Depois do excepcional, a direcção

How can we explain that what is difficult to learn when moving from Lx to Ly is not necessarily difficult when moving from Ly to Lx, if it were true that it is mere L1–L2 differences that cause learning difficulty?

— Lourdes Ortega

***

Efectivamente, o Expresso, apesar das aparências e da propaganda, não adopta o Acordo Ortográfico de 1990.

Anteontem, o excepcional.

Ontem, a direcção.

O Expresso diz-nos que Armando Vara deixou de ser Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e que o despacho foi publicado no Diário da República de hoje.

Efectivamente, é verdade:

Todavia, também é verdade que no Diário da República, como no Expresso, há uma direcção, sem til e sem cedilha, claro, tendo em conta o contexto, mas com consoante não pronunciada ‘c’, quand même:

Além disso, como é costume, há contato

efectivamente, há contato

e fatos e factos.

Exactamente: no sítio do costume.

***

As palavras mais tristes da língua inglesa

trump
Gore Vidal dizia que eram “Joyce Carol Oates” (uma maldade à Vidal). Se fosse vivo, talvez dissesse agora que as mais aterradoras são “President Donald Trump”.

A excelente forma de Ricardo Salgado

PT/Vivo: conferência de imprensa do BES

© LUSA (http://bit.ly/1qry4VZ)

Sed cum legebat, oculi ducebantur per paginas et cor intellectum rimabatur, vox autem et lingua quiescebant.

Santo Agostinho (354430)

***

Gostei imenso do discurso que Ricardo Salgado proferiu ontem na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES. Por motivos profissionais, não pude assistir à audição. Contudo, o Público e o Expresso publicaram o excelente texto do ex-presidente do Banco Espírito Santo.

Vejamos alguns (sim, só alguns) dos melhores momentos:

Acção, Abril, accionistas, acções, actas, actividade, activos, actuação, actuações, afectava, afecto, correctas, Dezembro, directa, directamente, directo, efectivamente, efectuar, incorrecto, injectar, interacção, Janeiro, Julho, Junho, Maio, Março, Novembro, objectivo, objecto, Outubro, percepção, perspectiva, perspectivas, projecção, projecto, protecção, protectora, respectiva, respectivos, ruptura, Setembro.

Aliás, até proponho que Salgado seja distinguido com uma menção honrosa, devido à destreza com que adoptou grafias extremamente perigosas, como percepção, perspectiva, perspectivas, respectiva, respectivos e ruptura.

Muito bem, Ricardo Salgado. Óptimo. Excelente.

É evidente que estes “muito bem”, “menção honrosa”, “óptimo” e “excelente” devem ser lidos à luz da máxima atribuída por Daniel Dennett (p.21) a Gore Vidal: “It is not enough to succeed. Others must fail“.

“Others must fail”. Pois, claro. Sim, ‘others’. Efectivamente, os do costume.

Depois de apreciado o desempenho ortográfico de Salgado, debrucemo-nos sobre a habitual salgalhada do Diário da República:

dre 9122014Exactamente: ontem, no sítio do costume.

Actualização (11/12/2014): Sim, sim, reparei no *eminente. Contudo, atenhamo-nos ao AO90.