Ficar doente, só depois do expediente

Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Gaia e do Conselho Metropolitano do Porto, com Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro. Uma amizade cúmplice e sincera.

 

Ficar doente, só depois do expediente. A direita radical disfarçada de socialismo:

“Manter os centros de saúde abertos até mais tarde, permitindo que as pessoas pudessem recorrer a eles depois do horário de trabalho, permitiria aliviar as urgências hospitalares, defende Eduardo Vítor Rodrigues, líder do Conselho Metropolitano do Porto e presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.”

in Observador, 20/02/2018

Câmaras querem gerir Centros de Saúde

Imagem retirada da Internet

Segundo dá hoje nota a comunicação social, as autarquias das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto pretendem “gerir” os Centros de Saúde.

Parece que esta, e outras propostas de originalidade equivalente, fazem parte de um “pacote de descentralização” que o presidente da Área Metropolitana do Porto e da Câmara de Gaia irá apresentar ao Primeiro-Ministro.

Vítor Rodrigues diz, por exemplo, que se deve optar, no caso dos Centros de Saúde, por aquilo a que ele chama uma “gestão municipal de valências”, pretendendo “intervir nos horários dos centros de saúde”, mantendo-os abertos até à meia-noite pois, segundo as suas palavras, “quem trabalha não consegue ir fora do horário laboral”. Se o presidente da Câmara de Gaia – e da Área Metropolitana do Porto –  impede os seus funcionários municipais de acederem a cuidados de saúde em horário laboral, esse é mais um problema de Vítor Rodrigues com a Justiça, pois a lei ainda garante a qualquer trabalhador o direito de ir ao médico, seja a que horas for, uma vez que a doença, ou o seu tratamento, não se regulam pelo horário de expediente das Câmaras Municipais nem pelos princípios morais de patrões ou dirigentes que fazem do assédio laboral o seu principal instrumento de persuasão.

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Carlos Costa e os frequentadores de centros de saúde

carlos costaCarlos Costa propôs hoje que os trabalhadores que tenham uma longa carreira contributiva e que não se tenham adaptado às “novas condições de trabalho” sejam encaminhados para a pré-reforma. Talvez seja melhor traduzir: “novas condições de trabalho” corresponde a ‘trabalhar mais horas e ganhar menos’; “pré-reforma” significa ‘despedimento disfarçado de reforma, com indemnização muito reduzida’.

Esta linguagem cifrada faz parte do código dos senhores do mundo, os mesmos que chamam “colaboradores” aos trabalhadores e “redimensionamento” a despedimentos. Como se isso não bastasse, Carlos Costa acrescenta a estas suaves sacanices um arremesso indiscriminado de lodo:

Seria necessário pensar (…) em como encontrar formas adequadas de ‘pré-pensionamento’ destes trabalhadores que, por razões ligadas à sua formação, à sua longa história de trabalho e até por razões ligadas à própria inadequação às novas condições [de trabalho], hoje frequentam sobretudo centros de saúde para obter licenças médicas e outros mecanismos de ausência temporária.

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O governo não encerra, reconfigura

Que é como quem diz, recalibra.

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) não quer que se diga que encerrou o Serviço de Atendimento de Situações Urgentes (SASU) do Porto. O serviço deixou de funcionar a 1 de Janeiro, quem precisar de atendimento urgente já não pode ir lá, o telefone está desligado, mas “encerramento” é uma palavra grande, tão definitiva, tão irrevogável.

Vai daí, em comunicado de imprensa, a ARSN explica que prefere chamar-lhe “reconfiguração”, numa “lógica de maior acessibilidade e proximidade às populações” que, “em síntese, se traduziu no alargamento de horário das unidades de saúde do Covelo e da Carvalhosa”, e que permite a redução do valor da taxa moderada, “que passa de 10 euros (atendimento em urgência) para 5 euros”. [Read more…]

De que é que se queixa quem está melhor do que eu?

O portuguesinho é um português pequenino e isso vê-se não só pelo diminutivo. Uma das características do portuguesinho consiste em desvalorizar o sofrimento de quem sofre menos do que ele, o portuguesinho. O portuguesinho que fracturou ambas as pernas ri-se com desprezo daquele que geme a dor de ter partido apenas uma. Se o portuguesinho ganha quinhentos euros, nunca perceberá de que se queixa o outro que ganha seiscentos.

Não sei quantos portuguesinhos existem em Portugal, porque a sua existência é oscilante. Qualquer um de nós, por muito português que seja, passa por momentos em que é portuguesinho, invejando a infelicidade alheia, porque, vista daqui, até parece felicidade. [Read more…]

Há mortos a menos

“É doce e decente morrer pela pátria.”
Horácio, Odes, III.2.13

O governo já deu vários sinais de que quer contribuir para que haja mais portugueses a morrer, o que é coerente com o incentivo à emigração, já que partir é morrer um pouco.

