Execuções sumárias

Esquizofrenia: no terraço do hotel de luxo, junto à piscina em pastilha azul turquesa, enquanto bebem champagne de Champagne em flutes e comem canapés de caviar Petrossian servidos por imigrantes ilegais, os governantes mandam lançar os foguetes, e sorriem muito com dentes branquíssimos, e no céu os foguetes desenham um espectacular relógio com contagem decrescente que só pára em Maio próximo. Os governantes brindam: já está quase! Lá em baixo, na escuridão do túnel da austeridade branca e fina como um estilete, o povo, cheio de cortes por todo o lado, anda aos caixotes, e bebe Camilo Alves do tetrapak, e olha para cima e o que vê? Os governantes a fumar charutos (parece-me que são Davidoffs, mas sem certeza, cá de baixo não se consegue perceber) e a mandar flyers com os números e as palavras acordizadas da execução orçamental de 2013.

O esquizofrénico José Viegas (II): Elucubrações acerca do uso do pseudónimo António Sousa Homem, da acumulação de funções de um governante e da promiscuidade entre a política e a Comunicação Social


Francisco José Viegas, o secretário de estado da Cultura, mantém há alguns anos uma coluna de crónicas no «Correio da Manhã», onde escreve sob o psuedónimo António Sousa Homem. Continua a fazê-lo ainda hoje. Não sei se um governante pode acumular com outras funções remuneradas no sector privado nem se esta sua actuação envolve de alguma forma promiscuidade entre a política e a Comunicação Social. Mas moralmente não é ético.
Seja como for, o objectivo deste post é outro: averiguar da sanidade mental daquele a quem está entregue a pasta da Cultura no actual Governo. Recordo que a esquizofrenia é um transtorno psíquico severo que se caracteriza por alterações do pensamento, alucinações, delírios e alterações no contacto com a realidade.
A questão não é escrever sob pseudónimo – muitos o fazem. A questão é ter sido ele próprio, como Francisco José Viegas, a pôr António Sousa Homem nas «bocas do mundo». É ter inventado uma biografia completa a que não faltou a respectiva fotografia. É fazer a apresentação pública, na Bertrand, de uma obra de António de Sousa Homem e dar-se ao trabalho de dar a notícia de que o próprio estava doente das coronárias e do fluxo renal e que por isso não tinha podido comparecer. E dar-se ao trabalho de forjar uma suposta carta de António de Sousa Homem a lamentar não poder estar presente.
Este homem não é lúcido. Ou então julga-se O Meu Pipi. Não vou falar de Pessoa, seria um insulto à sua memória.