Compreendem agora os resultados das europeias?

1. Pouca vergonha. Sim, é o termo correcto. Uma pouca vergonha. Quem? Os partidos do centro. Desde a luta fracticida (literalmente pelo poder) de Costa e Seguro no Partido Socialista Português, passando pelos sucessivos escândalos que tem sido revelados publicamente nas últimas semanas no seio do UMP francês, pelo Hollandismo bacoco, degradante e tremendamente impopular, ou pelo tugúrio vazio de ideias que os Partidos de centro-esquerda europeu estão neste momento a passar. Salve-se Rubalcaba em Espanha e Matteo Renzi em Itália. Reconhecendo o total falhanço da sua liderança, decidiu demitir após mais uma derrota eleitoral do PSOE Espanhol nas europeias.

2. De Costa e Seguro. Não demorou quem, na imprensa, tratasse de publicar peças jornalísticas sobre as várias lutas travadas entre Seguro e Costa durante 30 anos na Juventude Socialista e no Partido Socialista. [Read more…]

Leitura das eleições

eleições

Abril de novo, mas não com este povo?

Há uns anos que digo isto em vez do clássico ‘abril de novo, com a força do povo’. Não que não ache que o povo não tenha força. Tem. E é até bastante. Que o digam os quase 66% de abstencionistas que ontem determinaram, com a sua força, os resultados das eleições para o Parlamento Europeu. Acho é que este povo não quer um novo abril. O que é que o povo quer? Se eu fosse os Homens da Luta diria que ‘o povo quer dinheiro para comprar um carro novo, pá’*. Mas, na verdade, não me parece que se possa resumir a coisa a uma questão tão simples. Na verdade, não faço a mínima ideia do que o povo quer. Mas faço, acho que hoje fazemos todos, uma ideia, por pequena que seja, do que o povo não quer.

E o povo não quer votar. Ponto final.

Parágrafo. Parêntesis, vá. O povo não quer votar nas eleições para o Parlamento Europeu. Podem dizer-me que o povo também não quer votar nas restantes eleições. É verdade. Mas só até certo ponto. Desde há anos que as percentagens de abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu se situam bastante acima da abstenção para as outras eleições e  quase sempre acima dos 60%. Portanto, parece-me evidente que

o povo não quer votar nas eleições para o Parlamento Europeu. [Read more…]

sem surpresas (mas com um certo ar de alarme)

pela primeira vez desde que tenho consciência cívica e política (desde os meus 11\12 anos) decidi não assistir a uma noite eleitoral. deixei o professor marcelo a pregar aos incautos, o dr. karamba marques mendes a adivinhar o número exacto dos próximos cortes orçamentais, a Judite de Sousa (sem ou com Montenegro; com ou sem equívoco na pessoa) num saco do Pingo Doce e a televisão desligada de forma a poupar energia e pagar menos à China Three Gorges. encontrei-me com a minha princesinha AMF e fomos ao cinema ver Grace of Monaco de Olivier Dahan. apesar da história ser batida, o filme de Dahan acaba por ser bastante interesse e, no plano técnico, é simplesmente fantástico. desde os planos à direcção das cenas, passando pelo límpido som de voz nos diálogos entre personagens.

a campanha foi degredante. do surfer rosa (bem que queria ir ver os pixies para a semana ao primavera sound mas mas todo o argent é escasso nos dias que correm) nos currículos escolares aos vírus despesistas. de reminiscências do holocausto que não foi vivido em verso à governação socratina. Até o filósofo (cientista política, teorético político) teve que se meter na querela e vir a público lavar roupa suja. Sócrates himself, teve ali uns 7 orgasmos seguidos durante os 3 episódios em que pode comentar a campanha. discutiu-se tudo excepto política europeia. discutiu-se tudo excepto os problemas que neste momento precisam de ser resolvidos na europa bem como os que estão a rebentar. como a deflação. o partido socialista ainda tentou lançar a discussão sobre a mutualização da dívida na fórmula desusada de eurobonds mas… com tamanha babugem estavam à espera que a malta andasse informada e estivesse minimamente ciente dos projectos europeus defendidos pelos candidatos?

