O discurso de Cavaco pelo dia da República

ou o País oficial “democrático, desenvolvido e justo” que o site da Presidência da República Portuguesa vai deixar para a posteridade.

O melhor está para vir

Obama prometeu, no seu discurso de vitória, que, “para os EUA, o melhor (ainda) está para vir“.

Esta frase ficará tão ou mais célebre que “Yes, we can”, proferida pelo primeiro presidente negro dos EUA na sua primeira eleição em 2008, ou como a de Bush, quando este se referia a Bin Laden: “Dead or Alive”.

Não imagino nenhum político português ter a ousadia de dizer que, “para Portugal, o melhor está para vir“.

Obama pode dizer isso.

As bandeirinhas de milhares de norte-americanos agitam-se, eufóricas, ao som desta música e numa ovação de três minutos: “o melhor está para vir”, um grande título para uma canção ou hino de campanha.

Também eu queria ouvir esta frase abençoada…

Tomara que os nossos políticos tivessem como lema o «tudo por tudo», «ou vai ou racha», «custe o que custar», «dead or alive», «sim, nós conseguiremos»,  para que Portugal tenha um futuro mais risonho.

Manual do Discurso Político Pleno de Conteúdo (MDPPC)

Enviado por Amadeu

Andei 10 anos para reencontrar este texto.

Ao que parece, terá sido originalmente publicado numa revista polaca.

Poderá ser personalizado de modo a satisfazer os tiques oratórios, por exemplo, do nosso primeiro ou restantes ministros, bem como dos nossos amados dirigentes partidários.

Modo de usar: Começa-se pela 1ª frase da coluna I, depois escolhe-se qualquer frase da II, depois qualquer da III, depois da IV, depois volta-se a qualquer frase da I e assim sucessivamente até termos esgotado todas as frases.

Pode ser usado para imposturas políticas ou intelectuais. Sempre diferente, sempre cheio de conteúdo.

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O fosso que todos ajudamos a cavar

O fosso de que se trata neste post é aquele que “se cava” entre a política e a vida.

Não somos apenas nós, cidadãos comuns, que o dizemos (sobretudo sentimos). São também, pelos vistos, alguns políticos como o deputado do PS Francisco Assis, que escreveu ontem no Público: “Quando entre a política e a vida se cava um fosso, tudo pode acontecer”.

Eu quero e preciso acreditar que ele, enquanto agente político, está a ser sincero e a trabalhar no bom sentido ou de boa fé para o bem comum.

Ele reconhece a “profunda distância que separa o discurso prevalecente na política do mundo concreto da vida”.

Ele sabe, ou finge saber, ou isso lhe interessa (maquiavelicamente) que, para nós, homens e mulheres comuns,  os discursos políticos já não significam nada, que são «montados» de “palavras ocas”. Assis refere-se sobretudo aos homens e mulheres “que se limitam a viver uma vida sem esperança, sem futuro, sem projecto, quase sem dignidade”.

“Tudo pode acontecer”. Tudo pode acontecer quando se cava um fosso entre a política e a vida. Já conhecemos muitos exemplos disso mesmo.

O fosso está cada vez mais profundo.

Mas nós, às vezes, damos uma ajudinha e não é só pelo voto…

Um exemplo: foram criados 1008 movimentos na sequência da iniciativa do governo «O Meu Movimento». Ideias boas e reveladoras de um interesse genuíno dos portugueses em melhorar este país. 

Um apenas foi recebido pelo PM (eles a cavar com toda a força): o movimento denominado «Abolição das Corridas de Touros». Teve mais de 8000 apoiantes (a nossa ajudinha). Não havia causas mais importantes a apoiar? Porque ganhou esta? O que se passa connosco? De que estamos à espera?

Não sou contra os touros, mas os portugueses estão a precisar mais de serem ouvidos e atendidos… Foi desperdiçada uma grande oportunidade.  Mais de 1000 pessoas registaram as suas preocupações através da criação do «seu» movimento, para depois ser selecionado apenas 1. Entre os 4 primeiros com mais apoiantes, 2 manifestam preocupação pelos animais…

Para quando uma audiência com os graves problemas das pessoas?

Uma vergonha.