Vinha de Felgueiras

Há oito dias, decorreu em Custóias – Matosinhos – um debate organizado pela Junta de Freguesia que pretendia debater o papel dos partidos na crise actual. O evento foi moderado pelo presidente da Junta organizadora e foram convidados membros de todos os partidos com assento parlamentar. Pelo PS esteve um jovem bastante confuso, cujo nome me escapa e que não conheço, pelo PSD esteve Vinha da Costa, pela CDU esteve José Pedro Rodrigues – ambos candidatos à Câmara de Matosinhos -, pelo Bloco disseram que estariam mas não estiveram e, no CDS, ninguém respondeu.

Do PS, a única coisa que retive foi que o seu representante tinha Marx no coração – está descoberto o segredo, é no coração que o PS guarda Marx. E o coração, minhas senhoras e meus senhores, é fundamental para viver o amor platónico. Um amor impossível, como a realidade demonstra, não correspondido, como prova a prática do PS. E sobre os afectos e o PS estamos conversados.

Da parte da CDU veio a responsabilização da autarquia e dos sucessivos governos do país por uma tentativa de descredibilização dos partidos, tomando todos como iguais e a parte pelo todo. Aqui, convergiram PS e PSD. O primeiro erro daquelas pessoas foi primário: referirem-se à sociedade como sendo exterior aos partidos, como se um militante de um partido não fizesse parte da sociedade, ou como se a sociedade pudesse subsistir sem partidos – sim, venham de lá Bakunine e Proudhon. O distanciamento reflectido nas palavras que tem o paralelo com a realidade. E isso percebe-se quando há partidos que estão longe das populações e das pequenas grandes questões que fazem a diferença, seja o encerramento dos CTT, seja uma paragem de transporte sem abrigo para quem dela usufrui.

No entanto, a grande revelação veio de Vinha da Costa e passou mais ou menos despercebida. Continuar a ler “Vinha de Felgueiras”

Há mortos a menos

“É doce e decente morrer pela pátria.”
Horácio, Odes, III.2.13

O governo já deu vários sinais de que quer contribuir para que haja mais portugueses a morrer, o que é coerente com o incentivo à emigração, já que partir é morrer um pouco.

Que os doentes que insistem em permanecer vivos, na Guarda, sejam obrigados a partilhar o seu espaço ainda vital com os falecidos parece-me uma boa medida. Deste modo, o doente terá ocasião de apreciar as vantagens de se ser cadáver: na realidade, haverá melhor analgésico do que a morte? Continuar a ler “Há mortos a menos”

Educação e as Autarquias Locais:

Nesta altura em que se discute os cortes impostos pela Troika e uma eventual reformulação espacial dos concelhos, é de sublinhar o trabalho que algumas câmaras municipais continuam a fazer na Educação, sobretudo no que toca a equipamentos e recursos humanos e saber o que será feito no futuro.

O novo Ministro da Educação terá pela frente um verdadeiro desafio que ninguém, de bom senso, pode invejar. Terá, de certeza, de fazer mais com menos. Por isso mesmo, vai precisar (e muito) da ajuda das câmaras municipais.

Nos casos que melhor conheço (Maia, Felgueiras e Vila Nova de Gaia) o trabalho já realizado e o contratualizado via QREN, permite afirmar que a parceria entre o Ministério e as Autarquias é o caminho a seguir. No caso da Maia, o seu parque escolar foi totalmente renovado. Em Felgueiras entre obras já inauguradas e outras lançadas, o seu parque escolar caminha, igualmente, para a excelência. Por sua vez, Gaia, o maior concelho do Norte em termos populacionais (e aquele que está, neste momento, com o maior valor de investimento bruto em Educação) continua a apostar na Educação.

Aliás, Marco António Costa, ainda esta semana, o reafirmou: “O vice-presidente da câmara municipal de Gaia, Marco António Costa, assegurou esta noite que a educação “é um setor prioritário” no concelho, assumindo o “compromisso institucional” de que o continuará a ser “nos próximos anos”. (SIC/Lusa)

Garantindo, até, que “sempre que for necessário fazer opções por exiguidade financeira, entre um investimento numa escola ou outro qualquer investimento, a prioridade será sempre nas escolas.

Em suma, o próximo responsável governamental desta pasta terá de contar e procurar fazer a ponte com as autarquias locais, de molde a garantir o sucesso. Não será por falta de boas escolas que não se terá uma educação pública de excelência. Não será por falta de vontade e empenho dos autarcas que não se cumpre o objectivo de excelência do ensino público.