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O Costa da Câmara

antonio costa
António Costa, na Quadratura do Círculo, já leu a sina ao seu partido, deixando no ar, quanto ao seu próprio papel, mais um sibilino “não me comprometa”. Não deixou, porém, de traçar uma estratégia, não se ficando a saber se na condição de conselheiro se de putativo alternante. No seu estilo florentino e um tanto opaco, veio anunciar o que todos sabemos: que à derrota histórica da direita o PS tinha oposto uma vitória pífia.

onstatando, por outro lado, que os votos de rejeição do governo se tinham dispersado – além das enigmáticos votos em branco, nulos e “abstenção violenta” – por várias forças de esquerda, onde releva o excelente resultado da CDU, Costa deu a táctica: abordar essas forças de esquerda, com elas estabelecendo um diálogo que potenciaria a capacidade para determinar uma alteração de liderança no PSD. Posto isto, dir-lhes-ia adeus, agradeceria os serviços prestados e faria uma aliança com a direita. Só não percebe quem não quer. [Read more…]

Ganhar, perder e aprender

vadot-europe

Há eleições que todos ganham, nestas europeias todos perderam.

Perdeu a troika, que viu os seus partidos descerem e muito, perdeu o BE, que recua uma década, perderam os dois novos partidos, ao Livre não valeu o colo da comunicação social, o MAS ficou atrás do PNR.

Todos, todos, no que toca a Portugal, não será o caso: a CDU cresceu (mas não evitou que o seu grupo parlamentar tenha perdido um ou dois deputados) e o Marinho Pinto fez-se eleger por quem desta vez escolheu (em 2004 ofereceu-se para cabeça de lista do BE). [Read more…]

O projecto europeu

está sob ameaçaSim, está. Todos os projectos estão sob ameaça. O projecto precisa de protecção. Protejam o projecto.

It’s The End of The World as we Know it….

….mas eu não fico satisfeito, ao contrário do que diz a música dos REM.

Não fico satisfeito (nem surpreendido) com a vitória da extrema-direita (e extrema-esquerda, as quais não distingo em nada) por essa Europa fora. É alarmante. Assustador.

Representa o princípio do fim do sonho europeu. E nestes momentos o melhor é não esconder os culpados: o centro direita e o centro esquerda europeus. Todos sem excepção. Porque levaram o eleitorado a ter de fazer estas escolhas. Porém, o eleitorado não pode fazer de conta que não é nada com ele.

Quando amanhã regressarem as fronteiras, as pesetas/escudos/francos e o retrocesso da liberdade, talvez se lembrem do dia 25 de Maio de 2014. Ou talvez não.

Resultados Eleições Europeias 2014

europeias 2014 resultados Vantagem de 3.75 pontos percentuais para o PS à 1:00. Com efeito,  o “Partido Socialista teve uma grande vitória“. Vê-se também que 15 mil idiotas votaram na extrema direita – a falta que faz a História a esta gente. O Livre… continua livre para a próxima eleição. Já o MPT, perdão, Marinho e Pinto, conseguiu capitalizar o voto de protesto, o que não aconteceu com o BE. O PCP voltou a subir e PSD/CDS continuam a campanha eleitoral iniciada há duas semanas.

Gostam de austeridade? Preparem-se, que vem aí um ano desapertar o garrote até às legislativas, para depois voltarmos ao mesmo. Oposição, não se preparem, não.

Actualização:

Com os resultados de inscritos e votantes já disponíveis (7965 inscritos e 481 votantes) dos consulados que têm suspenso o apuramento por estarem a aguardar, para apuramento, os votos de mesas com menos de 100 eleitores, é possível concluir pela certeza da distribuição dos quatro mandatos ainda não atribuídos na plataforma às candidaturas da Aliança Portugal, CDU – Coligação Democrática Unitária, Partido da Terra e Partido Socialista (indicados por ordem alfabética, por não ser definitiva ordem da sua atribuição). (daqui)

Assim, a distribuição dos mandatos fica: PS 8, PSD/CDS: 7, CDU 3, MPT 2, BE 1

1% das freguesias corresponde a 33% dos mandatos

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O esplendor do país concentrado numa franja de terra.

Moção de censura

Acabada de anunciar pelo PCP. Passos Coelho acha que os partidos estão equivocados, que os portugueses não querem eleições. Keep dreaming.

Europeias 2014 – projecções de resultados

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Confirmando-se este resultado, o PS perde, tendo mais votos. Seguro conseguiu o feito fantástico de transformar esta eleição num referendo à sua liderança. Mas ainda é cedo para lavar cestos. Entre o máximo e o mínimo, há 9 pontos de diferença, o que ditará se a austeridade da direita ganha novo fôlego para as legislativas ou se o PS terá novo líder.

Surpresa é o resultado da CDU, MPT e BE, com leituras distintas. Veremos às 22:00 o que é que se passará.

Adenda: actualizado com a projecção da SIC.

Abstenção

Abstenção entre os 61% e os 66%, segundo a RTP.

