Conversas Vadias 52

Na quinquagésima segunda edição das Conversas Vadias, marcaram presença os vadios António de Almeida, Carlos Osório, José Mário Teixeira e Orlando de Sousa, que conversaram sobre programa de Governo, cultura, mérito, esperteza, chico-espertismo, Manuel Pinho, habilidade, tartarugas, Ricardo Salgado, avença, alzheimer, fé, mentalidade, F. C. Porto, marés, bipolaridade, Pedro Passos Coelho, mitologia, infantilidade, individualidade, grupo, sociedade, liberalismo, formação de preço, selvajaria, regulação, ambição, ganância, justiça, prioridades, funções do Estado, administração pública, promiscuidades, democracia, código de conduta, sistema eleitoral, educação, ideologia, radicalismo, programas e Estado de Direito Democrático.

No fim, e para variar, as habituais sugestões:

[Read more…]

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Conversas Vadias 52
/

A lição de Leonardo Jardim

Não vale a pena estar a falar dos prejuízos e benefícios. As equipas que são beneficiadas não falam quando o são e só falam quando não são. É uma hipocrisia e não entro nesse campo.

Leonardo Jardim

arbitroSe fosse possível que os bodes expiatórios, sempre metafóricos, se materializassem, teríamos uma fonte abundante de exportação. Já imagino os estrangeiros fascinados com o sabor e a textura do bode expiatório português.

Infelizmente, o bode expiatório não é comestível e não será por aí que equilibraremos a balança comercial. Por outro lado, continua a ser o alimento de muitos portugueses, nomeadamente os agentes e/ou os adeptos do futebol, sempre prontos a atribuir qualquer revés à intervenção maldosa de outros.

O bode expiatório coincide quase invariavelmente com o árbitro, responsável por simples derrotas e perdas de taças e de campeonatos. É natural que assim seja, porque, de qualquer modo, o árbitro é confundido, frequentemente, com vários quadrúpedes herbívoros, com menções nada pontuais a chifres ou alusões indirectas à promiscuidade sexual da figura materna, o que nos leva de volta aos chifres, com a figura do bode ainda e sempre à espreita.

Leonardo Jardim recusou-se, ontem, a contribuir para a criação nacional de bodes expiatórios e deu uma lição que poucos querem aprender.

Cada país tem o seu massacre

As balas são acessíveis, custam cerca de euro e meio por litro em qualquer gasolineira. As rajadas são traiçoeiras, feitas de ultrapassagens à segurança dos outros.

Dia após dia, cruzo-me com eles no asfalto de batalha. Têm pressa, mal podem esperar pelas importantíssimas insignificâncias que os esperam. Ontem encontrei um no IC19. Veio da esquerda, cruzou em diagonal três faixas, forçou a existência de um espaço à minha frente, para finalmente, já em cima do risco contínuo, enveredar por uma saída. Fiquei fascinado com tamanha proeza, plena de audácia e de destreza. No vídeo-jogo, em que aquele condutor vive, depois gastas as três vidas basta recomeçar. Mas na vida real que lhe parece ser estranha, game over traz sangue e lágrimas.

Cada país tem o seu massacre, seja pela mão de pessoa colectiva ou individual.