Faz sentido

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Este mapa era para outro comentário, mas esta malta meteu-se no meio e poupou-me o trabalho de o escrever.

 

O voto dos novos emigrantes portugueses começou hoje

À atenção de todos os que mantendo residência oficial em Portugal já tiveram de fugir da zona de conforto dos banqueiros: os emigrantes podem votar, hoje, amanhã e quinta-feira. O facto de isto ser desconhecido e aqui anunciado por uma candidata diz tudo sobre quem foge ao castigo: o governo.

Alucinações de campanha

Rangel distribui calendários do mundial de futebol e chama-lhe pedagogia europeia.

O cão fiel

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As manobras de manipulação eleitoral em favor da maioria têm, em todos os canais televisivos, atingido níveis demenciais, nunca vistos (e os deuses sabem que já vimos muito!…). Dá resultado? Vai dando. As sondagens parecem mostrá-lo (já sei, já sei, as sondagens valem o que valem, etc. e tal).

Não querendo gastar-vos a paciência com especulações sobre a alienação dos oprimidos, aqui vos deixo um poema breve do velho mestre, que dedico a todas as vítimas que tencionam votar nos seus carrascos:

O cão fiel

Era um cão fiel…
Foi a dar ao rabo atrás do dono
até à oliveira em que este
o enforcou com um arame.
(Joaquim Namorado)

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Um partido, uma crise, sempre a mesma causa

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Desconfio que o partido surpresa destas eleições vai ser o POT. É deles.

Grande Chefe falou. Hugh!

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O Senhor Presidente da República falou ao Povo (não sei é se o Povo ouviu o Sr. Presidente). Ficamos a saber:
a) O que já sabíamos, que as eleições são no único dia em que podiam ser, dia 25 de Maio.
b) Que a Europa é muito importante para Portugal (e um bocadinho, só um bocadinho, de vice-versa).
c) Que devemos votar e ter um comportamento civilizado (o bom coração do Sr. Presidente impõe que, cada vez que há eleições, se façam estes apelos à civilidade, como se em cada jornada eleitoral estivéssemos para pegar fogo uns aos outros; a que se seguirá a habitual congratulação pós-eleitoral em que se elogia o eleitorado por o acto ter decorrido com “elevado civismo”).
d) Que devemos discutir, cordial e propositivamente, as grandes questões europeias, relevando as suas dimensões futurantes, metafísicas, transcendentais e tudo o mais (as grandes questões, seus selvagens, não as pequenas; cordialmente, não assanhadamente, bárbaros). [Read more…]

Prova dos Nove, III

400O nojo continua, a pouca vergonha enfuna as velas, como aqui se lembrará neste dia, todas as semanas. Já agora – e sem perder tempo com comentários – importam-se de dar uns calmantes ao Rangel, ou, se for caso disso, reduzir-lhe a cafeína ou os fármacos para emagrecer? É que o homem está alucinado. Tanto, que o Assis até parece diferente do seu parceiro de centralão.

(Nota: deixei de ver este programa , mesmo que em passagem de zapping, desde o longínquo dia em que, passando por ele, ouvi este edificante debate: Constança C.S.: “o PCP tem uma posição sobre…”. Assis, atalhando seco e breve: “não interessa; o PC não passa de uma seita religiosa”. Rangel apressou-se a concordar. Rosas sorriu, encostou-se à cadeira e calou-se. Nunca cheguei a saber qual era a questão da Constança. Mas fiquei esclarecido. Só regressei agora, por não resistir à curiosidade de ver até onde vai o asco comunicacional neste como noutros programas. É por militância cívica, mesmo.)

Bombas fétidas

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Todos as conhecem. São uma das mais detestáveis brincadeiras de Carnaval. Mas, nesta quadra, são a melhor metáfora para o início da campanha eleitoral quando queremos caracterizar os discursos de alguns protagonistas.