Dia de eleições #3

Fui eleito na mesma“, dirá o futuro deputado europeu enquanto  arruma as meias e as cuecas na mala, por cima de um panfleto da campanha.

Dia de eleições #2

A CNE avança às 13h que só votaram 12% dos eleitores portugueses. Estaremos perante um novo record abstencionista?

Número de eleitor

Instruções aqui.

penso eu de que…

Nunca compreendi bem a concepção de dia de reflexão no dia que antecede um escrutínio eleitoral. Nunca compreendi bem o conceito pelo facto da reflexão, como seres racionais que somos (alguns; perdoem-me a excessiva arrogância) ser uma constância derivada da própria natureza humana. O ser humano não pode formular uma ideia assertiva sobre algo ou alguém num dia. Parece-me ponto assente. Muito menos poderá agir de forma consciente num caso concreto que lhe diga respeito de forma leviana.

A minha tenra experiência política enquanto militante de um partido e, sobretudo observador diz-me que em política tudo vale. Desde a mentira ao porco no espetro na safra, [Read more…]

só por curiosidade

Se Marinho Pinto for eleito no próximo domingo deputado europeu, haverá alguma “incompatibilidade de balneário” com a estrela do clube Nigel Farage?

O gato e o papel

alfredo
Numa hora mansa da tarde, o meu gato Alfredo – que os meus amigos homónimos não levem a mal, mas o nome decorre de o bichano miar com arte e sentimento – dormia, com aquela beatitude que só os gatos conseguem, esparramado sobre a passadeira que se estende até à entrada da casa, iluminado pela luz que se filtrava pelo vidro da porta. De repente, a paz é interrompida por uns ruídos quase imperceptíveis – para nós, não para um gato – vindos do lado de fora da entrada. Alfredo ergue a cabeça e fica alerta. E eis que um colorido panfleto surge, como que disparado, por baixo da porta, fazendo um voo raso de mais de meio metro. Em menos que leva dizer “sape gato lambareiro” o corpanzil de um indignado gato caiu sobre o papel e desfê-lo em tiras. Entretanto eu tinha acudido, não fosse algum documento importante, tentando salvar alguma coisa. Peguei nos pedaços que restavam – perante o olhar de censura do meu gato – e consegui ver nos destroços fragmentos dos malogrados rostos e troncos de Paulo Rangel e Nuno Melo e o que restava de algumas das suas patranhas propagandísticas. Alfredo tivera razão. Pedi-lhe desculpa e constatei, orgulhoso, que tinha um gato com convicções justas.

Pelo meu relógio são horas de votar

Mas é tão bom ficar em casa a repetir que são todos o mesmo. A insistir que é tudo do mesmo saco. A proclamar que não vale a pena. A chorar o rendimento perdido, os direitos arrasados, o desemprego assegurado, a emigração forçada.

Sempre é melhor que falecer, pois claro.

Opções anais

Se correr em redor de uma árvore a 300 quilómetros por segundo, conseguirá sodomizar-se a si próprio. Se não estiver em forma, no dia 25 poderá votar CDS-PSD e conseguirá o mesmo resultado.

Livres da lei?

livre pub

O partido do Rui Tavares, o cavalheiro que me roubou o europeu voto de há cinco anos, parece que terá de discutir com o Ministério Público, para onde a Comissão Nacional de Eleições remeteu uma participação contra o partido Livre, o semanário Expresso e o Partido Europeu dos Verdes por realização de propaganda através de publicidade comercial. Isto porque:

A contracapa da Revista era totalmente ocupada por um anúncio a um documentário intitulado “Quebrar o feitiço da crise” de Sílvia Pereira, “a partir de uma ideia de Rui Tavares”, que é o cabeça de lista do partido Livre às eleições europeias deste domingo. No canto inferior esquerdo do anúncio encontrava-se o símbolo do Partido Europeu dos Verdes.

Uma chatice, ainda haver leis que tentam impedir o poder do dinheiro nas campanhas eleitorais.

O povo já não é o que era

Dom Gonçalo da Câmara Pereira, o candidato fadista do Partido Popular Monárquico, foi ontem ao Mercado do Bolhão à procura de circo. Há candidatos assim, que entendem que uma campanha eleitoral se resolve com meia dúzia de aparições chispantes entre o povo, aquele povo chocarreiro, aos berros, a cuspir vernáculo em cada frase, beijoqueiro de políticos mediáticos. O povo está para bater palmas, eternamente agradecido pelos minutos de atenção que lhe dispensem os doutores, e o Gonçalo, ao que fiquei a saber, até já apareceu a fazer depilação no programa do Goucha, o que o alça indesmentivelmente à condição de celebridade à nossa mísera escala. [Read more…]

Se eles esquecem, lembremos nós!

