do director do Centro Distrital do Porto da Segurança Social, Sampaio Pimentel, reencaminhando o caso e pedindo celeridade na sua resolução a quem de direito. Resposta pronta e eficaz como se impõe quando estão em causa os legítimos interesses de um contribuinte. Nesse mesmo dia, quando cheguei ao Centro Infantil de Valbom para recolher as minhas crianças, lá estava um aloquete a impedir a entrada de automóveis no átrio da instituição, acabando com a insegurança dos seus utentes.
Infelizmente, foi «sol de pouca dura». A Cruz Vermelha, tomando-nos a todos por imbecis, decidiu logo no dia seguinte deixar o aloquete apenas pousado em cima da corrente de ferro em causa, permitindo assim que qualquer um a abra e entre com o seu automóvel no espaço que devia ser sagrado para as crianças. Foi assim, por exemplo, que uma carrinha da própria Cruz Vermelha violou a corrente e entrou para o átrio do CIV. Do seu interior, saiu uma senhora perfeitamente saudável que – supõe-se – tinha medo de mexer o cu por uns míseros 10 metros – a distância entre o parque de estacionamento e a porta da instituição.
Como é óbvio, pedi de novo o Livro de Reclamações e informei a Segurança Social do sucedido.

P. S. – As fotografias que ilustram este post são do Parque Infantil do Centro Infantil de Valbom. Um espaço com uns 10 mil metros quadrados de extensão. Um verdadeiro luxo quando comparado com aqueles infantários de prédio que nem espaço exterior têm.
Desde que a Cruz Vermelha passou a gerir a instituição, as crianças deixaram de poder frequentar o Parque Infantil. [Read more…]

Carta aberta à Segurança Social e à Cruz Vermelha Porto

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Exmos. Senhores,

Tenho duas filhas, desde há dois anos, a frequentar o CIV – Centro Infantil de Valbom.
A situação que hoje trago ao Vosso conhecimento já foi relatada à Directora da referida instituição e, por nada ter sido feito, já foi plasmada no respectivo Livro de Reclamações.
Trata-se de uma situação que envolve um enorme risco para todas as crianças que frequentam o CIV e que a qualquer momento pode transformar-se numa tragédia que, a acontecer, terá de ser assumida por todos os que tiveram conhecimento desta situação e nada fizeram para a resolver.
O facto de a Segurança Social ter privatizado o CIV não a iliba de quaisquer responsabilidades nesta matéria.
Refiro-me ao cadeado em ferro que impede a entrada de veículos na zona fronteira ao edifício do CIV e que separa essa zona do parque de estacionamento. Desde sempre, com a gestão da Segurança Social, que esse cadeado esteve fechado e não me lembro, em dois anos, de algum dia ter estado aberto.
Desde que a Cruz Vermelha assumiu a gestão do CIV, esse cadeado está aberto diariamente, sendo muitíssimo frequente ver automóveis estacionados em frente à porta do CIV, transitando por entre as crianças e colocando-as num perigo tremendo. Num desses dias, já tive de agarrar a minha filha mais nova para evitar que fosse atropelada. [Read more…]

À atenção do filho da puta

Mais um dia de despedidas no Centro Infantil de Valbom. Como se sabe, a instituição foi privatizada e entregue à Cruz Vermelha, que logo que pôde tratou de se livrar de tudo o que cheirava a passado. Não descansaram enquanto não correram com quem incomodava.
Desta vez, chegou a hora das educadoras de infância, que há mais de 30 anos, geração atrás de geração, abraçaram, beijaram e amaram os nossos filhos. E ao vê-las chorar no momento da despedida, também não consegui evitar as lágrimas e pensar em tudo o que fizeram pelas minhas meninas nos últimos dois anos. Porque quem faz o bem às minhas filhas tem a minha gratidão eterna.
O trabalho de mentalização vinha feito de casa e se com a mais velha resultou – «depois a Imelda vem visitar-nos!», dizia com alegria – com a pequenina as coisas foram diferentes. Sem a Paula dela, com quem estava todos os dias, a quem tanto se afeiçoara, não quis ficar. Queria vir comigo. Mal conhece a nova educadora e, para uma criança de 2 anos, ser deixada pelo pai no meio de caras estranhas deve ser algo que um adulto não consegue imaginar.
Mal sabia a pequenina que a sua Paula estava lá dentro a chorar, por causa da despedida e por causa das injustiças dos pais que durante anos lhe confiaram os filhos. E mal sabia a mais velha que não voltará a ver a sua Imelda, pois agora que conseguiu livrar-se delas, a Cruz Vermelha, instituição dita de solidariedade social, a última coisa que permitirá é que elas voltem a pisar o lugar que foi seu durante décadas. O lugar que É seu por direito próprio. [Read more…]

A Cruz Vermelha e o Centro Infantil de Valbom: Julgamento sem os réus presentes

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Como se previa desde há vários meses, e apesar da luta encetada, o Centro Infantil de Valbom foi mesmo privatizado, a exemplo de 24 outros infantários espalhados pelo país.
Ontem foi o dia de apresentação da nova equipa directiva e pedagógica, já que a Cruz Vermelha assumiu a gestão do Centro e todas as Educadoras de Infância que ali trabalhavam decidiram, e muito bem, que não estavam dispostas a colaborar com o novo projecto.
A reunião devia ter sido para apresentar a nova equipa, mas no final de contas, nada mais se tratou a não ser dizer mal de quem esteve antes e de tudo o que se fez no passado. Cruz Vermelha e pais apontaram o dedo à antiga Directora, às ainda Educadoras de Infância e às auxiliares técnicas. Esquecendo que o Centro Infantil de Valbom é (era) muito justamente considerado um dos melhores infantários do norte do país, apesar da falta de pessoal com que se debatia ultimamente devido aos cortes que todos conhecemos.
Ansiosos por cair nas boas graças do novo poder, alguns pais não hesitaram em arrasar tudo o que foi feito até ao momento. Fazendo acusações tão parvas como «o pai do meu filho vem buscá-lo e ninguém lhe pede a identificação» ou «deixam ir o meu filho sozinho ao WC» ou ainda «deixaram o meu filho falar com o pai de outro menino». A falta de princípios e a falta de ética de gente que certamente nunca disse em frente às pessoas em questão o que disse nas suas costas. Os valores que são transmitidos aos filhos e que levam a que Portugal seja hoje o país que é.
Quanto aos novos dirigentes da Cruz Vermelha, deram o mote, pondo a tónica no dinheiro exorbitante que as Educadoras de Infância levam para casa ao fim do mês em comparação com o tempo que trabalham. Um tipo de discurso que já tinham seguido logo no primeiro dia, quando entrevistaram o pessoal e, um a um, foram humilhando todos os que passavam pelo gabinete. No final, quase me fizeram rir ao dizer que não estavam ali por dinheiro, mas sim para ajudar a população de Valbom. [Read more…]

O dia que nasceu mais cedo

O meu filho Hugo Luis faz hoje 35 anos. Naquela madrugada, no Hospital da Cruz Vermelha só nasceram raparigas. Até que às 4 horas e 32 minutos nasceu o rapagão, sei porque vi no relógio da sala de partos de onde fui convidado a sair para que a médica não tivesse que tratar de mim.

Tudo valeu a pena e agora que ele está, por sua vez, à espera de ser pai, a vida faz muito sentido! Que faças muitos e sejas feliz, filhão!