Lá aparecem as tentativas de revisão da legislação que regula o acesso aos media. Lá vêm os opinadores do costume, segundo a maioria dos quais tudo devia ser regido pelos famosos “critérios editoriais”, que, sendo as coisas o que são, dariam o resultado que todos adivinhamos. Para já, os do costume vão-se locupletando. Estou a admirar, sobretudo, a distribuição de papéis pelos vários actores.

Cavaco aparece hoje a fazer o mais pornográfico apelo ao “bom senso” dos portugueses para que estes votem nos partidos subscritores do pacto troikeiro. Os candidatos a candidatos a Belém desdobram-se em declarações de amor ao bloco central – já nem se preocupam em referir o CDS, que fará o que lhe mandarem para sobreviver. Seria, pois, de esperar, que os candidatos Dupont et Dupond – Assis e Rangel, bien sûr – se atirassem como gato a bofe a este eleitorado. Mas não. [Read more…]

Noves fora nada

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Quando aqui se chamou a atenção para a sujeira informativa em que consistia a continuação do programa “prova dos 9” com os actuais participantes – refiro-me, naturalmente, a Paulo Rangel e Francisco Assis -, houve quem discordasse, sobretudo nos termos em que pus a questão, alegando as qualidades de Constança Cunha e Sá e Fernando Rosas.

Amigos houve que não tiveram dúvidas de que o quadro de comentadores iria mudar. Dois episódios passados e não só se confirmam todos os piores prognósticos como as coisas ainda superam as piores expectativas.

Que a questão foi abordada noutras instâncias, não tenho dúvidas. José Alberto Carvalho, director de informação da TVI, na altura em que se congratulava com a nomeação de dois dos seus comentadores para cabeças de lista dos seus partidos, advertiu que “agora temos um problema”. Intuía ele, e bem, que alguma entidade, em nome da democracia ou do mais elementar sentido de decência, iria pôr fim à festa.

Santa inocência. Como era de se esperar, é fartar vilanagem. Hoje a coisa chegou ao ponto do Rangel, agitando a sua mão como uma solha neurótica, ter repreendido uma perplexa Constança, cujo rosto transmitiu bem o que lhe ia na ponta da língua. Fernando Rosas, dir-me-ão, defende os seus pontos de vista, mas continuo a pensar que acaba por ficar ali com um papel puramente instrumental, não sendo capaz de desmontar a tramoia, como seria desejável – mas não expectável, não tenho ilusões. E assim prosseguirá a festa por todos – todos, sem excepção – os canais televisivos, meio por excelência de manipulação de consciências e vontades. Já se viu o tom e a regra:  [Read more…]

Uma prenda

Francisco Assis

Francisco Assis está para a esquerda como Paulo Fonseca para os adversários do FC Porto: é um abono de família, ambos o querem como rival.

Na ânsia de ir buscar votos ao mítico centro, Seguro apresentou a pedido e no tempo da concorrência, o melhor adversário que João Ferreira e Marisa Matias podiam ter: defensor de blocos centrais, hábil em despistar-se com Clios,  um discípulo de Blair e outros cangalheiros da social-democracia europeia na economia.

Paulo Fonseca conseguiu ressuscitar um clássico do Rui Veloso:

Este espírito natalício em vésperas de entrudo, esta generosidade ímpar que segue a par, vai acabar mal, para o PS e para o FC Porto. Ora se o segundo caso me preocupa, o primeiro terá o que merece.

Cabeças

Os líderes do PS e do PSD escolheram para cabeças de listas às europeias os respectivos opositores à última luta pela liderança dos seus partidos. É um ganho para todos.

Os escolhidos vão bem pagos para uma mobilidade de luxo. Os mandantes livram-se da proximidade dos adversários exilando-os para longe. Nós ganhamos por deixar de aturar as suas baboseiras semanais na televisão, no programa comicamente chamado “prova dos nove”, onde fazem reciprocas vénias desde que o assunto seja a parte ausente da esquerda.

Porque o mais elementar sentido ético lhes imporá que abandonem imediatamente tal programa onde são comentadores profissionais remunerados. (Imperativo ético?! Está bem, está…).