Mascarilhas

A Iniciativa Liberal também é isto. Mais não se poderia esperar de um sub-partido do PSD, tal como o é o proto-fascista Chega.

Contexto: no âmbito do Roteiro Climático, o Bloco de Esquerda esteve em Odemira, onde reuniu e ouviu as queixas dos trabalhadores imigrantes das estufas de agricultura intensiva que pululam em Odemira. Mostrou-se solidário com os imigrantes e disposto a não deixar cair o tema. O Bloco de Esquerda não fez um comício, reuniu com associações e trabalhadores das estufas em Odemira. Acontece que a maioria desses trabalhadores é originário do Paquistão ou do Bangladesh.

João Caetano Dias é membro da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal. Não é, portanto, um mero militante de base ou um simples eleitor do partido. É alguém com grandes responsabilidades naquilo que é a acção do mesmo. Um partido que se diz liberal, que gosta de poluir as avenidas com outdoors populistas onde até o Brasil de Bolsonaro é socialista, que tanto prega a liberdade e tanto quer fazer parte das marchas disto e daquilo, começa a exagerar nas opiniões racistas, xenófobas ou homofóbicas, mascarando-as como “piadas” que mais não são do que a caixa de ressonância do seu próprio pensamento.

Por um lado, começam a mostrar realmente o que são, o que não é mau, porque há uns quantos enganados que começarão a abrir os olhos. Por outro, é já evidente que a IL é tudo menos liberal (no máximo, é neo-liberal) e são atitudes e “piadolas” como esta que demonstram de que lado estão, de facto.

É uma pena. Pois apesar de ser contrário à ideologia em que me revejo, a IL tinha tudo para acrescentar no panorama político português. E assim parecia encaminhar-se… agora, mostram que não são mais do que um PSD 2.0. A IL é contra os impostos… mas se a estupidez pagasse imposto, a IL seria estropiada.

Conversas Vadias 35

A trigésima quinta edição contou com a presença especial do Orlando Sousa, acompanhado pelos também aventadores António Fernando Nabais, António de Almeida, Francisco Miguel Valada, Carlos Araújo Alves, João Mendes, José Mário Teixeira e Fernando Moreira de Sá. Recorrendo à nossa vasta ignorância sobre agricultura, começámos por mostrar espanto face a estufas e túneis e a relação com o PAN e com Inês Sousa Real. Depois, voltámos a Rangel e a Rio, passámos pelo Chega, abordámos a possibilidade do novo confinamento e ainda tivemos tempo para falar da falta de professores nas escolas. Sugestões a fechar, mais abaixo. [Read more…]

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Conversas Vadias 35
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Inês Sousa Real meets Ricardo Robles

A confirmar-se que as empresas das quais Inês Sousa Real é ou foi proprietária recorrem a práticas pouco sustentáveis e amigas do ambiente, nomeadamente a agricultura intensiva e o uso de pesticidas, podemos estar perante o princípio do fim da carreira política da líder do PAN, que ainda agora começou. O episódio traz imediatamente à memória o caso Robles, também ele uma figura que teve uma ascensão meteórica, para de seguida cair com estrondo e desaparecer do mapa, descobertos que foram os seus negócios imobiliários. Tal como Sousa Real, Ricardo Robles não cometeu nenhuma ilegalidade. Mas feriu de morte parte essencial da narrativa do seu partido. Não é coisa pouca.

O momento em que este caso surge não é inocente. Ao colocar-se na posição de potencial muleta do PS, num hipotético cenário pós-eleitoral em que os deputados eleitos pelo PAN cheguem para António Costa conseguir maioria absoluta, Inês Sousa Real ficou na mira da direita, mas também dos partidos de esquerda, que disputam a parte do eleitorado mais sensível ao problema das alterações climáticas. Fez o pleno, portanto.

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