Que os doentes que insistem em permanecer vivos, na Guarda, sejam obrigados a partilhar o seu espaço ainda vital com os falecidos parece-me uma boa medida. Deste modo, o doente terá ocasião de apreciar as vantagens de se ser cadáver: na realidade, haverá melhor analgésico do que a morte? [Read more…]

Vou expurgar o Centro de Saúde do Lumiar

msOs sábios quadros do Ministério da Saúde, a começar pelo titular da pasta e ex-bancário Macedo, têm uma imaginação prodigiosa e um apurado sentido de melhoria da produtividade na função pública. Segundo se depreende do divulgado na imprensa, em cada ‘centro de saúde’, diariamente, um funcionário passará a pente fino a lista informática dos doentes inscritos e quem não tenha recorrido ao centro há 3 anos será eliminado.

Os serviços contarão com a ajuda do sistema ‘SINUS’ que com o ‘SONHO’ são duas históricas obras de arte informática do Ministério da Saúde, pelo ex-IGIF e agora ACSS-Administração Central do Sistema de Saúde.

Se a finalidade principal da medida é “expurgar” das listas os falecidos, porque não criam um sistema integrado com as Conservatórios de Registo Civil relativamente a óbitos registados, procedendo, automaticamente, à eliminação, por telecomunicação entre sistemas? A interacção poderia ser feita até através do SINUS. Claro que também o ‘sistema de registo de doentes’ teria de ser implementado a nível nacional, com outras vantagens – processo clínico electrónico, por exemplo – de produtividade e economias na prestação de serviços do SNS e no atendimento de doentes.

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Saúde está de baixa: troika que os pariu!

Já ouvi falar num Portugal democrático e civilizado e gostaria muito que me avisassem quando o descobrirem, porque deve ser um país em dá gosto viver. Nesse Portugal democrático e civilizado, não poderia haver um único reumatologista no Algarve e nenhum nos distritos de Beja e de Portalegre. Nesse Portugal utópico, as decisões acerca dos horários dos centros de saúde não poderiam estar dependentes de contabilistas para quem os doentes são números e para quem a Saúde é uma área que deve dar, necessariamente, lucro e não um direito ao alcance de todos os cidadãos, porque isso faz lembrar socialismos e outras coisas igualmente pútridas e porque é importante que o Estado deixe de cumprir os seus deveres, para que os privados possam tratar da saúde aos portugueses que tiverem dinheiro para isso.

Neste Portugal em que vivemos, o doente tem de ser, no mínimo, um nómada, e estar disposto a, corajosamente, enfrentar viagens constantes, o que é o ideal para um reumático. Em Guimarães, o doente, se não quiser pagar o dobro por uma consulta de hospital, deverá adoecer, disciplinado, dentro do horário do centro de saúde. Devemos todas estas benesses aos filhos da troika que continuam a imolar os portugueses no altar do combate ao défice. Ao governo nada devemos, porque governo não é certamente quem decide assim.

Reforma hospitalar: ideias sem nexo

saudeLembro-me da falecida e insuspeita Maria José Nogueira Pinto, há uns anos, em conferência na Universidade Lusófona, ter afirmado: “O sector da saúde é muito atractivo para negócios e há muitos pretendentes a abocanhar as iguarias do SNS, esquecendo os direitos dos cidadãos”.  É justamente pela concepção inerente a esta frase que alinho o presente ‘post’. Nas reviravoltas governamentais para a saúde,  foi cometida a incumbência de um estudo, mais um, a um chamado ‘Grupo de Reforma Hospitalar’ ou coisa parecida, nomeado pelo ministro Paulo Macedo.

Do relatório de José Mendes Ribeiro, e de mais 8 companheiros, suponho, constam diversas imprecisões e falsas soluções. Mas, acima de todas, uma das recomendações é pura e simplesmente irracional: preconiza, então, o documento que os ‘serviços hospitalares de urgência’ reencaminhem, no pressuposto de atendimento no prazo de 12 horas,  todos os doentes classificados como “não urgentes” para os Centros de Saúde, ou seja, quem receba a senha azul na triagem de Manchester. Segundo os dados do relatório em causa, em 2010 situou-se à volta de 40% a percentagem de doentes “não urgentes”, significando que 2.560.000 doentes seriam referenciados a Centros de Saúde, para o tal atendimento em 12 horas. 

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Gripe A: À dose

Afinal a vacina é só para tomar uma dose, ao contrário do que se dizia e fazia há um mês atrás, em que eram precisas duas doses.

 

Isto não ajuda nada, a credibilidade e a confiança andam muito por baixo, e as pessoas vão começar a pensar que isto de cientifico nada tem, agora é só uma dose porque não há vacinas para todos.

 

Entretanto a febre tambem é à dose, de manhã em casa as crianças não têm febre, na escola passam a ter e no centro de saúde já não têm. Isto reforça a desconfiança.

 

Trezentos alunos no Distrito de Aveiro foram mandadas para casa, após as escolas constatarem que as crianças estavam febris, o que nuito preocupou os pais, que de imediato foram aos centros de saúde que verificaram não haver o quadro febril o que muito zangou os pais.

 

Se as crianças não fossem mandadas para casa, teríamos por aí acusações de desleixo, assim como as escolas jogaram pelo seguro, aqui del-rei que que as escolas querem é fechar as portas e ir de férias.

 

O pânico está a tomar conta das pessoas e não é à dose o que é a pior notícia.