Noves fora nada

rangel assis
Quando aqui se chamou a atenção para a sujeira informativa em que consistia a continuação do programa “prova dos 9” com os actuais participantes – refiro-me, naturalmente, a Paulo Rangel e Francisco Assis -, houve quem discordasse, sobretudo nos termos em que pus a questão, alegando as qualidades de Constança Cunha e Sá e Fernando Rosas.

Amigos houve que não tiveram dúvidas de que o quadro de comentadores iria mudar. Dois episódios passados e não só se confirmam todos os piores prognósticos como as coisas ainda superam as piores expectativas.

Que a questão foi abordada noutras instâncias, não tenho dúvidas. José Alberto Carvalho, director de informação da TVI, na altura em que se congratulava com a nomeação de dois dos seus comentadores para cabeças de lista dos seus partidos, advertiu que “agora temos um problema”. Intuía ele, e bem, que alguma entidade, em nome da democracia ou do mais elementar sentido de decência, iria pôr fim à festa.

Santa inocência. Como era de se esperar, é fartar vilanagem. Hoje a coisa chegou ao ponto do Rangel, agitando a sua mão como uma solha neurótica, ter repreendido uma perplexa Constança, cujo rosto transmitiu bem o que lhe ia na ponta da língua. Fernando Rosas, dir-me-ão, defende os seus pontos de vista, mas continuo a pensar que acaba por ficar ali com um papel puramente instrumental, não sendo capaz de desmontar a tramoia, como seria desejável – mas não expectável, não tenho ilusões. E assim prosseguirá a festa por todos – todos, sem excepção – os canais televisivos, meio por excelência de manipulação de consciências e vontades. Já se viu o tom e a regra: 
1º –
a) Só há dois candidatos, e os partidos do arco da exploração o seu Senhor.
b) Decorrente do anterior, todos os outros candidatos, mesmo os que foram apresentados antes, serão ignorados e silenciados, sob pena de ofender o Senhor que condenará os prevaricadores às penas do processo disciplinar e/ou despedimento.
2º-
Só os dois candidatos supracitados sabem o que é a Europa e estão aptos a defender os seus interesses (da Europa, naturalmente).

Não discutireis o Euro e os seus valores, a NATO que é a nata, o Ocidente, que não é nenhum acidente.

Tereis cuidado para que a estas determinações não escapem os programas foleiros da manhã e da tarde, já que aí podem ocorrer fugas, nomeadamente do conspícuo Marinho Pinto que costuma agitar as massas por estas paragens e o pagode gosta.
5º-
Cumpra-se escrupulosamente, já que, não o esqueçam senhores jornalistas, graças à sapiência dos nossos grande líderes, os despedimentos são mais fáceis e os contratos mais frágeis.

Comments

  1. JgMenos says:

    Quando vejo a Constança cumpro recomendação do médico e mudo de canal.
    Ontem atrevi-me um pouco e logo que irritei com um Rangel ‘agitando a sua mão como uma solha neurótica’ em vez de dar um murro na mesa e mandar calar as gralhas Constança e Rosas, com permanentes apartes de histéricos defensores das liberdades e garantias que nos garantiram a falência ,
    A mobilidade laboral deve levar os melhores trabalhadores para as melhores empresas e com os melhores salários; mas a grande conquista de Abril é imobilizar toda a gente numa mediocridade niveladora.
    Para gente mesquinha nada como o conforto da igualdade!.

  2. Bento 2014 says:

    Gostei particularmente de:

    -“As qualidades de Constança Cunha e Sá e Fernando Rosas”
    -“Rangel, agitando a sua mão como uma solha neurótica, ter repreendido uma perplexa Constança”
    -“Fernando Rosas, dir-me-ão, defende os seus pontos de vista, mas continuo a pensar que acaba por ficar ali com um papel puramente instrumental, não sendo capaz de desmontar a tramoia, como seria desejável”
    -“E assim prosseguirá a festa por todos – todos, sem excepção – os canais televisivos, meio por excelência de manipulação de consciências e vontades. Já se viu o tom e a regra”
    -“Santa inocência”

    De notar que o granito falante não mereceu uma especial referência manipulada ou não, e ainda que há quem pense que em Constança reside a perplexidade de muita gente..

  3. Ferdinand says:

    A imundice e corrupção dos media são como aqueles grandes ecrãs 3D, a imagem e o som parece que vem de todos os lados, entram pelos os olhos e ouvidos até fazer doer a cabeça.

    Os especialista dizem que não se deve abusar dessa tecnologia, especialmente os epilépticos e cardíacos.

  4. Bento 2014 says:

    Por descargo de consciência fui ver a gravação deste programa. Exercendo aqui o meu direito de opinião e indignação quero deixar expresso o seguinte:
    Uma vergonha o comportamento da “exemplar” Constança sempre na mesma linha de Assis e Rosas a interromperem sistematicamente Rangel que raramente conseguia articular um pensamento com palavras de 30 segundos sem que a comandita assanhada lhe golpeasse o dizer.
    Para uma estátua de Constança Cunha e Sá exemplificativa da tragédia da nossa comunicação social não tardará a chegar o dia.

    • Nightwish says:

      Coitadinho, não se conseguiu ouvir o vazio que vai naquela cabeça e não teve tempo para falar tanto que já ninguém sabe do que se falava. Tadito.

  5. Fernanda says:

    Olha que 2!!

  6. Joam Roiz says:

    Constança Cunha e Sá, ao contrário do que os próceres de direita que por aqui abundam em comentários (bendita seja esta liberdade que blogs como o Aventar ainda nos propiciam – não é ironia) querem fazer acreditar, é das raras vozes lúcidas, com um espírito crítico próprio, que ainda se fazem ouvir numa comunicação social toda ela enfeudada e subserviente dos poderes políticos e fácticos que hoje dominam, paralisiam e empobrecem o País, fazendo dos portugueses peões escravizados ao serviço do capitalismo financeiro. Quanto a Rangel e Assis, não há entre eles grandes diferenças. São ambos europeistas e federalistas convictos, cuja função é vender a soberania de Portugal a um directório de duas ou três “grandes” potências europeias, encabeçadas pela Alemanha. Ouvi-los, além de anti-patriótico, é uma perda de tempo.

    • JgMenos says:

      A treta anti-austeridade é tão temerosa de que a realidade se lhe sobreponha que invocam a toda a hora uma falsa situação ‘…uma comunicação social toda ela enfeudada e subserviente dos poderes políticos e fácticos’ para garantir que presiste o fútil exercício de fazer de conta que a austeridade é um programa político fundado em opções ideológicas!

  7. Joam Roiz says:

    Olhe que não, JgMenos. Infelizmente, a realidade não contrariará o meu discurso, pelo menos enquanto os pobres ficarem cada vez mais pobres, os ricos cada vez mais ricos, os desempregados cada vez mais tempo desempregados e o Presidente da República continuar a mandar os jovens para a agricultura (gostava de o ver a ele, à filha e ao genro com uma enxada na mão). Se isto acabar e a austeridade também passar pelos banqueiros, latifundiários escondidos em sociedades “anónimas”, administradores, gestores públicos ou privados e pelos políticos, então passo a acreditar piamente que a austeridade não nos é imposta por opção ideológica. Quanto à comunicação social, é só ver quem são os seus donos (a começar pelo império comunicacional do Pinto Balsemão) para se perceber que é bem real a situação que descrevo. O resto, sim, é que é treta.

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