Santana Castilho *

No domingo voltamos às urnas para eleger os deputados de um parlamento com pouco poder para operar as mudanças, muitas, de que a Europa carece. Sendo assim no plano político-burocrático, blindado para servir os poderosos, a cidadania europeia teria uma oportunidade ímpar (utopia a minha!) para recuperar a dignidade que a ganância levou e a solidariedade desaparecida, que alimentou outrora o sonho europeu. Mas a campanha dos partidos do Governo está a ser um desolador mar de esquecimentos.

Sendo o estado social um dos princípios fundadores da ideia europeia e uma das vertentes mais abalroada pela intervenção que acabamos de sofrer, não ouvimos sobre o tema uma ideia nova, muito menos um par de soluções avançadas.

Sendo certo que está a chegar nova onda de fundos comunitários, esperava eu que a campanha servisse para os candidatos se pronunciarem sobre a forma como encaram as prioridades para os utilizar. E não se tendo dado relevância que baste aos efeitos sociais da crise e ao acentuar dos desequilíbrios entre ricos e pobres, cada vez mais estratificados nos seus mundos, julgava eu que os ia ouvir falar sobre o que se proporiam fazer, uma vez eleitos, para defenderem a coesão social em risco. [Read more…]

Bacalhaus

Bacalhau

“Portas é um senhor bacalhau!” – declarou Paulo Rangel, elogiando o seu parceiro de coligação, que visitara, com o ar conhecedor do costume, uma fábrica de preparação desses gadídeos (como diria o Quitério).

É enternecedor ver as formas ternas, elegantes e eloquentes que podem revestir os elogios mútuos destes grandes… portugueses.

Vírus na campanha

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O Paulo Rangel, em vez de ficar muito abespinhado com a referência feita por Manuel Alegre, devia ir estudar, já que as palavras do seu discurso que motivaram este confronto podem, de facto, ser lidas como uma séria provocação. Nas habilidades retóricas não cabe tudo. A ignorância em História ostentada por incontinentes verbais como Paulo Rangel leva-os a este tipo de situação.

Isto não é novo. Não esqueçamos a proclamação, há tempos, de Paulo Portas, segundo a qual “o trabalho liberta”, palavras, como se sabe, inscritas no portão de Auschwitz. É inteiramente legitimo, da parte de quem ouve, duvidar da inocência deste tipo de afirmações, sobretudo vindas de quem quer convencer o auditório de que é muito culto e inteligente, como acontece com estas duas personagens. Quem semeia palavras ao vento, arrisca-se a colher a tempestade das respostas.

Surf eleitoral

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Ontem a Marisa Matias esteve em Peniche e falou do surf, encarando-o como actividade económica e também sugerindo que entre nos programas escolares. Foi um fartote.

Tão unânime que, suspeito, vai já sair petição contra o windsurf, o montanhismo,  o ciclo-cross e o tiro com arco para saírem de imediato das actividades na natureza previstas nos programas do 3º ciclo do ensino básico, disciplina de Educação Física. Não faltava mais nada: ginástica, corridas e muito pontapé na bola é que são desígnio nacional.

Surf nem pensar.

Declaração de não voto

Decidi não votar nas eleições europeias. Ausente do país que me viu nascer, poderia ainda assim exercer o meu direito, que não considero dever, mas opção. Bastaria ter agendado uma ida a Portugal no próximo fim de semana. Algo que tenciono fazer em breve, muito provavelmente para algo que me desperta bem mais interesse que eleger um grupo de deputados que irão servir os interesses dos partidos que representam nos próximos 4 anos, ou mesmo contribuir com o meu voto para decidir se o próximo presidente da U.E. será Jean Claude Juncker ou Martin Schulz. Sei que ambos representam o centralismo de Bruxelas, o pior que existe em termos de burocracia. E que serei opositor a qualquer deles. Ganhe quem ganhar, o único aspecto positivo da próxima eleição será o fim do consulado do político canastrão que ascendeu à ribalta internacional quando desempenhando funções de mordomo serviu o tristemente célebre catering nas Lajes. Mas imagino que tal figurão depressa conseguirá outro palco. [Read more…]

“7 milhões de postos de trabalho até 2020”

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Dúvida minha: os candidatos a deputado na Europa defendem os seus países ou defendem os países dos outros candidatos?
Então, onde estão 7 milhões de desempregados em Portugal?

Não queremos o seu voto. A sua reforma basta-nos!


Finalmente, o Hino do POT. Heróico. Uma verdadeira epopeia.